O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tornou-se alvo de duras críticas da comunidade ítalo-americana após a prefeitura lançar um mapa oficial de bairros de imigrantes que exclui a icônica Little Italy. O guia, desenvolvido como parte da campanha turística da cidade para a Copa do Mundo de 2026, também deixou de fora tradicionais enclaves irlandeses e judaicos.
Omissões e Destaques no Mapa
A controvérsia ganhou tração nas redes sociais e na imprensa local. Uma das imagens viralizadas, intitulada “Além das Fronteiras”, traz uma montagem do rosto do prefeito ao lado da denúncia: “Zohran Mamdani apaga Little Italy do mapa de Nova York, mas destaca Little Pakistan, Bangladesh, Somalia, Yemen, Egypt, Palestine e mais”.
A iniciativa original, chamada de “New York City Immigrant Enclaves”, tem o objetivo de destacar 30 bairros ao longo dos cinco distritos da metrópole. Enquanto omite a histórica região italiana em Manhattan, o mapa promove, de fato, comunidades como:
- Little Pakistan, localizada no Brooklyn.
- Little Yemen, destacada no Bronx.
- Little Palestine e Little Egypt.

A Reação: “Apagamento Cultural”
A exclusão gerou indignação imediata de lideranças comunitárias. Mike Crispi, presidente da Liga dos Direitos Civis Ítalo-Americanos, repudiou a peça de marketing da prefeitura e acusou a gestão municipal de usar a cultura italiana apenas por conveniência.
“Isso não é um erro administrativo. Isso é apagamento cultural. Little Italy é solo sagrado. É onde imigrantes italianos chegaram sem nada, trabalharam duro, abriram lojas, criaram famílias, construíram igrejas, alimentaram a cidade e ajudaram a fazer de Nova York o que ela é”, afirmou o porta-voz da Liga dos Direitos Civis Ítalo-Americanos.
A Liga exigiu que o prefeito atualizasse o mapa imediatamente e emitisse um pedido formal de desculpas aos ítalo-americanos. Políticos locais, como o deputado Nick LaLota, também se manifestaram, argumentando que a administração democrata seleciona quais histórias de imigração merecem ser celebradas enquanto esquece as gerações que pavimentaram a cidade.
A Resposta da Prefeitura
Diante da repercussão negativa, o prefeito Zohran Mamdani e sua equipe tentaram acalmar os ânimos transferindo parte da responsabilidade e prometendo ajustes:
- A herança do projeto: Mamdani argumentou que o mapa havia sido concebido originalmente em 2023, durante a administração de seu antecessor, Eric Adams. Segundo ele, a gestão atual apenas adicionou algumas vizinhanças à versão recebida.
- Promessa de inclusão: O prefeito reconheceu que a lista de 30 bairros não representa de forma exaustiva as mais de 200 comunidades étnicas de Nova York. Ele garantiu publicamente que fará mudanças no futuro e que Little Italy será adicionada ao material.
- A justificativa técnica: Um porta-voz da prefeitura explicou que o objetivo inicial do mapa não era ser um inventário abrangente de cada comunidade étnica ou religiosa. O foco seria destacar bairros que, atualmente, possuem “populações substanciais nascidas no exterior”.
Quem é Zohran Mamdani?
Zohran Mamdani, de 34 anos, assumiu a prefeitura de Nova York em 1º de janeiro de 2026. Ele fez história ao se tornar o primeiro prefeito muçulmano e o primeiro asiático-americano a comandar a cidade. Eleito com base em uma plataforma abertamente socialista, sua vitória representou uma guinada à esquerda na política nova-iorquina e buscou dar maior visibilidade a grupos historicamente marginalizados.
O episódio envolvendo a campanha de turismo da Copa do Mundo, no entanto, expõe os desafios da nova administração. Ao tentar refletir e celebrar a nova demografia imigrante e diversificada que pulsa em Nova York, a prefeitura pisou em um campo minado cultural, alienando comunidades históricas que ainda consideram seus redutos originais como parte indissociável da identidade da cidade.