Marina Silva e Tebet rebatem Tarcísio sobre não serem de SP e apontam “dois pesos e duas medidas”

As ex-ministras e pré-candidatas ao Senado reagiram de forma contundente após o governador de São Paulo criticar suas trajetórias, alegando que elas não têm histórico político no estado. Tebet ironizou a mudança recente do governador para o território paulista e Marina o acusou de preconceito de gênero.
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O cenário político para a disputa das duas vagas ao Senado por São Paulo entrou em uma fase de ataques diretos. As ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) rebateram nesta quarta-feira (8) as declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que havia criticado as suas pré-candidaturas alegando que nenhuma das duas “começou a fazer política em São Paulo” ou “elegeu esse estado para servir”.

As declarações de Tarcísio miraram o fato de Marina ter construído sua base histórica no Acre e Tebet no Mato Grosso do Sul. Ambas, no entanto, lideram as pesquisas de intenção de voto no estado, figurando à frente dos dois nomes apoiados pelo governador: André do Prado (PL) e o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).

Simone Tebet ironiza histórico de mudança de Tarcísio

A ex-ministra do Planejamento do governo Lula devolveu a provocação fazendo alusão direta à mudança do próprio governador para São Paulo no pleito de 2022, quando o político — nascido no Rio de Janeiro e torcedor do Flamengo — enfrentou questionamentos sobre seu domicílio eleitoral.

“Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há 10 anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar”, disparou Tebet.

Nascida em Mato Grosso do Sul, onde já foi prefeita, deputada, vice-governadora e senadora, Tebet tenta pela primeira vez disputar um cargo eletivo pelo eleitorado paulista.

Marina Silva acusa governador de preconceito político de gênero

Durante uma agenda pública realizada em Campinas, no interior paulista, a ex-ministra do Meio Ambiente e atual deputada federal eleita por São Paulo em 2022 apontou incoerência na fala do chefe do Executivo estadual e destacou uma postura machista nos ataques da direita.

 “É claramente uma pessoa que tem dois pesos e duas medidas. Ele acha que para ele vir fazer política aqui é natural, e para mim, a Simone, não”, afirmou Marina.

A parlamentar acusou o governador de tentar isolar a atuação das mulheres no xadrez político. “Nós podemos montar o nosso território, a nossa barraca, onde quisermos. As mulheres vão ser sempre vistas como estrangeiras, como se devessem ficar do lado de fora”, completou.

O ataque de Tarcísio de Freitas que gerou o embate

A série de respostas foi motivada por um discurso incisivo feito por Tarcísio de Freitas. Na ocasião, o governador fluminense tentou carimbar as adversárias como “forasteiras” que estariam buscando abrigo eleitoral em solo paulista após perderem espaço em seus estados de origem.

“Com todo respeito às duas candidatas ao Senado dos outros partidos, elas não começaram a fazer política em São Paulo, não elegeram esse Estado para servir. Foram servir o Mato Grosso do Sul e o Acre, e levaram o cartão vermelho do Mato Grosso do Sul e do Acre. Se fossem concorrer por lá, lá não seriam eleitas”, declarou Tarcísio.

O governador emendou afirmando que trabalhará ativamente para derrotá-las nas urnas, direcionando o palanque governista para promover aliados com forte apelo em pautas locais. “A gente vai trabalhar para ter uma pessoa que cuidou da segurança pública do Estado e sabe como isso é caro para a nossa população”, afirmou Tarcísio, em aceno claro ao seu candidato Guilherme Derrite.

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