Rafinha assume comando do futebol do São Paulo

Rafinha é oficializado como novo executivo e lidera estratégias esportivas e negociações no São Paulo.
Redação NC News
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O São Paulo Futebol Clube oficializa nesta quinta-feira, 16 de julho de 2026, Rafinha como novo executivo de futebol. O ex-lateral-direito, capitão nas conquistas da Copa do Brasil em 2023 e da Supercopa Rei em 2024, passa a comandar o projeto esportivo tricolor e a responder diretamente pelas principais decisões do departamento de futebol.

Ex-capitão assume centro do poder esportivo

A efetivação encerra um período de transição iniciado em janeiro de 2026, quando Rafinha deixa os gramados, após encerrar a carreira no fim de 2025, e passa a atuar na diretoria como gerente esportivo interino. O cargo de executivo de futebol estava vago desde a saída de Rui Costa, em junho, e vinha sendo preenchido, na prática, pelo ex-jogador, que já liderava negociações e a montagem do elenco.

O movimento tem peso simbólico e prático. O São Paulo aposta em um ídolo recente, identificado com o vestiário e com a torcida, para reorganizar o futebol em um momento de reformulação do elenco e de busca por equilíbrio financeiro. Rafinha assume com poder para interferir no dia a dia da comissão técnica, nas contratações, nas saídas de jogadores e na definição de prioridades esportivas.

Em nota divulgada pelo clube, o presidente Harry Massis Júnior explicita a confiança no novo dirigente. “Tenho visto o trabalho diário do Rafinha desde que assumiu essa nova responsabilidade. Ele foi um grande atleta e líder, e como gerente esportivo agregou muito. Agora, nessa nova função, vem realizando um grande trabalho à frente do futebol do São Paulo, não só pela experiência que obteve ao longo da carreira, mas por todo o seu relacionamento no mundo do futebol”, afirma o dirigente.

Da lateral à sala da presidência em seis meses

A trajetória de Rafinha nos bastidores do São Paulo é acelerada. Menos de um ano após pendurar as chuteiras, ele cruza o corredor que separa o vestiário da estrutura administrativa e se instala em uma das cadeiras mais cobradas do clube. Não é uma promoção automática. A diretoria observa, desde janeiro, sua atuação como gerente esportivo, função em que passa a cuidar de logística, ambiente do grupo e primeiras conversas com empresários.

Nesse período, Rafinha tenta traduzir para a gestão o que vive como jogador por mais de duas décadas, em diferentes clubes e centros do futebol mundial. Paralelamente, se dedica a cursos de gestão esportiva, em uma tentativa de não se apoiar só na experiência de campo. “Encaro essa nova função como mais um desafio e me sinto muito preparado. A experiência que tenho aqui dentro do São Paulo, tanto como atleta quanto neste período como gerente esportivo, e tudo o que vivi em mais de 20 anos de futebol me dão muita confiança para liderar o projeto esportivo do clube”, afirma.

O agora executivo insiste que não chega sozinho ao cargo. “Além disso, tenho buscado me aprimorar com cursos de gestão. Temos uma equipe muito qualificada dentro e fora do campo, uma grande estrutura e muita confiança para o que vem pela frente. Nossa tarefa será, sempre, colocar o São Paulo no ponto mais alto junto com os nossos torcedores, que são os mais importantes desse clube gigante”, diz.

Nessa engrenagem, ganha protagonismo o advogado Felipe Carvalho, que trabalha no clube desde 2020 e agora é promovido a gerente jurídico esportivo. Ele forma dupla com Rafinha na gestão do futebol, dando sustentação jurídica a contratos, negociações e questões regulatórias, em um momento em que o compliance, a adequação a regras e a proteção contra litígios se tornam parte central do jogo.

Mercado aquecido e folha sob vigilância

A efetivação de Rafinha não é um gesto apenas institucional. Ela consolida uma liderança que já vem aparecendo na prática, principalmente na janela atual de transferências. O executivo participa diretamente das conversas que levam o São Paulo a fechar com o atacante Victor Sá e o volante Newton, reforços para o segundo semestre de 2026, e comanda as tratativas avançadas pelo zagueiro Domingos Duarte e pelo lateral-direito Aurélio Buta.

