PSP aposta em humor de agência Coming Soon para falar com Geração Z

Humor é a estratégia da PSP para conscientizar jovens sobre os perigos de beber e dirigir.
Redação NC News
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A Polícia de Segurança Pública (PSP) lança uma campanha de prevenção rodoviária focada na Geração Z portuguesa, com filmes em que as próprias bebidas alcoólicas falam com os consumidores. A ação, criada pela agência Coming Soon, alerta, em tom bem-humorado, para o risco de beber e conduzir.

Humor no lugar do medo

A campanha, batizada “A bebida dá-te ideias estúpidas. A pior é beber e conduzir”, mira diretamente quem nasceu entre 1997 e 2012. O alvo é um público que cresce conectado, com baixa tolerância a discursos moralistas e pouca paciência para campanhas tradicionais.

Os filmes mostram jovens consumindo álcool em situações comuns de socialização. De repente, a bebida ganha voz própria e começa a dar conselhos absurdos, que vão de sugestões disparatadas a decisões claramente irresponsáveis. O efeito é cômico, mas conduz ao ponto central: entre todas as ideias estúpidas que o álcool pode inspirar, sentar-se ao volante é a pior.

Marcelo Lourenço, codiretor criativo da Coming Soon, resume o desafio de falar com essa geração. “Queríamos falar com um público que não liga à publicidade e que rejeita que lhe digam o que fazer, especialmente num tema como a prevenção rodoviária. Daí o humor ser a nossa principal ferramenta, mesmo tratando-se de um assunto sério”, afirma.

PSP abre espaço para linguagem disruptiva

A opção pelo humor representa uma mudança de tom relevante na comunicação institucional em Portugal. Em vez de imagens de acidentes, sirenes e slogans de medo, a PSP autoriza uma campanha que ri das “ideias estúpidas” associadas ao álcool para, a partir daí, expor a gravidade do risco ao volante.

Pedro Bexiga, também codiretor criativo do projeto na Coming Soon, destaca o papel da instituição. “Esta é uma abordagem inusitada à prevenção rodoviária, que só foi possível graças à abertura da PSP para uma linguagem mais disruptiva”, diz. A polícia, tradicionalmente associada a mensagens duras, assume um discurso mais próximo do universo digital desta geração, em que ironia, memes e humor rápido ditam o tom.

A produção fica a cargo da Show Off Films/MOLA, com realização de Alexandre Montenegro. As vozes das bebidas são interpretadas por Bruno Ferreira e Filomena Cautela, dois nomes conhecidos do entretenimento português. A combinação de realizador e vozes reforça a ambição de criar peças com qualidade cinematográfica e apelo imediato nas redes sociais.

Por que falar diferente com a Geração Z

No centro da estratégia está a constatação de que a Geração Z consome menos televisão linear, pula anúncios em plataformas digitais e confia mais em referências dos pares do que em discursos oficiais. Para chegar a esse público, campanhas precisam disputar atenção em ambientes saturados de conteúdo.

A linguagem publicitária tradicional, com lições explícitas e dramatizações óbvias, tende a ser rejeitada. As equipas da PSP e da Coming Soon apostam que o humor, ao ironizar o comportamento de risco, cria identificação sem parecer sermão. A ideia é que o jovem reconheça a situação, ria da “bebida tagarela” e, ao mesmo tempo, guarde a mensagem de que, na vida real, a pior escolha é ligar o carro depois de beber.

Na prática, a campanha funciona também como teste para uma nova geração de comunicação pública. O que está em jogo não é apenas o desempenho de dois filmes, mas a capacidade do Estado de dialogar com cidadãos que crescem em ambientes digitais fragmentados, onde a atenção vale tanto quanto orçamento.

Impacto na segurança e no mercado de comunicação

Se a campanha conseguir aumentar a consciência sobre o risco de conduzir sob efeito de álcool entre jovens, o impacto imediato recai sobre a segurança rodoviária. Menos condutores alcoolizados significam menos acidentes, menos mortos e menos feridos em estradas portuguesas.

A iniciativa afeta também o mercado publicitário e audiovisual. A Coming Soon ganha um case vistoso de comunicação pública para um cliente institucional de grande visibilidade. A Show Off Films/MOLA e o realizador Alexandre Montenegro fortalecem o portfólio com peças que combinam narrativa de humor e serviço público, num registo próximo de séries e conteúdos que circulam em streaming.

O movimento pressiona outras campanhas de prevenção, em Portugal e fora dele, a reverem formatos. Se filmes curtos, com diálogos ágeis e vozes reconhecíveis, conseguirem mais partilhas e engajamento do que tradicionais spots dramáticos, o padrão de comunicação de entidades públicas tende a mudar. O foco sai do discurso de autoridade e se aproxima da linguagem que os jovens já consomem.

O que pode vir depois

A PSP acompanha agora a recepção à campanha, especialmente nas redes sociais onde a Geração Z é mais ativa. O passo seguinte passa por avaliar se a visibilidade se traduz em mudança de comportamento mensurável, como redução de ocorrências ligadas ao consumo de álcool entre condutores mais jovens.

Se os resultados forem positivos, o humor pode ganhar espaço em outras frentes, como o uso do celular ao volante ou o excesso de velocidade. A experiência abre caminho para que outras áreas da administração pública testem abordagens menos solenes e mais próximas da cultura digital, da educação à saúde.

O futuro da comunicação governamental com públicos jovens, em Portugal, passa por essa encruzilhada. Ou as instituições aprendem a falar a linguagem de quem nasceu entre 1997 e 2012, com criatividade, ironia e formatos rápidos, ou arriscam ver suas mensagens ignoradas. A campanha em que as bebidas ganham voz marca um ponto de viragem: a autoridade pública continua a alertar, mas admite que, para ser ouvida, precisa primeiro fazer o jovem parar para escutar.

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