Vasco SAF recorre de novo para tentar barrar intervenção judicial

Vasco SAF busca reverter decisão que afastou dirigentes e gerou impacto no mercado e no futebol.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A Vasco SAF protocola na manhã da última quinta-feira, 9, um novo agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Rio para tentar barrar a intervenção judicial que afasta dirigentes do Conselho de Administração e redesenha o comando da empresa.

Recurso em meio à crise de governança

O movimento marca mais um capítulo da disputa que atinge a gestão do futebol do Vasco da Gama e expõe a fragilidade da governança em plena recuperação judicial. O recurso é assinado pelo escritório Galdino, Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados e se dirige à 20ª Câmara de Direito Privado, onde o desembargador Cesar Cury relata o caso.

Na peça, a SAF afirma que não pretende reabrir o embate societário entre o Club de Regatas Vasco da Gama e a 777 Carioca LLC. O objetivo declarado é mostrar que, “após a implementação da intervenção, surgiram fatos novos que justificam a revisão da decisão judicial”. Esses fatos, segundo a empresa, vão além do afastamento de dirigentes e alcançam o coração da operação: o caixa e o futebol.

Patrocinadores, investidores, bancos, fornecedores e parceiros comerciais freiam conversas e reavaliam riscos. Dentro do clube, o ambiente é de expectativa e apreensão, com o departamento de futebol em compasso de espera às vésperas da abertura da janela de transferências.

Intervenção contestada e renúncias em série

A intervenção é determinada pela 6ª Vara Empresarial do TJ-RJ em decisão que afasta representantes do clube associativo do Conselho da SAF, entre eles o presidente Pedrinho e os conselheiros Felipe Passos Elias e Christiano Borges Stockler Campos. O contexto é o processo de recuperação judicial do Vasco, que busca reorganizar dívidas e preservar a atividade esportiva.

Na quarta-feira, 8 de junho de 2024, a juíza Simone Gastesi Chevrand, que assume o caso após a declaração de suspeição de magistrados anteriores, nega um pedido de reconsideração apresentado pelo Vasco. “A juíza Simone Gastesi Chevrand negou o pedido de reconsideração apresentado pelo Vasco, mantendo o afastamento do presidente Pedrinho e dos conselheiros Felipe Passos Elias e Christiano Borges Stockler Campos”, registra o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em sua decisão.

A magistrada também nomeia o advogado Athos de Andrade Figueira Neves como novo interventor na Vasco SAF. A escolha tenta pôr fim a uma sequência de idas e vindas na condução da intervenção. A primeira nomeada, a interventora Samantha Mendes Longo, renuncia poucos dias após ser designada. Em seguida, a Justiça indica provisoriamente a administradora judicial Adriana Zamponi e o conselheiro Alexandre Macedo para exercer as funções, mas nenhum deles chega a assumir efetivamente o comando.

No agravo, a SAF destaca essa instabilidade. “A interventora Samantha Mendes Longo renunciou ao cargo poucos dias após ser nomeada, levando à designação provisória da administradora judicial Adriana Zamponi e do conselheiro Alexandre Macedo para exercer as funções da intervenção”, relata a empresa, como exemplo de que a medida não se consolida na prática.

Mercado em alerta e futebol em compasso de espera

Os advogados da SAF descrevem um cenário de desconfiança crescente no entorno do Vasco da Gama oficial. “A medida passou a gerar insegurança entre patrocinadores, investidores, instituições financeiras, fornecedores e parceiros comerciais, provocando atrasos em negociações, aumento da percepção de risco e dificuldades para captação de recursos em meio ao processo de recuperação judicial”, afirma a companhia.

O reflexo chega rápido ao campo. Empresários, atletas, clubes e agentes começam a questionar se é seguro fechar negócios com a Vasco SAF neste momento. “Empresários, atletas, clubes e agentes passaram a questionar a estabilidade da estrutura de governança e a segurança jurídica das negociações, cenário considerado especialmente delicado às vésperas da abertura da janela de transferências”, diz o recurso.

O temor interno é que contratos em discussão travem, saídas importantes demorem a se concretizar e reforços não cheguem a tempo de impactar o jogo do Vasco de hoje, de amanhã e do restante da temporada. A instabilidade na cúpula da SAF também alimenta a curiosidade do torcedor, que acompanha em peso canais como Globo Esporte Vasco, Netvasco e perfis independentes em busca de sinais sobre o futuro esportivo imediato.

A intervenção ocorre enquanto o clube tenta reequilibrar finanças, planejar elenco e disputar competições como Brasileiro, Sul-Americana e Copa do Brasil. Qualquer atraso na entrada de receitas ou na definição de atletas tem potencial para afetar desempenho em campo e repercutir em jogos que movimentam a torcida, seja no jogo do Vasco hoje ao vivo, seja nos próximos compromissos.

O que pede o novo agravo e o que está em jogo

No novo agravo, a Vasco SAF pede efeito suspensivo imediato, isto é, que a decisão que instaurou a intervenção e afastou dirigentes seja congelada até o julgamento definitivo. O objetivo é restabelecer a estrutura anterior de governança, com o retorno dos conselheiros afastados ao Conselho de Administração, enquanto o mérito do caso é analisado.

A companhia acrescenta um pedido alternativo, caso o tribunal não aceite derrubar a intervenção. “A companhia solicita que a intervenção judicial seja substituída por um monitor independente, responsável por acompanhar os atos de governança e reportar eventuais irregularidades ao Judiciário, sem assumir a administração da SAF”, afirma a Vasco SAF.

Esse monitor funcionaria como uma espécie de fiscal externo, sem poderes diretos de gestão. Na prática, a SAF tenta convencer o Judiciário de que é possível garantir transparência e controle sem paralisar decisões diárias de administração, consideradas vitais para a sobrevivência financeira e esportiva neste momento.

O agravo apresentado pela própria empresa corre em paralelo a outro, interposto pelo CRVG e pelos conselheiros afastados, ainda pendente de julgamento. A existência de dois recursos diferentes, com o mesmo objetivo de derrubar a liminar, mostra a multiplicidade de frentes jurídicas abertas e amplia a sensação de incerteza institucional.

Decisão iminente e futuro incerto

A expectativa no Vasco é que o desembargador Cesar Cury, relator na 20ª Câmara de Direito Privado, se manifeste ainda nesta quinta-feira, 9 de junho de 2024, sobre o pedido de efeito suspensivo. Qualquer definição terá impacto imediato na rotina da SAF, nos bastidores do futebol e nas conversas com o mercado.

Se o agravo for negado, a intervenção judicial tende a se consolidar com o novo interventor, aprofundando a crise de governança e prolongando a cautela de patrocinadores e investidores. Caso o tribunal aceite o monitor independente, o clube pode ganhar algum alívio operacional, mas continuará sob lupa rígida do Judiciário.

Enquanto a bola segue rolando, a disputa nos autos define quanto de estabilidade o Vasco terá para planejar elenco, negociar jogadores e manter viva a confiança de quem coloca dinheiro e prestígio no projeto da SAF. O próximo capítulo virá do gabinete do relator e ajudará a indicar se o clube caminha para um reequilíbrio institucional ou para uma prolongação da turbulência.

 

Carregar Comentários