Rússia tenta bloquear WhatsApp e pressiona população a usar aplicativo estatal

Em nota oficial, o WhatsApp declarou que segue adotando medidas para manter o serviço ativo e garantir a conexão dos usuários russos
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O governo da Rússia tentou interromper totalmente o funcionamento do WhatsApp no país, segundo informou a própria empresa nesta quarta-feira (11). A plataforma, que pertence à Meta, afirmou que a medida representa uma tentativa de restringir a comunicação privada de milhões de pessoas.

Em nota oficial, o WhatsApp declarou que segue adotando medidas para manter o serviço ativo e garantir a conexão dos usuários russos, apesar das restrições impostas pelas autoridades locais.

Pressão para adoção de aplicativo estatal

De acordo com a empresa, o bloqueio estaria ligado à estratégia do Kremlin de incentivar a população a utilizar o “Max”, aplicativo desenvolvido pelo Estado russo.

A ferramenta é descrita como um “superapp”, nos moldes do WeChat chinês, reunindo serviços de mensagens e funcionalidades governamentais em uma única plataforma. Diferentemente do WhatsApp, porém, o Max não possui criptografia de ponta a ponta.

Desde 2025, o governo determinou que o aplicativo estatal seja instalado previamente em todos os novos dispositivos comercializados no país. Servidores públicos, professores e estudantes também são obrigados a utilizá-lo.

Justificativa das autoridades russas

Órgãos reguladores russos alegam que aplicativos estrangeiros, como WhatsApp e Telegram, não cumprem exigências legais relacionadas ao armazenamento de dados de usuários em servidores localizados dentro do território nacional.

A agência reguladora Roskomnadzor já havia emitido notificações cobrando adequações às normas locais. A imprensa estatal russa informou que o WhatsApp poderá ser bloqueado de forma definitiva em 2026.

Parlamentares aliados ao governo defendem a medida, argumentando que a Meta foi classificada como organização extremista pela Rússia em 2022 — decisão que levou ao bloqueio do Facebook e do Instagram no país.

Telegram também enfrenta restrições

O Telegram, outro aplicativo amplamente utilizado na Rússia, também tem enfrentado limitações. O fundador da plataforma, Pavel Durov, afirmou anteriormente que o governo estaria restringindo o acesso ao serviço para estimular a migração da população para o aplicativo estatal.

Segundo ele, iniciativas semelhantes já foram observadas em outros países, mas usuários encontraram alternativas para contornar os bloqueios.

Debate sobre privacidade e liberdade digital

Especialistas apontam que o episódio amplia o debate sobre liberdade de comunicação e proteção de dados na Rússia. Enquanto o governo reforça o discurso de segurança nacional e soberania digital, empresas de tecnologia e defensores de direitos digitais alertam para riscos de vigilância e censura.

O Kremlin ainda não se pronunciou oficialmente sobre a acusação de tentativa de bloqueio total do WhatsApp.

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