Geração Z abandona as telas e resgata hobbies que pareciam esquecidos

Jovens que cresceram na era digital estão trocando o celular por crochê, costura e fotografia analógica em busca de criatividade e bem-estar
Redação NC News
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A geração que nasceu conectada à internet está fazendo um movimento inesperado: diminuir o tempo diante das telas e voltar a atividades manuais que fizeram sucesso no passado. Crochê, bordado, costura, cerâmica e até fotografia com filme ganharam espaço entre os jovens e se transformaram em novos símbolos de criatividade e equilíbrio.

O fenômeno chama atenção justamente pela contradição. Em uma época dominada por aplicativos, inteligência artificial e consumo rápido de conteúdo, parte da juventude passou a valorizar processos mais lentos, com resultados concretos e feitos pelas próprias mãos.

TikTok impulsiona volta de hobbies antigos entre jovens
Apesar de parecer um retorno ao passado, a tendência nasceu justamente dentro do ambiente digital. Vídeos publicados no TikTok ajudaram a popularizar atividades consideradas “antigas” e aproximaram milhares de jovens desses hobbies.

Segundo dados da própria plataforma, metade dos brasileiros afirmou ter começado um novo hobby após descobrir a atividade por meio do aplicativo. A rede, que costuma ser associada ao consumo acelerado de vídeos curtos, acabou funcionando como uma vitrine para práticas manuais.

Além de ensinar técnicas, os conteúdos criaram comunidades de pessoas interessadas em compartilhar processos, erros, aprendizados e resultados.

Hobbies manuais viram resposta ao excesso de tecnologia
Especialistas apontam que a busca por atividades artesanais está ligada ao cansaço provocado pelo excesso de estímulos digitais. Diferentemente das interações virtuais, os trabalhos manuais oferecem uma sensação imediata de conquista.

Ao produzir uma peça de crochê, finalizar uma pintura ou revelar uma fotografia, o jovem consegue visualizar um resultado físico depois de investir tempo e dedicação.

Esse processo gera uma sensação de controle e recompensa em uma rotina marcada por notificações, velocidade e informações constantes.

Nostalgia por décadas que a Geração Z não viveu
Outro fator que explica o crescimento desses hobbies é a relação dos jovens com o passado. Mesmo sem terem vivido determinadas épocas, muitos integrantes da Geração Z demonstram interesse por estilos, objetos e costumes de décadas anteriores.

Um levantamento aponta que 68% dos jovens sentem nostalgia por períodos que não acompanharam, como os anos 1990. A tendência aparece em roupas, músicas, decoração e também nas atividades criativas.

Para especialistas, essa conexão com o passado funciona como uma forma de conforto em meio à ansiedade causada pelo ritmo acelerado da vida moderna.

“Luxo emocional”: o valor de fazer algo com as próprias mãos
O movimento também passou a ser interpretado como uma mudança de comportamento. O que antes era visto como falta de tempo ou algo ultrapassado agora ganhou status de experiência valorizada.

Chamado por especialistas de “luxo emocional”, o hábito de dedicar horas a uma produção manual representa uma pausa na lógica da rapidez. O prazer está justamente no processo, e não apenas no resultado final.

Marcas tradicionais ganham novos consumidores jovens
A nova onda de interesse pelos trabalhos manuais também movimentou empresas tradicionais do setor. Marcas que atravessaram gerações voltaram a conquistar espaço entre consumidores mais jovens.

Empresas de fios, como a Círculo, registraram crescimento no interesse desse público. A Singer também passou a atrair uma nova geração: atualmente, 76% dos clientes da marca têm entre 18 e 39 anos.

No fim, o avanço da tecnologia não eliminou o trabalho manual. Pelo contrário: as redes sociais ajudaram a transformar antigas práticas em uma nova tendência, mostrando que, para muitos jovens, criar algo fora da tela se tornou uma forma de se reconectar consigo mesmos.

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