A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), recusou-se a comentar nesta segunda-feira (13) sobre a sociedade com Edmundo Pinheiro, empresário e controlador da Urbi, uma das concessionárias de transporte público do DF. Abordada pela reportagem do NC News durante uma agenda oficial no Recanto das Emas, a mandatária não respondeu aos questionamentos, enquanto justificou o silêncio afirmando que não trataria do assunto devido ao período eleitoral.
O negócio e o conflito de interesses
A parceria comercial entre a governadora e o empresário, revelada inicialmente por reportagem do UOL, e confirmada pelo NC News, levanta questionamentos éticos devido à subordinação financeira da empresa de Pinheiro às decisões do Governo do Distrito Federal (GDF).
Celina Leão e Edmundo Pinheiro arremataram juntos, em setembro de 2025, metade de um embrião de gado da raça Nelore em um leilão público. A transação conjunta é avaliada em aproximadamente R$ 500 mil.
Dependência governamental
A Urbi integra o grupo de cinco empresas que operam o transporte coletivo do DF. O faturamento dessas concessionárias depende intrinsecamente da “tarifa técnica” — um subsídio pago diretamente pelos cofres do GDF para cobrir a diferença entre a passagem paga pelo usuário e o custo real de operação do sistema. Estima-se que os contratos de transporte público no Distrito Federal movimentem cerca de R$ 200 milhões mensais.
Disputas tarifárias e respostas da gestão
Atualmente, o repasse de verbas às concessionárias é alvo de intenso debate administrativo. A própria Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF suspendeu neste ano os processos de revisão da tarifa técnica para estudar e readequar a metodologia dos reajustes, o que não impediu o avanço de disputas judiciais milionárias envolvendo os valores devidos pelo governo às empresas.
Posicionamento
Procurada, a assessoria de imprensa do Governo do DF ainda não se pronunciou sobre o caso.