O Irã lança mísseis contra alvos ligados aos Estados Unidos em Jordânia, Kuwait, Omã e Catar neste domingo e fecha o Estreito de Ormuz. A ofensiva responde a bombardeios norte-americanos contra mais de 300 alvos militares iranianos desde a véspera e empurra o Golfo Pérsico para o centro da crise de segurança global.
Retaliação em cadeia após ofensiva dos EUA
Os ataques deste domingo são o ponto mais agudo de uma escalada que se acelera em menos de 24 horas. No sábado, 11 de julho, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA informa ter atingido 140 alvos iranianos, parte de uma campanha de três noites contra mais de 300 posições militares no país.
Washington afirma que o objetivo é “prejudicar a capacidade do Irã de atacar marinheiros civis e embarcações comerciais” que cruzam o estreito. Em rede social, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, adota tom de confronto: “O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço”.
Mídia estatal iraniana relata explosões nas cidades portuárias de Bandar Abbas, Sirik e Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão, na fronteira com o Iraque. As agências Mehr e Tasnim confirmam a morte de um militar: “O tenente Hamidreza Dehghani, da Marinha das Forças Armadas da República Islâmica, foi martirizado durante o ataque terrorista criminoso realizado ontem à noite pelos Estados Unidos ao porto de Jask”.
Teerã responde com mísseis lançados a partir do próprio território contra instalações associadas aos EUA em quatro países do Golfo. Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirma ter destruído um centro de comando e hangares de drones na Jordânia, atacado um radar americano no Kuwait, plataformas de apoio a porta-aviões em Omã e um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando no Catar.
Feridos no Catar e navio em chamas em Omã
Governos da região confirmam danos e feridos. No Catar, três pessoas — entre elas uma criança — se machucam com estilhaços de mísseis interceptados. Doha condena a ação iraniana e descreve o episódio como “uma grave escalada que complica os esforços para conter as tensões na região”.
Na Jordânia, a agência estatal informa que três mísseis disparados do Irã atingem o país, provocando danos materiais leves, sem registro de mortos. No Kuwait e em Omã, as autoridades confirmam impactos contra estruturas militares associadas à presença americana, mas ainda levantam o balanço completo.
Nos Emirados Árabes Unidos, sistemas de defesa interceptam mísseis e drones vindos do Irã. Horas depois, o governo esclarece que as ameaças abatidas estavam fora de seu espaço aéreo. No Bahrein, sirenes de alerta soam, alimentando o temor de que a crise atinja diretamente as bases que abrigam forças dos EUA no pequeno reino.
No mar, a tensão se traduz em chamas. Um navio mercante, o GFS Galaxy, é atacado a cerca de 17 quilômetros a leste da península de Musandam, em águas de Omã, segundo a agência britânica de segurança marítima. A embarcação pega fogo, a tripulação abandona o navio em bote salva-vidas e 23 pessoas são resgatadas pelas autoridades omanitas. Um tripulante segue desaparecido.
Estreito de Ormuz sob controle da Guarda Revolucionária
O movimento mais sensível ocorre no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa uma fatia crucial do petróleo e do gás vendidos ao mundo. A Guarda Revolucionária anuncia o fechamento da passagem “até segunda ordem” e liga a medida às operações americanas em curso.
Em nota, o comando naval iraniano afirma ter disparado tiros de advertência contra embarcações que desrespeitam rotas e instruções. “Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida”, diz o comunicado. A corporação reforça que “nenhuma embarcação terá permissão para passar” enquanto durar a operação.
Diplomatas iranianos sustentam que Teerã tem direito a participar da gestão do tráfego na região. “Os futuros arranjos para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz devem ser elaborados conjuntamente pelos dois Estados costeiros”, declaram, em referência ao próprio Irã e a Omã.
O fechamento do estreito atinge em cheio os exportadores do Golfo e grandes importadores na Ásia, na Europa e nas Américas. Mesmo antes de qualquer interrupção física prolongada, a ameaça de bloqueio eleva prêmios de seguro, pressiona fretes marítimos e alimenta a alta do petróleo nos mercados futuros.
