“O que economizamos em um mês paga aqueles móveis velhos.” Foi dessa forma que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reagiu às denúncias sobre o possível desaparecimento de móveis e obras de arte do Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte.
Durante uma agenda oficial na capital mineira, nesta sexta-feira (10), Zema rebateu as acusações levantadas por deputados estaduais da oposição, afirmando que a decisão de não utilizar a residência oficial gerou economia aos cofres públicos e comparou o caso ao episódio envolvendo os móveis do Palácio do Planalto, no início do atual governo federal.
Segundo o governador, deixar de morar no Palácio das Mangabeiras representou uma economia de pelo menos R$ 300 mil a R$ 400 mil por mês.
“Eu falo que economizei, no mínimo, entre R$ 300 mil e R$ 400 mil por mês morando na minha própria casa. Se tem alguma coisa de lá que sumiu, ou que não sumiu, o que economizamos em um mês paga aqueles móveis velhos que estavam lá.”, afirma Zema.
Na sequência, Zema citou o caso envolvendo os móveis do Palácio do Planalto.
“Quando o presidente Lula assumiu, disseram que móveis do Palácio do Planalto tinham desaparecido com o Bolsonaro. Depois encontraram tudo armazenado em um porão. Então, parece que existe um pouco de armação neste assunto.”, complementa.
Mateus Simões diz que acervo está preservado
Também questionado sobre a investigação, o atual governador Mateus Simões (PSD) afirmou que as denúncias não correspondem à realidade e que o patrimônio histórico retirado do Palácio continua sob responsabilidade do Estado.
Segundo Simões, as obras de arte foram transferidas para o Palácio da Liberdade – antiga sede do executivo mineiro – , enquanto o acervo bibliográfico passou a integrar a Biblioteca Pública Estadual.
“Eu fico me perguntando se ainda tem gente que acha que governador deveria morar em palácio. Hoje o Palácio é um espaço aberto à visitação. Todas as obras de arte estão no Palácio da Liberdade. O biombo de Di Cavalcanti, por exemplo, está logo no hall de entrada. Os livros estão na Biblioteca Pública e podem ser consultados. É um acervo preservado.”, explica Simões.
O governador acrescentou que outros bens utilizados quando o imóvel funcionava como residência oficial também possuem registro.
“Se alguém quiser saber onde estão as camas usadas pelos funcionários da casa, a Polícia Militar, que foi responsável pela desativação do Palácio, tem todo o histórico desse processo.”, finaliza o governador.
Entenda a investigação
O caso começou após uma fiscalização realizada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) no Palácio das Mangabeiras, no dia 2 de julho deste ano.
Durante a vistoria, os deputados afirmaram ter encontrado a antiga residência oficial praticamente vazia. Segundo o relatório da Comissão, não foram localizados quadros, móveis históricos, louças, pratarias, tapetes, eletrodomésticos da cozinha, utensílios utilizados em recepções oficiais, peças da biblioteca, mais de mil livros restaurados durante o governo de Antônio Anastasia e objetos adquiridos pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek para compor a sala de cinema do Palácio. Eles também questionam o paradeiro de 63 itens citados em um extrato de doação publicado no Diário Oficial do Estado em 2020, que não identifica quais bens teriam sido transferidos para a Secretaria-Geral do Estado.
Os parlamentares relataram que permaneceram no imóvel apenas uma mesa de centro, um sofá, duas poltronas, um guarda-roupas e um piano originais.
Além disso, a Comissão questiona a falta de um inventário público detalhado que indique a localização das peças retiradas do imóvel desde que ele deixou de ser residência oficial, em 2019.
Caso chegou à PF
Após a fiscalização, a Comissão de Cultura protocolou representações no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), no Ministério Público e uma notícia-crime na Polícia Federal.
No documento encaminhado à PF, os deputados pedem a abertura de investigação para apurar o paradeiro do acervo, possíveis danos a obras de arte e eventual responsabilidade de agentes públicos pela guarda e destinação do patrimônio.
A notícia-crime cita Romeu Zema, Mateus Simões e outros gestores públicos para que os fatos sejam apurados pelas autoridades competentes. O documento não significa que os citados sejam investigados ou responsabilizados, mas solicita a análise dos fatos apresentados pela Comissão.
Governo nega desaparecimento
Em nota, o Governo de Minas informou que todos os bens que integravam o acervo do Palácio das Mangabeiras no início da gestão Zema permanecem cadastrados, inventariados e registrados nos sistemas oficiais de controle patrimonial.
Segundo o Executivo, parte das obras de arte está sob guarda do Palácio da Liberdade e do Museu Mineiro, enquanto os livros foram incorporados à Biblioteca Pública Estadual. Os demais bens permanecem armazenados em instalações públicas, seguindo critérios técnicos de conservação, segurança e controle patrimonial.
O governo também informou que prestará todos os esclarecimentos solicitados pelos órgãos de controle e reafirmou que mantém rigoroso acompanhamento sobre o patrimônio público estadual.