PCC na mira: operação investiga dinheiro da facção e os “tribunais do crime” em São Paulo

Investigação do Ministério Público aponta esquema de movimentação de dinheiro, uso de empresas e contas de terceiros para beneficiar integrantes da facção; Justiça determinou prisões, bloqueio de bens e restrições patrimoniais
Redação NC News
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O Ministério Público de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), uma operação para desarticular uma estrutura suspeita de financiar integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e dar suporte às atividades da organização criminosa. A ofensiva também investiga a participação de suspeitos em reuniões conhecidas como “tribunais do crime”, utilizadas, segundo os investigadores, para solucionar conflitos internos e patrimoniais ligados à facção.

A investigação menciona policiais militares de alta patente de São Paulo. Os nomes dos coronéis Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício aparecem em documentos analisados pelos investigadores durante a apuração sobre operadores financeiros ligados ao PCC. Os PMs citados não são alvos da operação realizada nesta manhã (21) e não foram denunciados ou acusados formalmente no caso. Ainda segundo a investigação, as menções fazem parte do material reunido durante a apuração, e eventuais responsabilidades ainda dependem do avanço dos trabalhos investigativos.

Ao todo, a Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão, além de autorizar uma série de medidas para bloquear o patrimônio dos investigados, incluindo contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens que podem ter sido adquiridos com recursos ilícitos.

O que está sendo investigado?

Segundo o Ministério Público, a investigação aponta para um grupo responsável por movimentar recursos financeiros atribuídos ao PCC por meio de diferentes mecanismos destinados a dificultar o rastreamento do dinheiro.

De acordo com os investigadores, o esquema envolveria:

  • entrega de grandes quantias em dinheiro vivo;
  • conversão de valores em espécie em transferências bancárias;
  • utilização de empresas e contas de terceiros;
  • ocultação e circulação de recursos destinados a integrantes da organização criminosa;
  • apoio financeiro a colaboradores da facção.

As autoridades suspeitam que essa estrutura funcionava como um importante elo entre o dinheiro obtido em atividades criminosas e o sistema financeiro formal.

O que são os chamados “tribunais do crime”?

Outro foco da investigação envolve a atuação dos investigados em reuniões apontadas pelo Ministério Público como “tribunais do crime”.

Segundo a apuração, esses encontros seriam utilizados pela organização criminosa para resolver disputas patrimoniais, aplicar punições internas e deliberar sobre conflitos envolvendo integrantes ou pessoas ligadas à facção.

As autoridades investigam qual era a participação de cada um dos alvos nesse tipo de atividade.

Quem são os principais alvos

Entre os principais investigados estão pessoas apontadas pelos promotores como integrantes da estrutura financeira da organização criminosa.

Segundo o Ministério Público, entre os alvos estão Alexandre Salles Brito, conhecido como “Buiu”, Leonardo Monteiro Moja, conhecido como “Léo do Moinho”, apontado na investigação como liderança da facção, e o empresário Cléber Azevedo dos Santos. Até a última atualização das informações, não havia posicionamento público das defesas dos investigados.

É importante destacar que a investigação está em andamento e não há condenação definitiva relacionada aos fatos apurados.

Bloqueio milionário de bens

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou medidas cautelares para impedir a movimentação de patrimônio dos investigados.

Entre as determinações estão:

  • bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras;
  • indisponibilidade de imóveis;
  • restrição sobre veículos;
  • sequestro de bens;
  • bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas investigadas em valores que podem chegar a R$ 10 milhões por investigado;
  • medidas patrimoniais envolvendo empresas apontadas como integrantes da estrutura financeira investigada.

Segundo o Ministério Público, essas medidas têm o objetivo de impedir a continuidade das movimentações financeiras enquanto as investigações prosseguem.,

Operação é desdobramento de outras investigações

A ação desta terça-feira recebeu o nome de Operação Janus. Segundo os investigadores, ela representa um desdobramento de outras operações realizadas anteriormente pelo Ministério Público, que já apuravam a estrutura financeira ligada ao PCC.

O nome faz referência a Janus, divindade da mitologia romana associada às transições e passagens, numa alusão ao suposto trânsito de recursos entre dinheiro em espécie e o sistema financeiro formal investigado pelas autoridades.

O que acontece agora?

Com o cumprimento dos mandados, o Ministério Público deve analisar o material apreendido durante as buscas para aprofundar a investigação.

Documentos, aparelhos eletrônicos, registros financeiros e outras provas poderão ser utilizados para identificar novos envolvidos, ampliar o rastreamento do fluxo de dinheiro e esclarecer a atuação dos investigados.

As investigações continuam, e os suspeitos terão oportunidade de apresentar suas defesas durante o andamento do processo.

Entenda o contexto

O combate ao financiamento das organizações criminosas é considerado uma das principais estratégias das autoridades para enfraquecer a atuação dessas estruturas.

Além das investigações sobre tráfico de drogas e outros crimes, o foco tem se voltado cada vez mais para os mecanismos utilizados para ocultar recursos, movimentar patrimônio e inserir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro.

Segundo o Ministério Público, a Operação Janus busca justamente atingir essa estrutura econômica, considerada fundamental para a manutenção das atividades da organização criminosa investigada. As apurações seguem em andamento, e novas diligências não estão descartadas.

 

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