Acordo de cessar-fogo desmorona em menos de um mês
A escalada militar enterra, na prática, o memorando de entendimento assinado por Washington e Teerã em 17 de junho. O acordo previa cessar-fogo e dava 60 dias para uma solução definitiva para a guerra, mas combates se intensificam antes mesmo da metade desse prazo.
Nas últimas semanas, os dois lados se acusam mutuamente de violações. Desde quarta-feira, o presidente dos EUA declara em público que o acordo “acabou” e volta a ameaçar o Irã com ataques devastadores. Em Teerã, o novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, fala em “vingança inevitável” após o funeral de seu pai e antecessor, morto por uma operação conjunta dos EUA e de Israel no início do conflito.
Antes dos mísseis de domingo, Irã e Omã, com participação do Catar, retomam negociações sobre a navegação em Ormuz. As conversas não impedem o confronto. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que atua como mediador, apela para que “ambos os lados exerçam moderação”. Até agora, os apelos não se traduzem em trégua.
Impacto regional e risco para o comércio global de energia
Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein se veem presos entre o aliado americano e um vizinho poderoso que controla a entrada do Golfo. Ganham sistemas de defesa mais robustos, mas perdem a pouca previsibilidade que restava na região.
No curto prazo, governos da área tendem a reforçar baterias antimísseis, radares e patrulhas navais. A presença militar dos EUA e de aliados deve crescer, inclusive com mais escoltas a comboios de navios-tanque e cargueiros. O espaço para mediação se estreita, mas a própria razão econômica que torna Ormuz tão estratégico pressiona por algum tipo de acomodação.
Para a população local, o efeito imediato é um clima de sobressalto. Sirenes, explosões distantes, voos militares e notícias de feridos alimentam o medo de que ataques passem a atingir alvos civis de forma mais direta. Em países como o Catar e a Jordânia, onde os danos deste fim de semana são limitados, a preocupação se volta para o que ainda pode vir.
Nos próximos dias, a atenção se concentra em três frentes: o tempo que o Irã manterá o bloqueio do estreito, a resposta militar americana a essa medida e a capacidade de mediadores como Paquistão, Omã e Catar de reconstruir algum canal de diálogo. Se o fechamento de Ormuz se prolongar, o conflito deixa de ser uma crise regional para se tornar um choque global de energia, com efeitos em cadeia sobre inflação, cadeias de suprimento e instabilidade política em países dependentes de importações de petróleo.
O que motivou o ataque do Irã aos países do Golfo?
Os mísseis iranianos respondem à ofensiva dos EUA, que atingiu 140 alvos no Irã em 11 de julho, parte de mais de 300 ataques em três noites.
Quais países do Golfo foram atacados pelo Irã?
Os alvos declarados pelo Irã ficam em Jordânia, Kuwait, Omã e Catar, todos com instalações militares associadas à presença dos Estados Unidos.
Como os Estados Unidos reagiram à ofensiva do Irã?
Até agora, Washington enfatiza que os bombardeios são resposta a ameaças iranianas e promete manter a pressão, enquanto acusa Teerã de ter “feito uma má escolha”.
Quais são as consequências da escalada de tensão no Golfo para a região?
A região enfrenta maior militarização, risco a navios civis, feridos e danos materiais nos países do Golfo, além de pressão econômica com alta do petróleo.
O que os líderes internacionais estão fazendo para conter o conflito no Golfo?
Paquistão, Omã e Catar tentam mediar conversas entre EUA e Irã, pedem moderação e discutem regras para o tráfego em Ormuz, mas sem resultados concretos.
Como a população local está sendo afetada pelos ataques no Golfo?
Moradores lidam com sirenes, interceptações aéreas e relatos de explosões. Há feridos no Catar, apreensão em países vizinhos e temor de novos ataques.