Pep Guardiola negocia com a Federação Italiana de Futebol para assumir a seleção do país, em conversas que vêm à tona nesta segunda-feira (20). O espanhol de 55 anos recebe em Barcelona a cúpula italiana, que tenta convencer o técnico a liderar a reconstrução da Azzurra após mais uma ausência no Mundial de Seleções.
Itália em crise corre contra o relógio
A federação italiana reage à terceira eliminação consecutiva do Mundial, um trauma esportivo que abala o país e pressiona dirigentes e jogadores. A derrota para a Bósnia e Herzegovina na repescagem de 2026 encerra o ciclo de Gennaro Gattuso e escancara a urgência por uma mudança profunda.
Sem vaga na principal competição de seleções do planeta pela terceira vez seguida, a Itália vê a própria identidade futebolística em xeque. O torcedor se distancia, patrocinadores cobram respostas e a federação busca um nome capaz de devolver relevância e respeito internacionais.
É nesse contexto que surge Guardiola, hoje o treinador mais cobiçado do mercado. A estratégia italiana é clara: usar um técnico de peso mundial como símbolo de ruptura com a estagnação recente.
Maldini lidera investida em Barcelona
Paolo Maldini, diretor técnico da Federação Italiana de Futebol, comanda pessoalmente a operação. Ao lado de Leonardo, assessor da entidade, ele desembarca em Barcelona para uma ofensiva de três dias sobre Guardiola.
Segundo apuração de veículos italianos, Maldini e Leonardo passam esse período detalhando o projeto da seleção, de mudanças na base até o elenco principal. “Paolo Maldini, diretor técnico da Federação Italiana de Futebol, e Leonardo se reuniram com Guardiola em Barcelona. Os dirigentes teriam passado três dias apresentando ao espanhol o projeto para a Azzurra”, relatam as fontes consultadas.
O encontro ocorre em clima de discrição, sem fotos oficiais ou comunicados públicos. A federação evita criar a sensação de acerto iminente, mas não esconde a prioridade. “Após passar mais uma edição fora do Mundial de Seleções, a Itália corre contra o tempo para contratar um novo treinador”, admitem dirigentes em caráter reservado.
Um sabático no caminho da seleção
Guardiola está sem clube desde que deixa o Manchester City e vive um raro intervalo na carreira. O técnico insiste que precisa de pausa antes de voltar ao banco. “Guardiola está sem clube desde que deixou o Manchester City e faz um período sabático. O treinador de 55 anos disse que quer dedicar mais tempo à família e cuidar de si antes de decidir sobre uma volta ao futebol”, repetem pessoas próximas ao espanhol.
Esse hiato torna a investida italiana à primeira vista lógica: a seleção não exige o desgaste diário de um clube, com treinos e jogos constantes, e permitiria ao técnico manter base de vida em Barcelona. Ao mesmo tempo, a função de treinador de seleção envolve longos períodos de viagens, concentração intensa em torneios e pressão política permanente, especialmente em um país em ebulição como a Itália.
Maldini tenta vender o projeto não apenas como desafio esportivo, mas como oportunidade de marcar uma era. O discurso envolve liberdade para renovar o elenco, influência sobre a formação de jovens e autonomia para redesenhar a forma de jogar da seleção.
Plano A, plano B e o peso de Guardiola
Dentro da federação, ninguém esconde que Guardiola é o plano A, B e quase C. A presença de Maldini em Barcelona, com três dias reservados apenas para esse encontro, é um recado de prioridade máxima.
A direção, porém, evita ficar refém de uma única resposta. “Caso Guardiola recuse o convite, os nomes escolhidos são Roberto Mancini e Andrea Pirlo”, apontam as mesmas fontes. Mancini conhece bem o ambiente da seleção, com histórico anterior no cargo. Pirlo representa uma aposta de continuidade da escola italiana, com visão mais moderna de jogo, mas ainda em consolidação como técnico.
Qualquer um dos dois teria apoio político interno e diálogo fácil com clubes da Série A. Nenhum, porém, produz o impacto simbólico e midiático de Guardiola, hoje associado ao auge do futebol europeu e ao período de ouro do Barcelona.
Impacto no futebol italiano e no mercado
A eventual chegada de Guardiola marcaria um choque de cultura no futebol italiano. Conhecido por exigir saída de bola curta, pressão alta e ocupação obsessiva de espaços, o espanhol contrasta com a tradição defensiva e pragmática que historicamente define a Azzurra.
Jogadores teriam de se adaptar a treinos mais intensos, decisões rápidas com a bola e versatilidade tática, algo que poderia acelerar a evolução técnica do elenco. Clubes formadores seriam pressionados a produzir atletas mais completos, capazes de se encaixar em esquemas flexíveis.
No plano institucional, a federação tenta resgatar credibilidade com torcedores e patrocinadores ao mirar um treinador de primeira linha. Empresas enxergam em Guardiola uma marca global, com potencial para elevar audiências de TV, venda de produtos e exposição internacional.
Uma negativa do espanhol, por outro lado, poderia reforçar a percepção de que o projeto italiano perdeu brilho e atratividade. A federação trabalha para evitar a leitura de fracasso: Mancini e Pirlo são apresentados como caminhos naturais, mais alinhados à cultura local, caso o sonho global não se concretize.
O que vem agora para Guardiola e para a Itália
Guardiola não define prazo público para responder. O técnico equilibra o desejo de seguir o sabático com a tentação de comandar uma das seleções mais tradicionais do planeta. A decisão envolve família, desgaste recente no futebol inglês e o tamanho da reconstrução proposta pelos italianos.
Na sede da federação, a necessidade é objetiva. A Itália precisa de um treinador definido antes das próximas datas Fifa, para iniciar imediatamente observações, amistosos e ajustes táticos. O comando técnico vai orientar também mudanças na base e no relacionamento com clubes, pontos centrais do projeto apresentado em Barcelona.
Qualquer que seja a resposta de Guardiola, a escolha italiana nos próximos dias tende a redesenhar o lugar do país no futebol mundial. Se o espanhol aceitar, começa uma experiência de alto risco e alto potencial de recompensa. Se recusar, Mancini ou Pirlo herdarão uma missão delicada: reconstruir uma seleção ferida e recolocar a Azzurra no caminho do próximo Mundial de Seleções.