Corpo achado em Angra pode ser de Berenice Ubatuba; exame confirma em dias

Corpo encontrado em Angra dos Reis está sendo analisado para confirmar identidade de cozinheira desaparecida desde junho.
Redação NC News
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Um corpo de mulher é localizado na tarde desta sexta-feira (17) em uma área de mata em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, durante as buscas por Berenice Ramos de Aguiar, cozinheira de 60 anos desaparecida desde 30 de junho em Ubatuba, no litoral de São Paulo. A principal suspeita dos investigadores é de que o cadáver seja de Berenice, mas a confirmação depende de exames periciais que ainda serão feitos.

Busca em mata íngreme termina com resgate por rapel

O corpo surge em uma encosta de difícil acesso, na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice. Ele está preso a uma árvore, cerca de 30 metros abaixo da pista, segundo a polícia. Nove policiais do Grupo de Pronta Resposta do 3º Batalhão de Ações Especiais (3º BAEP) e quatro agentes da Polícia Civil participam da operação.

As equipes descem a ribanceira com técnicas de rapel e levam duas horas e meia para concluir a busca e o resgate. O terreno é íngreme, com vegetação fechada, o que obriga o uso de cordas e equipamentos de escalada. O Corpo de Bombeiros é acionado para apoiar a retirada do corpo, que segue, em seguida, para o Instituto Médico Legal, onde passará por exames de identificação e perícia.

A região onde o cadáver aparece não é escolhida ao acaso. Ela fica dentro da área delimitada pela investigação a partir do trajeto percorrido pela caminhonete da patroa de Berenice, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, que está presa temporariamente desde 10 de julho, suspeita de envolvimento no desaparecimento e em um possível homicídio.

Delegado aponta foco em Berenice, mas aguarda laudos

O delegado André Luiz Matera Costilhas, responsável pelo inquérito, afirma que a principal hipótese da polícia é de que o corpo seja da cozinheira desaparecida em Ubatuba. “A principal linha de trabalho é que a vítima seja a cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, desaparecida desde o fim de junho em Ubatuba”, diz.

Ele ressalta, porém, que a identificação oficial depende dos exames do IML. Os peritos devem analisar digitais, arcada dentária e, se necessário, material genético. A Polícia Civil de São Paulo segue à frente do caso, com apoio das equipes do Rio de Janeiro e do 3º BAEP, que atua na região do Vale do Paraíba.

Desde o registro do desaparecimento, no fim de junho, a investigação cruza depoimentos, imagens de câmeras de segurança, registros de radares e dados de deslocamento do veículo de Eliane. O trajeto indica a saída de Ubatuba em direção à divisa com o Rio de Janeiro, em linha oposta ao relato inicial da patroa.

Sangue na caminhonete e contradições da patroa

A apuração ganha novo peso quando a polícia encontra vestígios de sangue na caminhonete de Eliane. Cães farejadores apontam para o interior do veículo, e os peritos aplicam luminol, reagente usado para revelar marcas invisíveis a olho nu. “O luminol é uma espécie de reagente químico e constantemente utilizado pela Polícia Científica em investigações criminais. Ele serve para detectar vestígios de sangue que são invisíveis a olho nu. Ao ser borrifado, caso haja sangue no local, o líquido fica com um brilho azul fluorescente”, explica a polícia.

A maior concentração de vestígios aparece no banco do carona. Os laudos sobre o material ainda não ficam prontos, mas são tratados como peça central na reconstrução dos fatos. A caminhonete também apresenta reparos considerados compatíveis, pelos investigadores, com danos de disparos de arma de fogo. Em buscas realizadas na casa de Eliane, a polícia apreende três armas registradas e dois celulares.

As versões da patroa sobre o último dia em que esteve com Berenice se mostram desencontradas. Em um primeiro momento, ela diz ter deixado a cozinheira no bairro Toninhas, em Ubatuba, onde supostamente faria um novo trabalho. Depois, afirma que a deixou no trevo de Ubatumirim e que retornou para casa em seguida. Registros de trânsito, no entanto, mostram o veículo seguindo pela Estrada do Pasto Grande, em direção a Paraty, no sentido oposto ao relatado.

Áudio expõe tensão entre família e patroa

Enquanto a polícia avança na parte técnica, a pressão emocional recai sobre a família de Berenice. Em um áudio divulgado nesta semana por uma emissora de TV, e que não integra a investigação oficial, o filho da cozinheira, José Carlos de Faria, cobra explicações da patroa sobre os últimos momentos antes do sumiço da mãe.

“O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu”, pergunta José Carlos. Do outro lado da linha, Eliane responde: “Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá”. A conversa segue com o filho insistindo para que a empregadora detalhe o que ocorreu naquele dia, enquanto relata a angústia da família pela falta de notícias.

O áudio é gravado no início das buscas, antes da prisão temporária de Eliane. Com o avanço das apurações, a empresária passa a ser investigada por suspeita de homicídio. A defesa dela informa que só vai se manifestar após ter acesso completo ao processo.

Caso mobiliza segurança pública e expõe vulnerabilidade

A localização do corpo em Angra dos Reis representa um ponto de virada na investigação aberta em Ubatuba. O caso passa de um desaparecimento sem vestígios claros para uma apuração de homicídio com cenário provável de ocultação de cadáver em área isolada, o que exige técnicas especializadas, deslocamento interestadual e integração entre diferentes forças de segurança.

O emprego de rapel, drones, cães farejadores e reagentes químicos expõe a complexidade e o custo operacional de casos desse tipo. Ao mesmo tempo, evidencia a vulnerabilidade de trabalhadoras domésticas e de serviço, muitas vezes afastadas de suas redes de apoio e dependentes da relação com empregadores para se deslocar e trabalhar.

Para a família de Berenice, o resgate do corpo significa, ao menos, a possibilidade concreta de dar um desfecho à busca que se arrasta desde 30 de junho. A confirmação da identidade, se comprovada pelos laudos, abre caminho para um processo criminal mais sólido e para a responsabilização de eventuais envolvidos. Para a suspeita, a manutenção ou não da prisão temporária e uma eventual conversão em prisão preventiva dependerão justamente da robustez dessas provas.

O caso, que já provoca forte comoção em Ubatuba e no Vale do Paraíba, tende a alimentar debates sobre a forma como a polícia reage a desaparecimentos de adultos, a rapidez na abertura de linhas de investigação e a proteção de trabalhadores em relações de emprego marcadas por assimetria de poder. Os próximos dias devem ser decisivos: laudos do IML e da Polícia Científica, novas oitivas e eventual reconstituição do trajeto da caminhonete podem definir o rumo do inquérito e se a morte de Berenice, caso se confirme, chegará de fato ao tribunal.

O corpo encontrado já é confirmado como o de Berenice?

Não. A polícia trabalha com a hipótese de que o corpo seja de Berenice, mas a confirmação depende dos exames que serão feitos pelo Instituto Médico Legal.

Por que a patroa de Berenice está presa temporariamente?

Eliane é apontada como principal suspeita por contradições em seus relatos, vestígios de sangue na caminhonete e o trajeto do veículo até a área onde o corpo é achado.

Qual é o papel do luminol na investigação?

O luminol ajuda a revelar sangue invisível a olho nu. Ao ser borrifado, se houver sangue, o local fica com brilho azul, indicando vestígios para perícia.


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