Um dia após a deflagração da Operação Ar Frio, o prefeito Ricardo Nunes afirmou nesta quarta-feira (8) que a Prefeitura de São Paulo vai reforçar a fiscalização sobre licitações e contratos públicos. Segundo ele, a Controladoria Geral do Município será fortalecida com a convocação de novos controladores aprovados em concurso.
“A nossa Controladoria tem feito um trabalho muito importante, muito eficiente. Inclusive agora a gente fez um concurso, estou chamando mais controladores para poder fortalecer a equipe de Controladoria da Prefeitura”, afirmou.
O prefeito também disse que a administração manterá o monitoramento constante dos contratos públicos para evitar novas irregularidades.
“É fundamental ir ampliando e melhorando os sistemas de controle. A fiscalização vai ser muito rígida. A gente confia muito no trabalho do Ministério Público e da Polícia Civil. As ações são conjuntas e as pessoas precisam perceber que, se cometerem algum ato ilícito, vão ser pegas e responsabilizadas”, declarou.
Questionado se a Prefeitura fará um pente-fino em outras licitações conduzidas pelos ex-servidores investigados, Nunes afirmou que o trabalho de fiscalização já é permanente e será intensificado.
“É lógico que a gente vai sempre fazer ações para que você não tenha nenhum caso semelhante a esse. O que é fundamental é ir ampliando e melhorando os sistemas de controle”, disse.
Sobre a possibilidade de outros contratos terem sido fraudados, o prefeito afirmou que, até o momento, a administração municipal não encontrou novos indícios de irregularidades.
“Não tem um contrato em especial. A gente vai estar o tempo inteiro observando e analisando. Mas identificar algo de errado, que teve algum desvio de recurso, a gente não tem ainda”, afirmou.
Nunes também comentou que a investigação teve início após uma suspeita envolvendo a incompatibilidade entre o patrimônio de um dos investigados e sua renda. Segundo ele, a partir dessas informações, a Prefeitura passou a colaborar com os órgãos responsáveis pela apuração.
Como exemplo da atuação da administração na revisão de contratos, o prefeito citou uma licitação para instalação de ar-condicionado em escolas municipais que foi cancelada e refeita após a identificação de valores considerados elevados.
“Tinha uma licitação relacionada à questão do ar-condicionado nas escolas municipais com um valor muito alto. A gente cancelou aquela licitação, que estava prevista em cerca de R$ 1 bilhão. Refez o modelo da licitação e o valor caiu para quinhentos e poucos milhões de reais”, disse.
Entenda o contexto
A Operação Ar Frio foi deflagrada na manhã da última terça-feira (7) pelo Ministério Público de São Paulo para investigar um suposto esquema de fraude em licitações da Prefeitura de São Paulo. A investigação apura suspeitas de direcionamento de contratos públicos e favorecimento de empresas.
Ainda na data de ontem (07), o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a própria Controladoria Geral do Município identificou indícios de irregularidades durante uma apuração interna e encaminhou o caso ao Ministério Público. Segundo ele, seis servidores municipais foram exonerados em março deste ano por causa das suspeitas.
Na ocasião, Nunes afirmou que a administração “não admite qualquer ilicitude” e classificou os envolvidos como “ratos” que se infiltram no serviço público. O prefeito também disse que a atuação da Controladoria permitiu identificar as suspeitas antes da operação do Ministério Público e reforçou que a Prefeitura continuará colaborando com as investigações.