A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) cancelou, na manhã desta quarta-feira (9), a audiência pública que ouviria a ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Kellen Silva Senra. Ela foi convidada para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na compra de material didático pela Secretaria de Estado de Educação.
A presidente da comissão, a deputada estadual Beatriz Cerqueira, informou que a ex-subsecretária havia confirmado presença, mas encaminhou um e-mail às 10h29 avisando que não participaria da reunião porque está em férias-prêmio.
Com a ausência, a audiência foi cancelada. A parlamentar anunciou que apresentará um requerimento para que Kellen seja convocada oficialmente a prestar esclarecimentos à comissão.
Contrato de R$ 870 milhões está no centro da investigação
Segundo Beatriz Cerqueira, a ex-subsecretária era responsável pela condução de contratos que somam mais de R$ 870 milhões, firmados durante a gestão do então secretário de Educação, Rossieli Soares.
Rossieli deixou o cargo após a Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontar indícios de irregularidades na execução do contrato nº 9.462.760, firmado com a empresa Fazer Educação Ltda. O objetivo da audiência era esclarecer como ocorreu a contratação e por que os pagamentos foram mantidos mesmo após o surgimento das suspeitas.
Cronologia levanta dúvidas
Durante a reunião, a deputada apresentou uma linha do tempo do caso. Conforme os dados apresentados:
- 16 de dezembro de 2025: a CGE recebeu uma denúncia sobre possíveis irregularidades;
- 23 de dezembro de 2025: a Secretaria de Educação assinou o contrato com a empresa;
- 29 de dezembro de 2025: foi pago o valor de R$ 172 milhões, referente à primeira parcela do contrato.
Para a presidente da comissão, é necessário esclarecer por que o processo seguiu normalmente mesmo após a formalização da denúncia.
Ao justificar a intenção de convocar a ex-subsecretária, Beatriz Cerqueira afirmou que o objetivo é garantir transparência e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer na administração pública. Segundo a deputada, os esclarecimentos são importantes para que possíveis falhas sejam identificadas e não se repitam.