Mais de 60 horas após o início do vazamento de uma substância química na fábrica Innova, no Distrito Industrial de Manaus, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém uma operação de emergência para controlar os riscos no local. As equipes seguem realizando o resfriamento dos tanques e monitorando a temperatura interna do reservatório que armazenava monômero de estireno, produto inflamável e tóxico.
O trabalho começou no fim da tarde de quarta-feira (15), quando uma alteração anormal na temperatura do produto provocou a liberação de vapores. Neste sábado (18), os bombeiros informaram que houve avanço na contenção: a fumaça diminuiu significativamente e a emissão de vapores perdeu intensidade.
Apesar da melhora, o forte odor da substância ainda pode ser percebido nas proximidades da fábrica, mantendo o alerta das autoridades.
Bombeiros mantêm isolamento após vazamento químico em Manaus
O perímetro de segurança de aproximadamente 300 metros ao redor da Innova continua isolado. Apenas equipes autorizadas, como bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e órgãos de fiscalização, têm acesso à área.
Os militares utilizam equipamentos de medição a laser para acompanhar a temperatura do tanque e evitar que o produto volte a atingir níveis considerados perigosos.
A preocupação é que uma nova elevação da temperatura provoque uma reação química capaz de gerar incêndio ou explosão.
Segundo especialistas do Corpo de Bombeiros, a principal hipótese para o incidente é uma reação espontânea dentro do reservatório. O processo teria provocado uma quebra das moléculas do estireno, desencadeando uma reação em cadeia e aumentando o aquecimento do produto.
Fissuras aparecem em tanque que armazenava produto inflamável
Durante as inspeções realizadas na estrutura do reservatório, técnicos identificaram pequenas fissuras na parte externa do tanque.
As rachaduras são monitoradas em tempo real por engenheiros da empresa e especialistas dos bombeiros. O objetivo é garantir que não haja rompimento da estrutura ou novos vazamentos durante a fase final de resfriamento.
As autoridades afirmam que o acionamento das válvulas de segurança evitou uma situação ainda mais grave. A liberação do produto ocorreu em jatos verticais devido à alta pressão acumulada dentro do tanque.
Mais de 200 pessoas procuram atendimento após vazamento em Manaus
O vazamento também provocou preocupação entre moradores e trabalhadores da região. Até sexta-feira (17), a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou que 211 pessoas buscaram atendimento médico relatando sintomas relacionados à exposição ao gás.
Entre os principais sintomas estão:
- irritação nos olhos;
- dor de garganta;
- falta de ar;
- tontura;
- náusea;
- dor de cabeça;
- sonolência.
Um homem de 67 anos morreu após procurar atendimento com sintomas de mal-estar. Segundo a SES-AM, o paciente possuía histórico de doença respiratória crônica e, até o momento, não foi confirmada ligação direta entre a morte e o vazamento.
Além da rede estadual, 147 pessoas foram atendidas em um hospital particular e outras 57 em unidades de saúde da Prefeitura de Manaus.
Innova recebe multas que ultrapassam R$ 22 milhões após acidente
A fábrica Innova foi multada em mais de R$ 22 milhões pela Prefeitura de Manaus após fiscalizações ambientais realizadas durante a ocorrência. As autuações foram aplicadas por suspeitas de poluição do ar, do solo e de recursos hídricos.
Uma das multas, aplicada na sexta-feira (17), foi de R$ 5,3 milhões por poluição do solo e de corpo hídrico. No dia anterior, a empresa já havia recebido outra penalidade de R$ 4,5 milhões pela emissão de gases.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha o cumprimento das medidas emergenciais e informou que a licença de operação da empresa permanece válida até outubro de 2026.
Fábrica segue parcialmente interditada após acidente químico
Devido aos riscos ainda existentes, órgãos ambientais determinaram a interdição parcial das instalações da Innova.
A retomada das atividades dependerá da conclusão das análises técnicas e da comprovação de que não existe mais risco de novas reações químicas.
Empresas próximas também adotaram medidas preventivas após o vazamento. Uma unidade localizada ao lado da fábrica chegou a ser evacuada no início da ocorrência.
O Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) Studio 5, que havia suspendido os serviços na quinta-feira (16), voltou a funcionar normalmente.
Polícia vai investigar causas do vazamento na fábrica Innova
Após a liberação completa da área pelo Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil do Amazonas e a Polícia Técnico-Científica devem iniciar uma perícia para identificar o que provocou o acidente.
A investigação deverá apontar se houve falha operacional ou outro fator que contribuiu para o aumento da temperatura do produto químico.Enquanto isso, as equipes permanecem no local em operação de monitoramento e resfriamento para garantir a segurança da população e dos trabalhadores da região.
Defesa Civil orienta moradores após vazamento químico
A Defesa Civil informou que as medições realizadas nas áreas próximas indicam níveis abaixo de 20 partes por milhão (ppm), sem sinais de piora na qualidade do ar.
Mesmo assim, moradores são orientados a manter ambientes ventilados, abrir portas e janelas e evitar o uso de aparelhos que puxem ar externo, como sistemas de ar-condicionado.
Pessoas que apresentarem falta de ar, tontura, confusão mental, irritação nos olhos ou perda de consciência devem procurar atendimento médico ou acionar o Samu pelo telefone 192.