A Genial/Quaest começa a divulgar, na próxima quarta-feira (15), a nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência em 2026, feita entre 10 e 13 desse mês com 2.004 eleitores em todo o país. O levantamento testa cenários de primeiro e segundo turno e mede o impacto direto de crises recentes envolvendo Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o senador Jaques Wagner (PT), além de temas econômicos do governo Lula. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07181/2026.
Disputa de 2026 entra na era das crises familiares e judiciais
O estudo chega a pouco mais de dois anos da eleição, mas mira problemas imediatos que bagunçam estratégias de campanha. No campo da direita, o desgaste da família Bolsonaro deixa de ser assunto de bastidor e vira pergunta explícita de questionário. No campo governista, a operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner, ex-líder do governo no Senado, pressiona a narrativa de integridade que o entorno de Lula tenta preservar.
A Quaest não se limita a medir quem está na frente. O questionário procura saber se o eleitor já ouviu falar das investigações, como interpreta os conflitos públicos e se muda ou não o voto a partir disso. É um retrato de um eleitorado que acompanha vídeos, operações policiais e decisões econômicas quase em tempo real e leva tudo isso para a urna.
Briga de Michelle e Flávio Bolsonaro entra no radar do eleitor
O desentendimento entre Michelle Bolsonaro e seu enteado Flávio Bolsonaro, exposto em vídeos nas redes sociais, domina uma seção inteira do questionário. O instituto quer saber quem, entre mãe e filho, carrega mais capital político depois da ruptura pública em um núcleo que sempre vendeu a imagem de família coesa.
Uma das perguntas abre a abordagem básica sobre o caso: “Você já sabia desses vídeos divulgados por Michelle Bolsonaro ou ficou sabendo agora?”. A partir daí, o instituto busca medir julgamento, motivação e consequência eleitoral da briga. “Na sua opinião, Michelle Bolsonaro acertou ou errou em tornar público esse desentendimento com Flávio Bolsonaro em vídeos nas redes sociais?”, pergunta o questionário.
A pesquisa ainda investiga se o pedido de desculpas de Flávio consegue conter o estrago. O senador grava um vídeo, nega intenção de ofender a ex-primeira-dama e tenta pacificar o grupo bolsonarista. A Quaest testa se essa iniciativa chega ao público e com que efeito. Em seguida, pergunta: “A revelação sobre o desentendimento entre Flávio e Michelle muda a possibilidade de você votar em Flávio Bolsonaro para presidente?”.
O episódio também abre espaço para avaliar a relação da família Bolsonaro com o eleitorado feminino. Uma das questões questiona diretamente a percepção sobre gênero: “De modo geral, você diria que Flávio Bolsonaro e seus aliados tratam as mulheres com o mesmo respeito que tratam os homens, ou tratam as mulheres com menos respeito?”. O recorte ganha peso após as declarações de Paulo Figueiredo, assessor da família nos Estados Unidos, que diz que as mulheres “votam estatisticamente muito mal, principalmente as mulheres solteiras”.
Operação contra Jaques Wagner testa blindagem do governo Lula
No campo governista, a pesquisa foca a 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que mira Jaques Wagner. Os investigadores apontam que o senador atua em defesa dos interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebe vantagens indevidas. Entre elas, um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a seus familiares.
A Quaest primeiro mede o alcance do caso: “Você já tinha ouvido falar dessas investigações envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master ou ficou sabendo agora?”. Depois, testa o julgamento moral do eleitor e o efeito direto sobre a candidatura Lula. Uma das questões pergunta: “Na sua opinião, essa investigação envolvendo Jaques Wagner e o Banco Master impacta muito negativamente, impacta negativamente, mas só um pouco, ou não impacta negativamente a campanha de Lula à presidência?”.
O instituto também tenta separar, na cabeça do eleitor, o que é problema individual de um senador e o que respinga no Palácio do Planalto. Outra questão apresentada quer saber se o caso é visto “mais como uma questão pessoal a ser respondida pelo senador Jaques Wagner ou mais como uma questão institucional do governo Lula”. A resposta ajuda a medir até onde vão os danos políticos para o presidente.
Cenários de primeiro e segundo turno em ambiente volátil
Com o pano de fundo dessas crises, a Quaest monta um primeiro turno com 12 pré-candidatos, de diferentes campos ideológicos. A lista inclui Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), além de nomes como Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB), Hertz Dias (PSTU), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP).
O instituto também testa o comportamento do eleitor em cenários de segundo turno. Lula aparece em confrontos diretos contra Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e Renan Santos. A série ajuda partidos a calcular riscos de insistir em determinados nomes ou buscar alianças, enquanto vídeos de família e operações da PF redesenham o mapa de rejeição e preferência.
Ao mesmo tempo, o questionário inclui temas econômicos que mexem com o cotidiano. O fim da escala de trabalho 6×1, as investigações sobre o Banco Master, a relação com os Estados Unidos e as tarifas anunciadas por Donald Trump entram como variáveis que podem pesar tanto quanto um escândalo político na decisão de voto.
Economia, polarização e o reflexo no Mundial de 2026
A pesquisa cruza, em tempo real, humor econômico e fadiga com escândalos. Para parte do eleitorado, ter emprego, salário em dia e previsibilidade pesa mais que qualquer disputa de bastidor. Para outra, ética e combate à corrupção continuam no centro da decisão. É esse balanço que a Quaest tenta decifrar ao ligar temas trabalhistas, política externa e crise de reputação.
Os resultados devem disparar movimentos imediatos. O PL tende a reagir à queda de imagem de Flávio com discursos de unidade, defesa de Michelle e promessas de respeito às mulheres, em tentativa de conter danos numa base em que a ex-primeira-dama fala direto com o público evangélico. No PT, a pressão recai sobre Lula para delimitar o caso Wagner como problema individual, sem abrir nova frente de desgaste num governo já pressionado pela economia.
Nos bastidores, marqueteiros e dirigentes olham para outro calendário: o do Mundial de Seleções de 2026. Um torneio que concentra atenção global divide holofotes com a fase decisiva da campanha presidencial. Pesquisas como a da Quaest ajudam a entender se escândalos, desaceleração econômica ou uma boa campanha da seleção brasileira se tornam fator de mobilização ou distração do eleitor.
Os próximos meses indicam uma disputa tão marcada por planos de governo quanto por vídeos vazados e inquéritos em andamento. Novas fases de investigações, eventual desdobramento do caso Banco Master e o desfecho do embate Michelle-Flávio podem reconfigurar alianças antes mesmo do registro oficial das candidaturas. A Genial/Quaest, e outros institutos, seguem de lupa na mão, medindo a velocidade com que o humor do país muda ao sabor da política, do bolso e das redes.