Empresas gráficas apontadas pela Polícia Federal (PF) como ligadas ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, receberam aproximadamente R$ 18 milhões de campanhas eleitorais realizadas entre 2018 e 2024.
Entre os candidatos que contrataram os serviços estão nomes como Eduardo Paes (PSD), Cláudio Castro (PL), Carlos Bolsonaro (PL), Marcelo Crivella (Republicanos), Alexandre Ramagem (PL), Wilson Witzel (DC), Rodrigo Amorim (PL) e André Ceciliano (PT).
PF investiga atuação das empresas
As três empresas – Apel Gráfica, Editora Completa e Nova Visual – são citadas na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quinta fase da Operação Unha e Carne e determinou medidas cautelares contra Adilsinho.
Segundo a investigação, há indícios de que as gráficas eram utilizadas para ocultar recursos ilícitos e lavar dinheiro. A PF sustenta que as empresas seriam controladas, na prática, por integrantes da organização criminosa, apesar de estarem formalmente registradas em nome de terceiros.
Na decisão, Moraes ressalta que, isoladamente, os pagamentos feitos por campanhas eleitorais são lícitos. No entanto, o ministro afirma que existem elementos que justificam o aprofundamento das investigações para verificar se as empresas eram de fachada e se houve a utilização de recursos de origem ilícita.
Diante desses indícios, o ministro determinou a suspensão das atividades das gráficas para impedir que continuem sendo utilizadas, supostamente, na prática de crimes financeiros.
Mais de 350 campanhas contrataram as empresas
De acordo com os dados analisados pela investigação, mais de 350 candidatos contrataram serviços das três gráficas nas eleições de 2018, 2022 e 2024.
A Apel Gráfica recebeu R$ 7 milhões no período. A Editora Completa movimentou R$ 4,8 milhões, enquanto a Nova Visual recebeu aproximadamente R$ 6,3 milhões.
Entre os maiores contratos identificados está o da campanha de Eduardo Paes para o governo do Rio de Janeiro em 2018, que destinou R$ 2,7 milhões à Apel Gráfica.
Na eleição de 2022, a campanha de Cláudio Castro ao governo do estado pagou R$ 467,7 mil à Editora Completa. No mesmo pleito, André Ceciliano destinou R$ 593,6 mil à Nova Visual, enquanto Marcelo Crivella e Alexandre Ramagem também contrataram serviços da empresa.
Já nas eleições de 2024, a campanha de Rodrigo Amorim à Prefeitura do Rio contratou aproximadamente R$ 500 mil em serviços da Editora Completa. Carlos Bolsonaro, por sua vez, declarou despesas de R$ 6 mil com a mesma empresa.
Empresas são apontadas como fachada
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam que as empresas não possuíam estrutura compatível com o volume financeiro movimentado.
A Nova Visual, por exemplo, tem como sócio formal Walter Bandeira Crespo, motorista de aplicativo e beneficiário do auxílio emergencial em 2020. Mesmo assim, a empresa movimentou R$ 6,3 milhões durante as eleições de 2022, segundo a investigação.
A PF afirma que diligências realizadas nos endereços das empresas não encontraram estrutura operacional compatível com os contratos firmados.
Defesas negam irregularidades
Adilsinho nega manter qualquer relação com as gráficas e afirma não ter realizado pagamentos a agentes públicos ou políticos. A defesa também contesta a autenticidade das planilhas apreendidas pela investigação.
Os políticos citados sustentam que as contratações ocorreram de forma regular, com emissão de notas fiscais, prestação dos serviços e declaração das despesas à Justiça Eleitoral.
Cláudio Castro afirmou não possuir qualquer vínculo com Adilsinho e disse que sua campanha apenas contratou a empresa regularmente constituída.
Rodrigo Amorim declarou que desconhecia qualquer suspeita envolvendo a gráfica contratada e afirmou que cabe aos órgãos de fiscalização verificar eventual irregularidade das empresas prestadoras de serviço.
Marcelo Crivella afirmou que o candidato não tem conhecimento da contratação desse tipo de fornecedor durante a campanha.
Já Wilson Witzel informou que não comentará o caso em razão do sigilo profissional.