Morre Rosa May Sampaio aos 77 anos, ícone do design brasileiro

Rosa May Sampaio deixa um legado marcante em projetos de interiores sofisticados e humanizados.
Redação NC News
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A designer de interiores Rosa May Sampaio morre nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, aos 77 anos, em sua casa, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Segundo comunicado da família, ela falece enquanto dorme, por causas naturais.

Despedida em São Paulo e comoção no meio do design

A notícia corre rápido entre familiares, amigos e profissionais do design de interiores. Nas redes sociais, o comunicado da família resume o tom de despedida: “Hoje nos despedimos de uma mulher inspiradora, cuja dedicação, visão e humanidade, deixaram uma marca incrível em nossas vidas e na vida de todos que tiveram a honra de conhecê-la”.

A cerimônia de despedida está marcada para esta quarta-feira, 22 de julho, no Cemitério Parque Morumby, em São Paulo, das 10h às 13h. O velório aberto permite que clientes, colegas de profissão e admiradores prestem homenagem a uma das arquitetas de interiores mais influentes do país nas últimas décadas.

Rosa vinha fazendo hemodiálise há algum tempo, mas a família reforça que a morte ocorre de forma tranquila, em casa, enquanto dormia. O fim sereno contrasta com uma trajetória profissional intensa, que atravessa mais de 30 anos de atuação em projetos no Brasil e no exterior.

Carreira que unia arquitetura, arte e vida

Nascida no Rio de Janeiro, em 1949, Rosa May constrói uma carreira rara em consistência e reconhecimento. À frente do escritório que leva seu nome, assina projetos residenciais e comerciais de alto padrão, sempre com a marca da integração entre arquitetura, paisagismo, design e obras de arte.

Formada em Letras pela PUC-Rio e em História da Arte pela École du Louvre, em Paris, ela leva a formação humanista para dentro dos ambientes que cria. Quadros, objetos afetivos, peças de viagem e móveis garimpados entram em cena com naturalidade, sem ostentação. A estética refinada aparece sempre acompanhada de conforto e uso real das casas.

Patricia Mayer, diretora da CasaCor Rio, resume essa marca pessoal ao comentar a morte da amiga. “Ela se destacava por saber o que era bom, pela vivência. Levava objetos da própria casa para os projetos e criava ambientes de grande sofisticação, conforto e elegância. Também gostava de viver intensamente os seus próprios espaços. Incorporava as experiências ao bom gosto, conhecia profundamente o assunto e adorava decoração”, afirma.

Essa relação entre vida e trabalho se traduz em participações recorrentes em mostras de decoração. Rosa está presente diversas vezes na CasaCor São Paulo e também na edição carioca do evento, onde se torna referência para colegas e jovens profissionais. Seus espaços costumam ser apontados como exemplos de como unir arte, memória e funcionalidade em uma mesma narrativa.

Família, raízes gaúchas e circulação entre cidades

Rosa May deixa quatro filhos: a atriz Guilhermina Guinle, o executivo Raphael Guinle, o cineasta Charly Braun e o advogado Pedro Braun Sampaio. Guilhermina e Raphael são frutos da relação com Luiz Eduardo Guinle, herdeiro de uma das famílias mais tradicionais do Rio de Janeiro, ligada à criação do Copacabana Palace.

A designer mantém laços fortes com diferentes cidades. No Rio, conserva amigos de longa data e circula entre famílias tradicionais e o meio artístico. No Sul, é proprietária da Estância Capão Redondo, em Pelotas, e da Estância Capão do Leão, no Rio Grande do Sul, propriedades que reforçam uma dimensão mais íntima, ligada ao campo e à vida fora dos grandes centros.

Entre amigos e clientes, Rosa é descrita como alguém que aproxima gerações. Convive com a própria turma de juventude e também com os círculos profissionais e afetivos dos filhos, transitando com naturalidade por universos que vão do cinema à televisão, da alta sociedade ao meio da decoração.

Impacto imediato no mercado e legado profissional

A morte de Rosa abre um flanco sensível no mercado de design de interiores, especialmente no segmento de altíssimo padrão. O escritório Rosa May Sampaio, baseado em sua casa nos Jardins, concentra projetos complexos, no Brasil e no exterior, que agora entram em fase de transição. A equipe terá de decidir se mantém o nome e o estilo da fundadora, se atrai novos sócios ou se reorganiza completamente a operação.

Entre arquitetos e decoradores, a avaliação é que não se trata apenas da perda de uma profissional de prestígio, mas de uma forma de pensar o espaço. A defesa de um design integrado, que conversa com a arquitetura, com o jardim e com as obras de arte, assume peso ainda maior num mercado pressionado por tendências rápidas, soluções padronizadas e excesso de imagens de redes sociais.

Mostras como a CasaCor, que tiveram em Rosa uma presença recorrente, também sentem o baque. Curadores e organizadores perdem uma interlocutora experiente, capaz de construir ambientes autorais sem abandonar o conforto. A ausência promete ser notada nas próximas edições, seja pela falta de seus espaços, seja pela expectativa de que homenagens sejam incorporadas ao evento.

Para jovens profissionais e estudantes, o vácuo é simbólico. Rosa funcionava como referência de sofisticação despretensiosa, que não se limitava a marcas caras ou modismos. Sua trajetória reforçava a importância do repertório cultural, do estudo de arte e da observação atenta do cotidiano como fontes de um bom projeto.

Quem perde, quem pode levar adiante o legado

Clientes habituados ao olhar minucioso da designer talvez tenham dificuldade para encontrar substitutos com a mesma combinação de erudição e acolhimento. Projetos em andamento tendem a ser concluídos por equipes e parceiros próximos, mas as escolhas futuras ainda são uma incógnita.

A família, por sua vez, enfrenta o luto em público. Guilhermina Guinle, figura conhecida da televisão e do cinema, passa a ser também uma das principais guardiãs da memória da mãe. Raphael Guinle, Charly Braun e Pedro Braun Sampaio, cada um em sua área, carregam parte desse legado de sensibilidade estética e rigor profissional. A forma como os quatro se organizarem para preservar a obra da mãe pode influenciar diretamente o modo como o mercado lembrará de Rosa.

No médio prazo, a tendência é que sua produção ganhe espaço em publicações especializadas, exposições retrospectivas e homenagens em eventos do setor. A morte de uma profissional desse porte costuma funcionar como gatilho para revisitar projetos, republicar reportagens e consolidar, em livros e mostras, um acervo que até então circulava principalmente entre clientes e pares.

A pergunta que ecoa entre amigos, dita em tom de espanto e melancolia, resume o sentimento desta terça-feira chuvosa em São Paulo: onde vai parar tanto talento e alegria de viver?

As próximas semanas devem trazer respostas práticas — a reorganização do escritório, possíveis tributos em grandes mostras, iniciativas da família para preservar arquivos e acervos. O traço de Rosa, porém, continua desenhado nas casas que ajudou a construir e na formação silenciosa de uma geração de profissionais que aprendeu, com seu exemplo, que decoração é também uma forma de contar a vida.

Quem são os filhos de Rosa May Sampaio?

Ela deixa quatro filhos: a atriz Guilhermina Guinle, o executivo Raphael Guinle, o cineasta Charly Braun e o advogado Pedro Braun Sampaio.

Qual era a idade de Rosa May Sampaio ao morrer?

Rosa May Sampaio morre aos 77 anos, em sua casa, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Quem foi o companheiro de Rosa May Sampaio?

Ela foi companheira de Luiz Eduardo Guinle, com quem teve Guilhermina e Raphael Guinle.


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