A Justiça de São Paulo determinou nesta terça-feira (7) a soltura de Stella Stefanie Nunes de Oliveira e de outros seis investigados presos durante a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal. Stella ganhou projeção internacional após ser incluída na lista de sanções do governo dos Estados Unidos por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A decisão revoga as prisões preventivas, mas mantém a investigação em andamento. Os sete investigados deverão cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça enquanto respondem ao processo. A soltura não representa absolvição nem encerra as apurações sobre o caso.
Operação investiga esquema bilionário
A Operação Exchange foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores, a organização utilizava empresas de fachada, movimentações bancárias de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptomoedas para ocultar a origem dos recursos ilícitos. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 10,4 bilhões em bens e ativos dos investigados.
De acordo com a investigação, Stella seria responsável por atuar na logística financeira da organização criminosa, recolhendo e movimentando recursos que posteriormente seriam inseridos no sistema financeiro. Já o empresário Victor Henrique Shimada, apontado como um dos principais operadores do esquema, continua foragido.
Sanções dos Estados Unidos ampliaram repercussão
O caso ganhou repercussão internacional após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicar sanções contra Stella, Victor Shimada e empresas ligadas ao grupo. As autoridades americanas afirmam que eles teriam participado da lavagem de milhões de dólares provenientes das atividades do PCC.
As sanções determinam o bloqueio de eventuais bens sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbem cidadãos e empresas americanas de manter relações comerciais com os investigados. As medidas, porém, têm caráter administrativo e não equivalem a uma condenação criminal.
Defesa e investigação seguem em curso
Até o momento, não há condenação relacionada ao caso. A investigação da Polícia Federal continua para apurar a participação de cada investigado no suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça, conforme prevê a Constituição. A defesa dos envolvidos poderá apresentar sua versão dos fatos ao longo do processo.
Entenda o contexto
A Operação Exchange faz parte das ações da Polícia Federal para combater estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas. A investigação teve início antes mesmo das sanções anunciadas pelos Estados Unidos, mas ganhou repercussão internacional após o governo americano incluir brasileiros e empresas ligadas ao caso em sua lista de restrições econômicas. Agora, mesmo com a revogação das prisões, a apuração prossegue para definir se há provas suficientes para responsabilizar criminalmente os investigados.