Ibaneis Rocha desiste de disputar o Senado pelo DF e anuncia fim da trajetória política: “Quero cuidar da minha vida”

Ex-governador do Distrito Federal afirma que não disputará nenhum cargo nas eleições de 2026 e encerra uma trajetória de sete anos na política local, marcada por dois mandatos à frente do GDF, crises institucionais e rompimentos com antigos aliados.
Redação NC News
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O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou nesta quarta-feira (8) que desistiu de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão encerra meses de articulações políticas iniciadas após sua saída do Governo do Distrito Federal, em março, quando deixou o cargo para cumprir a regra de desincompatibilização exigida pela Justiça Eleitoral.

Em declaração, Ibaneis afirmou que pretende se afastar da vida pública e dedicar mais tempo à vida pessoal. Segundo ele, não há intenção de disputar qualquer outro cargo eletivo. A decisão também muda o cenário político do Distrito Federal, que passa por uma intensa reorganização das alianças para a eleição deste ano.

O que aconteceu?

Após meses sendo apontado como um dos principais nomes para a disputa ao Senado pelo Distrito Federal, Ibaneis Rocha confirmou que retirou sua candidatura.

A decisão surpreende porque o ex-governador havia deixado o comando do Executivo justamente para disputar uma das duas vagas que estarão em disputa para o Senado em 2026.

Em mensagem enviada à imprensa, Ibaneis justificou a decisão dizendo que deseja priorizar sua vida pessoal.

“Estou completando 55 anos e quero cuidar da minha vida.”
Na mesma manifestação, afirmou que considera ter cumprido sua missão como governador e destacou que não pretende concorrer a nenhum outro cargo político.

Segundo ele, os últimos anos foram marcados por grandes desafios, incluindo a pandemia de Covid-19, o que influenciou sua decisão de deixar a vida pública.

Por que Ibaneis deixou o governo?

A saída do Palácio do Buriti ocorreu em março deste ano para atender às regras da Justiça Eleitoral. A legislação determina que ocupantes de determinados cargos do Executivo deixem suas funções dentro do prazo legal caso pretendam disputar outra eleição.

Na época, Ibaneis afirmou que concentraria seus esforços na pré-campanha ao Senado, considerada seu principal projeto político após dois mandatos consecutivos no comando do Distrito Federal.

Com a desistência, esse planejamento foi encerrado antes mesmo do início oficial da campanha.

Como a pré-candidatura perdeu força?

Nos últimos meses, o cenário político no Distrito Federal mudou significativamente.

Logo após assumir definitivamente o governo, a governadora Celina Leão passou a adotar um discurso mais crítico em relação à gestão anterior, especialmente em áreas como saúde pública e na condução da crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB).

As divergências aumentaram até culminarem em um rompimento político público entre os dois grupos.

Vídeos divulgados por ambos marcaram o distanciamento entre antigos aliados e evidenciaram uma disputa pela liderança do campo político que governou o Distrito Federal nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, Celina passou a declarar apoio a outros nomes para o Senado, entre eles Michelle Bolsonaro (PL) e a deputada federal Bia Kicis (PL).

Como cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado em 2026, o movimento foi interpretado como um esvaziamento da candidatura de Ibaneis.

Crises marcaram os últimos meses do governo

A reta final da administração de Ibaneis também foi marcada por episódios que provocaram desgaste político.

Entre eles estiveram os debates envolvendo o Banco de Brasília (BRB), especialmente em relação às discussões sobre a instituição e seus desafios administrativos, além de críticas à situação da saúde pública do Distrito Federal.

Esses temas dominaram parte do debate político local durante a transição de governo e passaram a ocupar espaço central nas discussões entre antigos aliados.

Quem é Ibaneis Rocha?

Natural de Corrente, no Piauí, Ibaneis Rocha construiu sua carreira profissional como advogado em Brasília. Antes de entrar na política, ganhou notoriedade ao presidir a seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF).

Sua estreia eleitoral ocorreu em 2018. Naquele ano, iniciou a campanha como um dos candidatos considerados menos favoritos, mas venceu a disputa pelo Governo do Distrito Federal.

Quatro anos depois, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Em janeiro de 2023, poucos dias após assumir o segundo mandato, foi afastado temporariamente do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto das investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Posteriormente, retornou ao governo após decisão da própria Corte.

Como fica a disputa pelo Senado no DF?

A desistência de Ibaneis altera o cenário eleitoral no Distrito Federal.

Neste ano, os eleitores escolherão dois novos representantes para o Senado, já que duas das três cadeiras da unidade da Federação estarão em disputa.

Com a saída do ex-governador da corrida eleitoral, o espaço entre os principais candidatos tende a ser reorganizado, enquanto partidos e lideranças políticas avaliam novos apoios e possíveis alianças para a campanha.

A definição oficial das candidaturas ocorrerá após as convenções partidárias e o registro junto à Justiça Eleitoral.

O que acontece agora?

Sem Ibaneis na disputa, os partidos devem intensificar as negociações para a composição das chapas ao Senado.

A decisão também encerra, ao menos por enquanto, a trajetória política iniciada por ele em 2018, quando conquistou seu primeiro mandato eletivo.

Segundo o próprio ex-governador, a intenção agora é permanecer fora das disputas eleitorais e dedicar mais tempo à vida pessoal.

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