O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou à Câmara dos Deputados que o hacker responsável pelo disparo de alertas falsos da Defesa Civil em junho aprendeu a operar o sistema por meio de cursos disponibilizados em uma plataforma do governo federal.
As explicações foram enviadas na última sexta-feira (10) em resposta a um requerimento apresentado pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO).
Segundo a pasta, o invasor, que se identificava como “Misantropi4”, utilizou credenciais válidas de usuários da plataforma IDAP para acessar o sistema e enviar os alertas para diferentes localidades do país.
Alerta falso atingiu várias cidades
Entre a noite de 19 de junho e a madrugada do dia 20, moradores de diversas cidades brasileiras receberam um alerta sonoro classificado como “extremo” pela Defesa Civil. As mensagens continham a palavra “misantropia” ou variações do termo e não correspondiam a nenhuma situação real de emergência.
Em alguns municípios, o aviso chegou a mencionar um suposto “ataque alienígena”.
Sistema teve credenciais vazadas
O Ministério afirmou que tomou conhecimento do incidente às 23h59 do dia 19 e adotou medidas imediatas para conter o problema. As contas utilizadas indevidamente foram bloqueadas e a publicação externa do sistema foi suspensa.
De acordo com a pasta, a investigação identificou o uso de credenciais vazadas em um grupo do Telegram e a exploração de uma vulnerabilidade existente no sistema no momento do envio dos alertas. O Ministério também informou que ambos os problemas já foram corrigidos.
Medidas de segurança foram reforçadas
O governo federal afirmou que a infraestrutura do ministério não foi comprometida, mas anunciou uma série de mudanças para reforçar a segurança cibernética do sistema.
Entre as medidas adotadas estão:
- bloqueio dos usuários utilizados no ataque;
- restrição do acesso ao sistema apenas à rede interna do ministério;
- implantação de autenticação multifator;
- exigência de conexão por VPN para as Defesas Civis que utilizarem a plataforma
A Polícia Federal continua investigando o caso.