Padre ligado à Tradição é excomungado em Brasília

Padre e comunidade são excomungados após alinhamento com a FSSPX e críticas às reformas eclesiásticas.
Redação NC News
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O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa e a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, são excomungados pela Arquidiocese de Brasília . A decisão atinge um dos focos mais visíveis de resistência tradicionalista à linha do papa Francisco no Centro-Oeste.

Ruptura em Ceilândia expõe disputa interna

A penalidade canônica escancara o conflito entre grupos que defendem as reformas do Concílio Vaticano II e setores que veem nelas uma distorção da fé católica. Na prática, o ato da Arquidiocese isola institucionalmente o padre e os fiéis que acompanham suas missas, retirando deles o acesso regular aos sacramentos reconhecidos pela Igreja oficial.

O caso ganha peso porque ocorre na capital federal, sob governo espiritual do cardeal Dom Paulo Cezar Costa, nome de confiança do papa Francisco. Ao enquadrar publicamente o sacerdote e a comunidade, a Arquidiocese reafirma sua adesão às orientações atuais de Roma e envia um recado direto a outros grupos tradicionalistas que contestam as mudanças pós-concílio.

Da ordenação em 2004 à adesão à FSSPX

Ordenado em 8 de dezembro de 2004, em Anápolis (GO), Françoá Costa atua em paróquias de Goiás, Distrito Federal, Bahia e em missões no exterior antes de se fixar em Ceilândia. Em abril de 2022, decide formalizar sua adesão à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre para preservar a liturgia em latim e a doutrina anterior às reformas conciliares.

A partir daí, rompe na prática com o rito ordinário da Igreja Católica e passa a celebrar a Missa Tridentina em latim na Capela Santo Atanásio. A mudança não é apenas estética. Representa um posicionamento explícito contra documentos, práticas pastorais e sinalizações do pós-Vaticano II, hoje aprofundadas pelo pontificado de Francisco.

O Vaticano vê a FSSPX como um grupo que rejeita parte das reformas aprovadas nos anos 1960 e desafia a autoridade da Igreja. A tensão se arrasta por décadas, com idas e vindas nas tentativas de aproximação. A recente declaração de cisma e a excomunhão associada à fraternidade, agora aplicada a Françoá e à sua comunidade, recoloca o embate no centro do debate católico.

Críticas a bênçãos homoafetivas e comunhão a divorciados

Em entrevista ao portal Metrópoles, o padre acusa parte da Igreja de abraçar “ideias modernas e heréticas” que, na visão dele, rompem com a tradição. Ele cita mudanças litúrgicas e de costumes. “Vemos várias dancinhas e invenções na missa”, afirma, ao descrever celebrações que considera irreverentes.

As críticas mais duras miram decisões recentes de cardeais e bispos em temas de moral sexual e familiar. Françoá aponta a bênção concedida por cardeais a casais do mesmo sexo e a comunhão dada a pessoas em segunda união – católicos divorciados que se casaram novamente – como exemplos de práticas incompatíveis com o ensinamento tradicional. Para o sacerdote, essas iniciativas ferem a doutrina e abrem brecha para o relativismo.

Mesmo após a excomunhão, o padre insiste que não busca uma ruptura total com Roma, mas uma espécie de “resistência interna” ao que chama de desvios modernos. “A comunidade não é cismática nem excomungada”, diz, em contraste direto com o decreto da Arquidiocese.

Ele faz questão de sublinhar que continua a mencionar o papa Francisco e o cardeal Dom Paulo Cezar Costa nas orações públicas. Segundo relata, reza por ambos diariamente. Ao mesmo tempo, fecha a porta a qualquer tentativa de aproximação com o setor reformista: “Um diálogo com essas pessoas que querem tudo isso na Igreja Católica para nós é inviável no momento. Não dá pra fazer esse diálogo agora. Vamos esperar o tempo que a providência determinar. Deus vai cuidar de tudo isso”, afirma.

Quem ganha e quem perde com a excomunhão

A decisão da Arquidiocese de Brasília reforça sua autoridade sobre o território e marca um limite para a atuação de grupos ligados à FSSPX. Do ponto de vista institucional, vence a ala que apoia o rumo dado por Francisco à Igreja, com maior abertura pastoral, ainda que dentro de tensões internas.

A penalidade atinge em cheio o padre e a comunidade da Capela Santo Atanásio. Sem reconhecimento canônico, eles ficam à margem da estrutura oficial, longe dos sacramentos administrados em comunhão com o bispo local. No plano simbólico, a excomunhão carrega peso histórico e sinaliza ao restante do clero que a adesão pública à FSSPX tem consequências reais.

Grupos tradicionalistas, que já se sentem pressionados por restrições à missa em latim em várias dioceses, veem na medida um alerta. A tendência é de fechamento ainda maior em círculos próprios e de intensificação do discurso de perseguição, o que alimenta um clima de polarização dentro da Igreja brasileira.

Para os fiéis de Ceilândia que seguem Françoá, o cenário é de incerteza. Muitos se identificam com a liturgia antiga e com a crítica moral feita pelo padre, mas agora precisam lidar com o rótulo de excomungados imposto pela Arquidiocese. O afastamento institucional pode consolidar um grupo estável em torno da Capela Santo Atanásio, porém desconectado das instâncias oficiais.

Conflito aberto e futuro incerto

A curto prazo, nada indica recuo de qualquer lado. A Arquidiocese mantém o decreto de excomunhão e reafirma, com isso, sua adesão às reformas do Concílio Vaticano II e às orientações pastorais do atual pontificado. Françoá, por sua vez, sustenta a missa em latim, a crítica frontal às “ideias modernas” e a proximidade com a FSSPX.

O embate tende a se prolongar e pode abrir novas frentes em outras dioceses onde a Fraternidade Sacerdotal São Pio X tenta ganhar espaço. A experiência de Ceilândia funciona como teste de força entre hierarquia oficial e grupos que se dizem guardiões da tradição. No horizonte, está a possibilidade de maior fragmentação interna e de debates públicos mais ásperos sobre identidade, doutrina e autoridade na Igreja Católica no Brasil.

Quem é o padre Françoá Costa?

É sacerdote ordenado em 8 de dezembro de 2004, em Anápolis (GO), com atuação em paróquias em Goiás, Distrito Federal, Bahia e missões no exterior. Hoje lidera a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia.

Por que o padre Françoá Costa foi excomungado?

Porque rompeu com o rito ordinário, aderiu formalmente em abril de 2022 à Fraternidade Sacerdotal São Pio X e passou a rejeitar reformas do Concílio Vaticano II.

O que o padre Françoá Costa disse sobre a reforma na Igreja?

Ele chama parte das mudanças de “ideias modernas e heréticas”, critica “dancinhas e invenções na missa” e rejeita bênçãos a casais do mesmo sexo e comunhão a pessoas em segunda união.

Qual foi a reação da Igreja à excomunhão do padre Françoá Costa?

A Arquidiocese de Brasília declarou a excomunhão dele e da comunidade da Capela Santo Atanásio, reafirmando fidelidade às reformas do Concílio Vaticano II e à orientação do papa Francisco.

O que significa ser excomungado na Igreja Católica?

É a pena mais grave prevista no direito canônico. Quem é excomungado fica impedido de receber sacramentos e de exercer funções oficiais reconhecidas pela Igreja.

Quais as consequências da excomunhão para o padre Françoá Costa?

Ele perde o reconhecimento da Arquidiocese, fica afastado dos sacramentos em comunhão com o bispo local e vê sua atuação e a de sua comunidade marginalizadas institucionalmente.

 

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