Flávio se vê isolado em campanha marcada por polêmicas e rachaduras

O isolamento do PL na disputa de 2026 cresce com o fracasso nas alianças do Centrão e da União Progressista.
Redação NC News
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Flávio Bolsonaro entra na disputa presidencial pelo PL sem alianças nacionais consolidadas, após uma articulação classificada como “tragédia” por dirigentes da própria sigla. Enquanto o senador tenta organizar a largada de sua campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumula apoios de partidos do centro e do Centrão e consolida uma coalizão mais ampla.

Centrão migra para Lula e deixa PL isolado

No PL, a avaliação hoje é direta: Lula “venceu a disputa por apoios nacionais”, como dizem reservadamente dirigentes da cúpula partidária. O fracasso das conversas com partidos do Centrão e a decisão da federação União Progressista de permanecer neutra na eleição presidencial empurram Flávio para uma candidatura avulsa, sustentada apenas pela estrutura do próprio PL.

O movimento pesa porque o Centrão atua há anos como fiel da balança nas disputas ao Planalto. Ao priorizar negociações com Lula e manter distância do PL, esse bloco tira do partido liberal o acesso a redes capilares de prefeitos, deputados e máquinas regionais que costumam ser decisivas na reta final de campanha e, em caso de vitória, na montagem de maiorias no Congresso.

Aliados de Flávio e de Rogério Marinho, coordenador da campanha, reconhecem nos bastidores que o presidente Lula ocupa hoje uma posição mais confortável. Com o PT à frente, o petista agrega partidos de esquerda e atrai legendas de centro e centro-direita, enquanto o PL se vê obrigado a montar uma estratégia de sobrevivência eleitoral quase solitária.

Articulação sob fogo e crítica interna

A insatisfação dentro do PL explode nesta semana, em meio ao início informal da campanha. Dirigentes apontam falhas de construção política desde o começo da pré-candidatura de Flávio. A queixa recorrente é que o senador e Rogério Marinho concentraram-se na engenharia eleitoral e deixaram em segundo plano o relacionamento diário com presidentes de partidos e líderes do Centrão.

Entre integrantes da executiva, a expressão que se repete é dura: a articulação com o Centrão foi uma “tragédia”. A palavra resume o sentimento de frustração com a forma como o partido perdeu, um a um, os espaços na mesa de negociação, enquanto Lula ampliava seu círculo de aliados.

Nesse ambiente, ganhou força a conclusão de que não haverá mais tempo, nem margem política, para costurar uma coligação nacional robusta em torno de Flávio. A leitura dominante é que o senador entra na campanha presidencial sem o cinturão de siglas médias e grandes que, em eleições recentes, serviram de base para candidaturas competitivas de direita e de centro-direita.

União Progressista neutra, Republicanos e Podemos distantes

A decisão da União Progressista de ficar neutra na disputa presidencial funciona como ponto de inflexão. Ao recusar um alinhamento formal ao PL, a federação impede que Flávio some minutos extras de televisão e, principalmente, acesso às estruturas locais reunidas sob sua sigla em todo o país.

Republicanos e Podemos reforçam o cerco ao manter distância de um acordo nacional com o PL. Interlocutores envolvidos nas conversas relatam que as duas legendas se aproximam mais do campo lulista ou flertam com a neutralidade do que com uma aliança com o senador.

Para dirigentes do PL, a soma desses movimentos consolida o isolamento da candidatura de Flávio e reduz quase a zero a chance de uma composição ampla antes do início oficial da campanha. A percepção interna é que o “mercado de apoios” se fecha rapidamente e que o partido chega atrasado, sem capacidade de reverter a maré.

Lula amplia frente e testa força do Centrão

Lula se beneficia diretamente desse rearranjo. O presidente já conta com o núcleo tradicional da esquerda, liderado pelo PT, e avança sobre legendas de centro que preferem a neutralidade formal, mas mantêm diálogo intenso com o Planalto. Esse equilíbrio interessa ao governo, porque impede que esses partidos reforcem a candidatura de Flávio.

Na prática, o Centrão se distancia do PL e reconfigura seu papel. Em vez de se colocar como esteio de uma candidatura oposicionista, o bloco se distribui entre apoio ao governo, neutralidade calculada e alianças regionais, o que enfraquece o projeto liberal de voltar ao comando do Executivo federal.

Dentro do partido de Flávio, a comparação com Lula é amarga. Dirigentes admitem que o presidente “venceu a disputa por apoios” e que o senador larga a corrida de 2026 em clara desvantagem, com menos pontes para negociar tanto durante a campanha quanto em eventual governo.

Campanha avulsa e pressão sobre o comando do PL

Diante do isolamento, a estratégia imediata de Flávio Bolsonaro é explorar ao máximo o tempo de propaganda do PL. O partido tem bancada robusta na Câmara e no Senado, o que garante uma fatia relevante do horário eleitoral e permite ao senador falar diretamente com o eleitorado, sem intermediários partidários.

A campanha prepara uma narrativa centrada no carisma pessoal de Flávio, na herança do bolsonarismo e em pautas conservadoras, na tentativa de consolidar o núcleo duro de eleitores de direita. A aposta é transformar a escassez de aliados em discurso contra o sistema político, apresentando o PL como vítima de um conluio entre Centrão e governo.

O custo interno, porém, já aparece. A direção do PL enfrenta críticas crescentes pela condução das negociações. A articulação de Flávio e Rogério Marinho é apontada como responsável direta pelo isolamento. Nos bastidores, militantes e parlamentares falam em “erro de cálculo” e cobram ajustes na coordenação da campanha, inclusive com possível redistribuição de funções estratégicas.

O temor é que a falta de alianças nacionais reduza a competitividade do partido não só na eleição presidencial, mas também nas disputas por governos estaduais e cadeiras no Congresso. Sem uma candidatura forte na cabeça da chapa, caciques regionais calculam se vale manter o engajamento total no projeto de Flávio.

O que vem na disputa de 2026

O cenário atual aponta vantagem nítida para Lula na corrida por apoios partidários, enquanto o PL tenta redefinir sua rota em meio ao início da campanha presidencial. A curto prazo, a expectativa é de que Flávio use o palanque nacional do partido para testar mensagens, medir sua capacidade de mobilização e, eventualmente, reduzir resistências de legendas hoje neutras.

Dirigentes do PL ainda alimentam a esperança de que parte do Centrão reavalie sua posição à medida que as pesquisas consolidem o desenho da disputa. Uma campanha competitiva poderia atrair, mais adiante, partidos em busca de espaços em um eventual governo de direita. Se o isolamento se mantiver, o partido terá de administrar um risco maior: sair da eleição com menos poder de barganha e influência no próximo ciclo político.

Por ora, a fotografia é clara. Lula consolida apoios e testa a força de uma coalizão ampla. Flávio Bolsonaro inicia a corrida presidencial de 2026 praticamente sozinho, ancorado no PL e cercado por críticas internas à “tragédia” que seus próprios aliados veem na articulação com o Centrão.

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