O Partido Missão abriu o calendário eleitoral brasileiro nesta segunda-feira (20) ao realizar uma convenção partidária em formato online e fechado (sem transmissão ao vivo). O evento oficializou Renan Santos como candidato à Presidência da República, tendo o militar da reserva Aroldo Medina como seu vice na chapa.
Com a deliberação, Renan torna-se o primeiro nome oficialmente na disputa, antecipando-se a adversários como Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que devem realizar seus eventos nas próximas duas semanas.
O fator segurança e a escolta da Polícia Federal
A antecipação do rito, no entanto, não foi uma mera estratégia política: ocorreu por orientação expressa da equipe de segurança da pré-campanha, devido a uma escalada de ameaças atribuídas a facções criminosas. Com o status oficial de candidato à Presidência, Renan Santos adquire imediatamente o direito à escolta da Polícia Federal.
O próprio candidato afirmou que ameaças de duas facções o forçaram a interromper recentemente uma agenda no Ceará, além de ter sofrido intimidações em São Paulo e durante uma atividade pública no Rio de Janeiro.
“Estar com a Polícia Federal não é mais uma questão de conveniência ou até de redução de gastos, dado que equipes privadas são mais caras. É uma questão de sobrevivência”, declarou o candidato em vídeo divulgado por sua equipe.
A plataforma Missão e propostas de ruptura
Aos 42 anos, o empresário e ex-estudante de Direito fará sua estreia na disputa por um cargo público pelo Missão, legenda forjada a partir do Movimento Brasil Livre (MBL) — fundado por ele e pelo deputado Kim Kataguiri em 2014. O partido obteve seu registro no fim do ano passado, amparado por um recorde de mais de 800 mil assinaturas, e vai encarar sua primeira eleição sem o anúncio de alianças com outras siglas até o momento.
A campanha de Renan, que hoje pontua com 3% das intenções de voto no cenário de primeiro turno segundo a pesquisa Quaest, terá a segurança pública como eixo central de discurso. A principal e mais controversa bandeira da chapa é a adoção do chamado “Direito Penal do Inimigo”. O mecanismo jurídico passaria a considerar membros de facções como “inimigos do Estado”, eliminando a presunção de inocência de quem for identificado como integrante de organização criminosa ou for pego portando fuzis.
Na seara econômica e administrativa, a legenda também promete medidas drásticas:
- Substituição total da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por um regime de negociação direta entre patrão e empregado;
- Extinção da Justiça do Trabalho;
- Aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) focada em um corte radical de gastos, projetando economizar R$ 3,3 trilhões em uma década;
- Criação de uma reserva nacional em criptomoedas;
- Fim da reeleição automática para prefeitos, que passaria a ser condicionada ao cumprimento de metas de gestão.
Apesar de a burocracia do registro ter sido resolvida na convenção virtual, o Partido Missão manteve o grande evento público de lançamento da chapa para o dia 1º de agosto, na cidade de São Paulo. Na ocasião, a sigla apresentará o “Livro Amarelo”, documento que detalha as propostas do plano de governo da candidatura.