Hugh Jackman vai viver Long John Silver em filme de Ridley Scott 2028

Hugh Jackman protagoniza nova adaptação de 'A Ilha do Tesouro', com direção de Ridley Scott prevista para 2028.
Redação NC News
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Hugh Jackman confirma que foi escalado para viver o pirata Long John Silver em uma nova adaptação de “A Ilha do Tesouro”, que está em desenvolvimento e mira os cinemas a partir de 2028. O longa tem direção de Ridley Scott e roteiro de Jack Thorne, mas ainda depende de financiamento para sair do papel.

Clássico de 1883 volta ao centro do cinema de aventura

A movimentação ocorre em um momento em que grandes estúdios buscam histórias conhecidas para reduzir riscos em produções caras. “A Ilha do Tesouro”, publicada em 1883, permanece como uma das bases do imaginário de piratas no cinema e na literatura, com seus mapas marcados por um X, ilhas remotas e motins a bordo.

A escolha de Hugh Jackman, conhecido por papéis heroicos, para interpretar um vilão complexo como Long John Silver mexe com o tabuleiro do cinema de aventura. A combinação do astro australiano com Ridley Scott, diretor de épicos como “Gladiador” e produções históricas recentes, atrai a atenção imediata de investidores, distribuidores e plataformas de streaming.

Roteiro “incrível” convence Jackman, não a fama do livro

O projeto nasce menos da reverência ao clássico de Robert Louis Stevenson e mais da confiança no texto contemporâneo. Em entrevista, Jackman revela que nunca leu o romance original, nem assistiu a adaptações anteriores, apesar de reconhecer a fama da obra.

O ator conta que sua porta de entrada para o universo de Jim Hawkins e Long John Silver foi o roteiro de Jack Thorne, enviado por Ridley Scott. Ele afirma que toma decisões guiado pela qualidade do material, não pelo peso do título na cultura pop. “Jack Thorne escreveu um roteiro incrível. Então, vamos torcer para que consigamos colocar esse projeto de pé e fazê-lo acontecer. Vamos ver se alguém realmente vai produzir o filme”, diz Jackman.

O longa, batizado provisoriamente de “Treasure Island”, está em fase embrionária. Não há estúdio anunciado nem elenco completo definido. A principal ausência, por enquanto, é o nome do ator que interpretará Jim Hawkins, o jovem protagonista que encontra o mapa do tesouro e entra em rota de colisão com o carismático e traiçoeiro Long John Silver.

Long John Silver testa imagem de herói de Hugh Jackman

Aos olhos do público, Hugh Jackman ainda está fortemente associado a figuras heroicas e trágicas, como o mutante Wolverine, personagem que interpretou ao longo de vários filmes de ação. A escolha de Long John Silver, um vilão ambíguo, representa um novo passo na estratégia de carreira do ator.

Long John Silver não é um vilão de traços simples. Ele seduz, manipula, lidera motins e, ao mesmo tempo, cria uma relação de afeto e disputa com o jovem Jim. Ao abraçar essa figura, Jackman se afasta do herói típico e se aproxima de personagens moralmente cinzentos, que ganham força em produções recentes e têm apelo tanto para o público quanto para premiações.

O histórico recente do ator, que estrela filmes como “A Morte de Robin Hood”, já indica essa guinada em direção a releituras de lendas e ícones literários sob um viés mais sombrio. “A Ilha do Tesouro” amplia esse movimento, agora com a chancela de Ridley Scott e de um texto assinado por Jack Thorne, roteirista conhecido por dramas de formação.

Financiamento, risco e chance de uma nova onda de adaptações

O entusiasmo de Jackman contrasta com a realidade concreta da produção. O filme ainda procura financiamento, etapa que costuma decidir o destino de projetos ambiciosos. Os nomes envolvidos ajudam a abrir portas em estúdios tradicionais e em gigantes do streaming, mas também elevam o orçamento necessário.

Para investidores, o pacote tem apelos claros: um clássico com quase 150 anos de circulação mundial, um diretor especialista em superproduções e um astro com longa trajetória em franquias de sucesso. A equação, porém, inclui riscos. A estreia pretendida a partir de 2028 projeta um cronograma longo, em um mercado em rápida transformação, sujeito a mudanças na demanda por filmes de aventura e nas janelas de exibição.

O setor de cinema internacional acompanha com atenção. Uma adaptação bem-sucedida de “A Ilha do Tesouro” pode reacender o interesse em outros clássicos literários de domínio público, que não exigem altos gastos com direitos autorais. Produtores e plataformas buscam justamente esse tipo de propriedade intelectual, capaz de ancorar universos expandidos, séries derivadas e novas franquias.

Distribuidores, por sua vez, enxergam em filmes de piratas um produto de apelo global, fácil de vender em mercados diversos. A figura de Hugh Jackman, com histórico em grandes sagas de ação, adiciona um argumento extra para campanhas internacionais.

O que vem agora para “Treasure Island”

Do ponto de vista criativo, o próximo passo é o desenho do elenco ao redor de Jackman. A escolha de quem viverá Jim Hawkins deve definir o tom do filme, mais adolescente ou mais adulto, e orientar o marketing. A busca por locações também será decisiva, já que o romance original passa por portos, tabernas e mares abertos, exigindo cenários naturais e estúdios com estrutura para grandes cenas marítimas.

Nos bastidores, Ridley Scott tende a liderar conversas com estúdios e investidores, usando seu histórico em superproduções para garantir a escala desejada. A montagem desse quebra-cabeça financeiro e artístico vai determinar se a visão de Jack Thorne para o clássico de 1883 chegará aos cinemas em 2028 ou ficará pelo caminho, como tantas tentativas de adaptação de grandes livros.

Até lá, o projeto vive em uma zona de expectativa: sólido o bastante para atrair atenção graças aos nomes envolvidos, frágil o suficiente para depender de decisões de financiamento nos próximos meses. Se avançar, “Treasure Island” pode inaugurar uma nova rodada de versões sombrias e contemporâneas de histórias que o público pensa já conhecer de cor.

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