Ceará vence São Bernardo em jogo de 7 gols, deixa o Z-4 e ganha fôlego na Série B

Com a vitória fora de casa, o Ceará deixa a zona de rebaixamento e se prepara para o próximo desafio contra a Ponte Preta.
Redação NC News
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O Ceará reage em grande estilo na Série B. Em uma noite de sete gols, viradas e confusão nos acréscimos, o time alvinegro vence o São Bernardo por 4 a 3, no estádio 1º de Maio, em São Paulo, e deixa a zona de rebaixamento.

Virada que muda o ambiente em Fortaleza

A vitória vale mais do que três pontos para o clube cearense. O time encerra uma série de sete partidas sem vencer, respira fora do Z-4 e devolve algum otimismo à torcida em Fortaleza, que acompanha a campanha de perto, da capital e do interior do estado.

Com o resultado, o Ceará sobe para a 16ª colocação, com 22 pontos. O São Bernardo permanece em 10º, com 27, e vê a meta de se manter entre os primeiros colocados ameaçada enquanto a 20ª rodada ainda está em andamento e só termina na terça-feira.

O alívio no Ceará tem reflexo direto no vestiário, na comissão técnica e na direção. A permanência na Série B é tratada como questão esportiva e financeira: influencia receitas de TV, bilheteria no Presidente Vargas, negócios com patrocinadores e a própria imagem do clube no mapa do futebol brasileiro.

Primeiro tempo tenso e castigo alvinegro

O time visitante entra em campo pressionado, mas com cara renovada. O técnico Daniel Paulista aposta em seis reforços, escala o time no 3-5-2 e promove a estreia do zagueiro Thalisson. A proposta é reativa: linhas baixas, saída rápida, menos posse de bola.

O plano, porém, cobra preço. O São Bernardo domina o início, empurra o Ceará para trás e chega com perigo. O goleiro Richard trabalha cedo, e a defesa alvinegra mostra dificuldade para sair jogando. Os erros de passe se acumulam, o time pouco ameaça o gol paulista e o torcedor cearense, que assiste de casa e se espalha pela capital, cidades do interior e fora do estado, sente o filme repetido das últimas rodadas.

O castigo vem na bola parada. Em cobrança de escanteio pela esquerda, Helder se antecipa na pequena área e abre o placar: 1 a 0. O Ceará tenta acelerar depois do gol, mas esbarra na mesma falta de criatividade que sustenta a sequência negativa recente. Os donos da casa ainda carimbam a trave antes do intervalo, e o 1º tempo termina com sensação de que a equipe cearense flerta com mais uma derrota.

Mudança para o 4-3-3 e ofensividade liberada

Daniel Paulista volta do vestiário disposto a virar o roteiro. O treinador desmonta o 3-5-2, adota o 4-3-3 e lança Lucca e Giulio. A alteração dá ao Ceará amplitude pelos lados, mais presença no campo ofensivo e uma ocupação de área que o time não tem na etapa inicial.

A resposta vem rápido. Giulio aparece por dentro, acha bom passe na área, e Nico Ferreira empata logo no começo do segundo tempo: 1 a 1. A equipe alvinegra adianta as linhas, assume o controle da posse e empurra o São Bernardo para o próprio campo, mas se expõe.

O time paulista volta à frente explorando justamente o espaço deixado. Em contra-ataque pelo meio, a defesa rebate mal, a bola sobra para Hugo, que finaliza no alto e recoloca o São Bernardo em vantagem: 2 a 1. O gol poderia derrubar emocionalmente um Ceará ainda frágil, mas o efeito é outro.

“O Ceará não se abalou com o golpe e encontrou a igualdade na sequência, aos 17. Vina puxou contra-ataque, tabelou com Nico na área e empatou o confronto: 2×2.” O gol simboliza a nova postura: agressiva, vertical, com os meias pisando na área e forçando o erro adversário.

A virada chega como prêmio à insistência. Pelo lado, Giulio aplica um drible plástico dentro da área, a defesa corta mal, e a bola sobra para João Gabriel. O jovem bate no canto, faz 3 a 2 e recoloca o Ceará em controle do jogo e do próprio destino na competição.

Dramas finais, expulsão e gol salvador

O São Bernardo, em casa, não se entrega. A defesa cearense, que ainda oscila, dá espaço na bola aérea e em uma desatenção permite que Pedrinho empate: 3 a 3. O duelo entra na reta final aberto, tenso e com clima de decisão, apesar de estarmos apenas na metade do campeonato.

O Ceará mantém o 4-3-3 e segue atacando. Nos acréscimos, a insistência se transforma em alívio. Em cobrança de falta, a bola bate na barreira, Melk recupera a jogada pela direita e cruza. Enzo Lodovico, que entra no segundo tempo, finaliza de primeira e marca o 4 a 3, já aos 45 minutos. O gol vale como um desabafo coletivo da torcida alvinegra, que acompanha à distância, em Fortaleza e em outras cidades, e vê o time sair do sufoco.

O jogo ainda guarda mais tensão. “Com acréscimos até os 51, uma confusão se instalou nos bancos de reservas das equipes e gerou a expulsão de Lucas Rian, ex-Ceará, por uma agressão em Talisson.” A briga alonga a partida até os 56 minutos e adiciona um capítulo disciplinar ao duelo.

A expulsão complica a vida do São Bernardo, que perde um jogador importante e se vê sujeito a punição mais pesada no tribunal da competição. O lance também reacende a rivalidade entre os elencos e promete esquentar eventual reencontro.

Impacto na tabela e próximos passos do Ceará

O triunfo tira o Ceará da zona de rebaixamento, pelo menos de forma provisória, e recoloca o time na disputa direta com os adversários que cercam a parte intermediária da tabela. Cada ponto passa a valer duplamente: esportivamente, para afastar o risco de queda; e financeiramente, para preservar a estrutura do clube e o interesse de patrocinadores e investidores.

Daniel Paulista conquista a primeira vitória no comando alvinegro e ganha fôlego para trabalhar. A tendência é manter o 4-3-3, que se mostra mais compatível com o elenco atual, dar sequência aos reforços que estreiam e ajustar a defesa, ainda instável mesmo em um dia de virada espetacular.

O São Bernardo, que mira o pelotão de frente, termina a rodada sob pressão. O time permanece em 10º, com 27 pontos, e precisa corrigir a combinação de falhas defensivas e queda de rendimento em momentos decisivos.

O próximo capítulo da reação alvinegra já tem data e hora. Na sexta-feira, às 20h30, o Ceará recebe a Ponte Preta no estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. O jogo em casa, diante de um público que vive o futebol de forma intensa tanto na capital quanto nas cidades do interior do estado, será termômetro para saber se a virada em São Paulo marca apenas um lampejo ou o início de uma recuperação consistente nesta Série B.

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