A nova pesquisa presidencial Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (9), mede o estrago político de crises recentes nas campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula a menos de três meses da eleição de outubro de 2026. O levantamento, encomendado pelo Banco Genial, custa R$ 433,2 mil e se torna a principal fotografia atualizada da corrida ao Planalto.
Panorama de uma eleição em ebulição
O estudo é a sétima pesquisa presidencial da série Genial/Quaest neste ano e chega em um momento de forte turbulência. Nas últimas semanas, o vídeo em que Michelle Bolsonaro agride o enteado e as declarações de Paulo Figueiredo contra o direito ao voto feminino reacendem o debate sobre o bolsonarismo e o papel das mulheres na política.
Do outro lado, a revelação de que o senador Jaques Wagner mantém relações consideradas suspeitas com o Banco Master expõe um flanco delicado do entorno de Lula, hoje presidente e candidato à reeleição. A dúvida nos bastidores é se o episódio consegue furar a bolha lulista ou se se restringe ao noticiário político e econômico.
Ao testar simultaneamente esses dois eixos de crise, o levantamento ajuda a redesenhar o mapa da disputa. Setores do PT e do campo bolsonarista esperam da pesquisa uma espécie de laudo preliminar sobre danos de imagem, com impacto direto em estratégia de campanha, tempo de TV e discurso nas redes.
Fatos sob medida no questionário
O desenho da pesquisa deixa claro o foco em episódios recentes. “Encomendada pelo Banco Genial, a um custo de R$ 433,2 mil, é a sétima pesquisa do ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa após dois fatos que impactaram a campanha de Flávio Bolsonaro”, relata o colunista Lauro Jardim. Ele destaca que “várias perguntas da pesquisa serão sobre esses dois temas”.
No campo petista, a Genial/Quaest também mira o desgaste potencial da denúncia envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master. Segundo Jardim, “há quatro perguntas sobre o tema na pesquisa”, formuladas para medir quanto essa associação respinga na imagem de Lula e na confiança em seu entorno político.
Os estrategistas de Flávio Bolsonaro enxergam na bateria de perguntas sobre o vídeo de Michelle e as falas de Paulo Figueiredo um teste direto da resiliência do seu eleitorado. A preocupação é com a rejeição entre mulheres e eleitores moderados, faixa decisiva em uma eleição em que poucos pontos podem decidir o segundo turno.
No núcleo de Lula, o temor é outro. O vínculo de um aliado histórico com um banco investigado pode reforçar a narrativa de promiscuidade entre política e sistema financeiro, especialmente entre eleitores mais sensíveis a temas de corrupção e conchavos.
Metodologia mira intenção real do eleitor
A Genial/Quaest adota um roteiro pensado para reduzir interferências na escolha do entrevistado. “O questionário começa querendo saber se o entrevistado já escolheu algum candidato”, explica Lauro Jardim. Se a resposta é positiva, o pesquisador pergunta diretamente “quem?”, sem apresentar qualquer lista de nomes.
O desenho busca captar a chamada intenção espontânea de voto, vista por analistas como indicador mais fiel da memória política do eleitor. Só depois o entrevistado recebe uma lista alfabética com 12 pré-candidatos: Augusto Cury, Cabo Daciolo, Edmilson Costa, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Heró Bezerra, Joaquim Narbosa, Lula, Renan Santos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Samara Martins.
A partir dessa relação, o instituto mede quantos eleitores conhecem cada nome, em qual deles não votariam “de jeito nenhum” e, por fim, em quem votariam hoje. O entrevistador ainda pergunta se essa escolha é definitiva ou se poderia mudar caso o preferido desista da disputa.
A pesquisa inclui cenários de segundo turno com Lula enfrentando Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Também testa se, na visão do eleitor, Lula “merece continuar como presidente por mais quatro anos” e mede a avaliação do governo.
O questionário avança ainda para temas de economia e bolso: expectativas para o país, grau de endividamento, conhecimento e avaliação do programa Desenrola 2. Há uma pergunta específica sobre a viagem recente de Flávio aos Estados Unidos, em mais um termômetro da repercussão de seus movimentos no exterior.