O desafio é ambíguo: reforçar o elenco e, ao mesmo tempo, reduzir a folha salarial, em linha com o plano da diretoria de tornar o clube mais sustentável financeiramente. Cada nova contratação exige compensações, seja por meio de saídas de jogadores com salários altos, seja por renegociações de contratos. Essa equação financeira passa agora pela mesa de Rafinha, em diálogo constante com a área administrativa.

A presença de Felipe Carvalho na gerência jurídica esportiva fortalece esse desenho. Ele se torna responsável por blindar o clube em contratos, direitos econômicos e cláusulas de performance, áreas historicamente sensíveis em grandes clubes brasileiros. A dupla tenta reduzir riscos em negociações e garantir que apostas esportivas não se transformem em passivos jurídicos e financeiros no médio prazo.

Torcida em expectativa e pressão imediata

Nas arquibancadas e nas redes sociais, a reação ao anúncio mistura carinho e cautela. Rafinha carrega o crédito de ter levantado taças recentes e de ter sido voz importante em momentos de turbulência do elenco. Esse histórico ajuda a criar empatia automática com a torcida, que o enxerga como alguém que conhece a rotina do clube por dentro.

O mesmo passado vitorioso, porém, amplia a cobrança. A partir de agora, o julgamento deixa de ser sobre cruzamentos, desarmes ou liderança em campo, e passa a depender de diagnósticos corretos, contratações certeiras e resultados coletivos. O executivo será medido, desde já, pela capacidade de entregar um time competitivo nas competições do segundo semestre, equilibrando veteranos e novos reforços.

No vestiário, a mudança consolida um interlocutor com quem boa parte do elenco conviveu como colega até recentemente. Essa proximidade tem potencial para facilitar a comunicação entre jogadores, comissão técnica e diretoria, mas também exige distanciamento emocional em decisões difíceis, como cortes, empréstimos e afastamentos.

Modelo em teste para o futuro tricolor

A aposta do São Paulo em Rafinha se insere em um movimento mais amplo de ex-jogadores migrando para cargos estratégicos na direção do futebol. O caso tricolor, porém, tem particularidades. O clube busca não só resultados esportivos imediatos, mas também um modelo de gestão que reconcilie identidade histórica, responsabilidade financeira e profissionalização dos bastidores.

Os próximos meses funcionam como laboratório dessa nova fase. O desempenho do time, a resposta dos reforços e a capacidade de manter o elenco competitivo sem extrapolar o orçamento vão balizar o julgamento interno e externo sobre a escolha. Um projeto bem-sucedido tende a consolidar a figura de Rafinha como referência de gestão esportiva no país e a reforçar, no mercado, a ideia de que ex-atletas podem ocupar, com preparo, o centro do poder decisório.

Uma sequência de resultados ruins, contratações equivocadas ou problemas jurídicos pode, por outro lado, acelerar a pressão por ajustes no desenho da diretoria. A efetivação desta quinta-feira inaugura não apenas um novo capítulo na carreira de Rafinha, mas um teste relevante para a capacidade do São Paulo de se reinventar sem perder de vista sua história, sua torcida e a ambição de voltar ao protagonismo nacional e internacional.

Quem é Rafinha no São Paulo?

Ex-lateral-direito, Rafinha é capitão nas conquistas da Copa do Brasil em 2023 e da Supercopa Rei em 2024. Encerra a carreira em 2025 e, desde janeiro de 2026, trabalha na diretoria tricolor.

O que muda com Rafinha como executivo de futebol?

Ele passa a liderar o projeto esportivo: define prioridades do elenco, comanda negociações, participa de decisões sobre saídas e reforços e serve de ponte entre diretoria, comissão técnica e jogadores.

Quem é Felipe Carvalho e qual seu papel?

Advogado do clube desde 2020, Felipe Carvalho vira gerente jurídico esportivo. Ele cuida de contratos, questões regulatórias e dá respaldo jurídico às ações de Rafinha no mercado.

Quais reforços Rafinha conduz na atual janela?

Ele participa das contratações de Victor Sá e Newton e lidera negociações avançadas por Domingos Duarte e Aurélio Buta, enquanto o clube tenta equilibrar o orçamento e reformular o elenco.

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