Os destroços de um avião da Pan Am que estava desaparecido havia 74 anos foram localizados no fundo do mar por uma equipe de exploradores, encerrando uma busca que durou anos. A aeronave, um DC-4 conhecido como Clipper Endeavor, caiu no Oceano Atlântico em 1952 após perder potência nos motores pouco depois de decolar de Porto Rico com destino a Nova York.
O voo transportava 69 pessoas. Segundo as investigações da época, todos sobreviveram ao impacto inicial da aeronave contra a água. No entanto, a situação rapidamente se agravou quando muitos passageiros não conseguiram localizar os coletes salva-vidas e a tripulação enfrentou dificuldades para liberar os botes infláveis. O avião afundou em poucos minutos e 52 pessoas morreram.
Os destroços foram encontrados no mês passado por uma equipe que utilizou um drone submarino autônomo equipado com sonar. A fuselagem e parte da cauda da aeronave estavam a aproximadamente 610 metros de profundidade, equivalente a cerca de 2 mil pés.

A descoberta representa um marco histórico para a aviação. Segundo o especialista em segurança aérea John Cox, o acidente serviu como um dos principais catalisadores para mudanças nos protocolos de emergência adotados pelas companhias aéreas.
Entre as medidas implementadas ao longo dos anos estão a obrigatoriedade dos briefings de segurança antes da decolagem, a demonstração do uso correto dos coletes salva-vidas e melhorias nos equipamentos de flutuação disponíveis nas aeronaves.
Busca começou após descoberta de etiqueta
A procura pelo Clipper Endeavor teve início em 2019, quando o pesquisador Russ Matthews encontrou referências a uma etiqueta de bagagem do voo que havia aparecido na costa da Flórida.
Desde então, Matthews analisou documentos históricos da Pan Am, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e de órgãos responsáveis pela investigação de acidentes aéreos. A pista decisiva surgiu em Porto Rico, onde foram localizados mapas elaborados por pilotos da Força Aérea norte-americana que testemunharam o acidente durante um voo de treinamento.
Uma primeira tentativa de localizar a aeronave, em 2024, foi interrompida pelas condições climáticas. Neste ano, a equipe contou com o apoio da empresa Deep Sea Vision, especializada em exploração submarina.
Com base nos registros históricos e em dados meteorológicos da época, os pesquisadores delimitaram uma área de aproximadamente 34 quilômetros quadrados. O drone identificou os destroços já na primeira varredura, mas a confirmação só ocorreu após o retorno do equipamento à embarcação e a análise das imagens registradas.

Descoberta reacende esperança em outros casos
Além da importância histórica, a localização do Clipper Endeavor também reacendeu o debate sobre o uso de tecnologias submarinas para localizar aeronaves desaparecidas em grandes profundidades.
Entre os casos frequentemente citados está o voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido em 2014 durante uma viagem entre Kuala Lumpur e Pequim com 239 pessoas a bordo, cujo paradeiro permanece desconhecido. A descoberta demonstra como avanços em drones submarinos, sonares e mapeamento oceânico podem ampliar as possibilidades de localizar aeronaves perdidas mesmo décadas após acidentes.