Quem ganha, quem perde com o resultado
A conta de R$ 433,2 mil não pesa apenas no orçamento do Banco Genial, dono do levantamento. O valor sinaliza a importância atribuída ao estudo por investidores e consultorias políticas, que usam a série para ajustar estratégias, mapear risco regulatório e projetar humor de mercado até a eleição.
Partidos e campanhas acompanham a divulgação com apreensão. Se a pesquisa mostrar aumento de rejeição a Flávio entre mulheres e eleitores urbanos, a campanha bolsonarista tende a reagir com peças de defesa de Michelle Bolsonaro e tentativa de minimizar as falas de Paulo Figueiredo. A ideia, nesse caso, seria deslocar o foco para economia, segurança e críticas à gestão Lula.
Se, por outro lado, o desgaste maior recair sobre Lula em razão das suspeitas contra Jaques Wagner e o Banco Master, o PT deverá acelerar gestos de transparência, reforçar a defesa da integridade do presidente e isolar politicamente o aliado para conter a sangria.
Candidatos tidos como alternativa a ambos podem se beneficiar de qualquer erosão simultânea. Nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado monitoram os números em busca de sinais de que o eleitor começa a procurar uma terceira via prática, fora da polarização que domina a política desde 2018.
Banco Genial se consolida como ator político
A envergadura da pesquisa também projeta o Banco Genial para o centro do tabuleiro político-eleitoral. Ao financiar uma série contínua de levantamentos nacionais, a instituição se posiciona como fornecedora de informação estratégica para mercado, partidos e imprensa.
O movimento não é isolado. O setor financeiro se acostuma a patrocinar pesquisas amplas, que ajudam a calibrar apostas em políticas econômicas futuras, reforma tributária, agenda fiscal e composição do próximo governo. A Genial/Quaest entra nesse circuito com frequência mensal e questionários cada vez mais detalhados.
O histórico recente mostra a relevância da série. Na última rodada, em junho, a Genial/Quaest registrou Lula na liderança, com 39% das intenções de voto no primeiro turno, dez pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro, que somava 29%. O levantamento atual dirá se os escândalos recentes encurtam essa distância ou aprofundam a vantagem do presidente.
O que vem agora
Os próximos dias serão de mergulho nos microdados por parte de campanhas e consultorias. Mais que a fotografia geral, interessa o comportamento de nichos específicos: mulheres, evangélicos, jovens, classes C e D, eleitorado do Nordeste e do Centro-Oeste.
A tendência é que novas pesquisas, de diferentes institutos, reforcem ou contestem o desenho traçado pela Genial/Quaest. A menos de três meses do pleito, cada ponto percentual passa a ter peso desproporcional, e episódios como o vídeo de Michelle Bolsonaro ou as denúncias envolvendo Jaques Wagner podem ser decisivos.
Enquanto isso, o país entra na reta final de uma campanha em que crises de imagem, redes sociais e humor econômico se entrelaçam. A pesquisa divulgada em 9 de julho funciona como um marco: a partir dela, candidatos sabem com mais clareza o tamanho de seus problemas — e o tempo curto que têm para tentar resolvê-los.
Quaest pesquisa é confiável?
A Genial/Quaest é hoje um dos principais institutos de pesquisa do país, com séries regulares, metodologia divulgada e histórico de acompanhamento próximo dos resultados eleitorais.
Onde encontrar a Quaest pesquisa completa?
O relatório detalhado costuma ser publicado nos sites da Quaest e do Banco Genial, com questionário, metodologia, margens de erro e resultados por recortes de eleitorado.
Qual o foco da Quaest pesquisa presidente 2026 divulgada hoje?
A pesquisa mede intenção de voto, rejeição e impacto de crises recentes nas campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula, incluindo episódios envolvendo Michelle Bolsonaro, Paulo Figueiredo e Jaques Wagner.