Incêndio em prédio no centro de Curitiba mata dois idosos

Tragédia no centro de Curitiba deixa vítimas e moradores desabrigados após fogo em prédio residencial.
Redação NC News
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Um incêndio em um prédio residencial na rua Conselheiro Laurindo, região central de Curitiba, mata dois idosos e fere gravemente uma terceira pessoa na madrugada deste domingo (12). As chamas começam em um apartamento do primeiro andar, subdividido em quartos de madeira, e fazem o Corpo de Bombeiros ser acionado às 2h26.

Chamas na madrugada e resgate prolongado

O fogo é percebido primeiro na fachada do edifício. Vizinhos acionam o socorro, e equipes dos bombeiros chegam poucos minutos depois. Em poucos instantes, a rua estreita se enche de viaturas, ambulâncias e moradores em fuga, ainda de pijama.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio se concentra em um apartamento do primeiro andar, onde viviam as vítimas. O imóvel tinha divisórias em madeira, usadas para criar quartos independentes e baratear o aluguel. A estrutura improvisada, altamente inflamável, facilita a propagação rápida das chamas pelo interior do apartamento.

“O homem que morreu estava no banheiro do imóvel, enquanto a mulher estava em um dos quartos”, informa a corporação. Ele tinha 62 anos; ela, 63. Uma terceira pessoa, que também estava no apartamento, é retirada com vida, mas em estado grave, e levada ao hospital.

Durante o incêndio, cerca de 25 moradores estão dentro do prédio. Parte deles consegue descer pelas escadas antes que a fumaça se espalhe. Outros ficam presos nos andares superiores, em meio ao cheiro forte de queimado e à queda de energia.

Casal espera seis horas para ser retirado

Os bombeiros montam uma operação que dura horas. À medida que controlam focos internos e resfriam a estrutura, fazem vistorias andar por andar para localizar moradores. Aproximadamente seis horas depois do início do incêndio, um casal ainda é encontrado no sétimo andar.

Os dois, que não tiveram a identidade divulgada, aguardam o resgate dentro do apartamento, com as janelas fechadas para tentar evitar a fumaça. Eles são retirados sem ferimentos. “O fogo não chegou ao apartamento onde a dupla estava”, relata o sargento Daniel Bettio, do Corpo de Bombeiros.

Mesmo com as chamas controladas, o prédio segue em alerta. Equipes circulam pelos corredores escurecidos, avaliam rachaduras, cheiro de gás, pontos de calor. Do lado de fora, moradores se amontoam com mochilas, cobertores e documentos em sacolas plásticas, sem saber se poderão voltar para casa.

Interdição e risco estrutural

A Coordenadoria de Segurança de Edificações (COSEDI) é acionada ainda de madrugada para avaliar o impacto do incêndio sobre a estrutura. Após vistoria preliminar, a ordem é clara: ninguém volta para o prédio até nova definição.

“O local foi interditado pela Coordenadoria de Segurança de Edificações (COSEDI)”, afirma o representante da Defesa Civil na ocorrência, Ruan Prochman. O órgão também solicita um laudo técnico para medir, com mais precisão, os danos em pilares, lajes e instalações.

O bloqueio atinge todos os moradores, mesmo aqueles cujos apartamentos não sofreram danos diretos. A interdição evita riscos de desabamento parcial, queda de revestimentos e novos focos de incêndio por curto-circuito ou instalações comprometidas.

O caso expõe uma combinação conhecida em áreas centrais de grandes cidades: prédios antigos, instalações elétricas envelhecidas e subdivisões internas em madeira para multiplicar quartos e aumentar a renda do imóvel. Na prática, cada parede improvisada vira combustível em potencial.

Moradores desabrigados e pressão por fiscalização

Enquanto bombeiros e técnicos se dividem entre a área interna e a fachada chamuscada, começa uma segunda operação, menos ruidosa e mais longa: a de assistência social.

A Fundação de Ação Social (FAS) monta um atendimento emergencial a quem não tem para onde ir. Nove pessoas ficam oficialmente desabrigadas e recebem vaga em abrigos temporários. As demais, segundo as equipes que atendem a ocorrência, são acolhidas por amigos e familiares.

O incêndio também mobiliza a rede de saúde, com o atendimento ao ferido grave, e reforça a rotina já pesada de Defesa Civil, fiscalização de edificações e assistência social. Cada órgão precisa agir em sequência e, muitas vezes, ao mesmo tempo: apagar o fogo, garantir que o prédio não caia, abrigar famílias e apurar responsabilidades.

As causas do incêndio ainda não são divulgadas pelas autoridades. A ausência de uma explicação imediata alimenta dúvidas entre os próprios moradores e acende o alerta em outras edificações antigas do centro de Curitiba. Em redes de mensagens, vizinhos passam a listar prédios com situações parecidas, com quartos de madeira e instalações improvisadas.

Especialistas em segurança veem nesse tipo de ocorrência um retrato de precariedade habitacional. A opção pela madeira e por divisórias frágeis costuma ser a saída mais barata para quem vive de aluguel em áreas centrais, mas transforma apartamentos em labirintos inflamáveis.

Risco recorrente e cobrança por respostas

O desfecho com duas mortes, um ferido grave e ao menos nove pessoas desabrigadas reforça a pressão por fiscalização mais rígida em edificações antigas de Curitiba. Para órgãos públicos, o caso vira parâmetro para futuras ações de vistoria, campanhas de prevenção e atualização de normas de segurança contra incêndio.

Em curto prazo, a prioridade é o acolhimento das famílias, a conclusão do laudo estrutural da COSEDI e a definição sobre o futuro do prédio da rua Conselheiro Laurindo. Dependendo do resultado, o imóvel pode ser liberado com exigência de obras, passar por reforma ampla ou até ser desocupado de forma definitiva.

Para os moradores, o domingo termina com uma certeza amarga: a vida não volta ao normal tão cedo. Entre documentos queimados, móveis perdidos e lembranças carbonizadas, eles aguardam uma resposta das autoridades sobre o que provocou o incêndio e se o lugar que chamavam de casa ainda é seguro para existir.

Quais foram as vítimas do incêndio em Curitiba?

Duas pessoas morreram: um homem de 62 anos e uma mulher de 63 anos, ambos moradores do apartamento do primeiro andar. Uma terceira pessoa ficou gravemente ferida.

Quantas pessoas estavam no prédio durante o incêndio?

De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 25 pessoas estavam no prédio no momento do incêndio. Um casal foi resgatado no sétimo andar cerca de seis horas depois.

O prédio na rua Conselheiro Laurindo poderá voltar a ser ocupado?

O edifício está interditado pela COSEDI e só poderá ser reocupado após a conclusão de um laudo técnico que avalie as condições estruturais. O futuro do prédio depende desse parecer.

Quem está ajudando os moradores desabrigados?

A Fundação de Ação Social (FAS) presta assistência aos atingidos. Nove pessoas que não tinham para onde ir foram encaminhadas a abrigos temporários.

 

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