Thiago Gardinali deixa hoje o time de jornalismo do SBT após cinco meses no comando do matinal Se Liga Brasil. A saída, confirmada pela emissora, ocorre em meio a uma ampla reformulação da programação de notícias.
Decisão conjunta e mudança no comando das manhãs
No ar desde fevereiro na emissora, Gardinali afirma que a ruptura do contrato acontece em comum acordo. O jornalista diz que já vinha manifestando o desejo de buscar novos desafios.
“Acho importante dizer que eu não fui demitido. Há algumas semanas, sinalizei aos meus gestores que gostaria de assumir novos desafios. Fui muito feliz no SBT, e há uma imensa reciprocidade na nossa relação”, afirma.
Com a saída, o SBT promove uma troca direta no comando do Se Liga Brasil. Darlisson Dutra, repórter e apresentador da casa, assume o programa já na nova grade matinal que estreia na próxima segunda-feira, 3 de agosto. A emissora promete uma proposta “mais dinâmica e próxima do público”, com linguagem mais alinhada ao canal de notícias SBT News.
Dani Brandi, que ficaria sem atração fixa após o fim do Aqui Agora, passa a apresentar o Primeiro Impacto SP, reforçando a “dança das cadeiras” no jornalismo da casa.
Bocardi assume liderança e emissora mira faturamento
A reestruturação do jornalismo tem como peça central a chegada de Rodrigo Bocardi, que passa a liderar a programação de notícias do SBT. Ele assume o SBT Cidades, carro-chefe da nova grade que estreia também na próxima segunda-feira.
Gardinali diz que sua saída foi calibrada para coincidir justamente com essa virada de chave.
“Eu e a emissora chegamos ao consenso de que o momento menos traumático para a minha saída, já que estamos falando de um produto vice-líder, seria no período de reformulação do departamento de jornalismo, que será na próxima segunda-feira com a estreia do Bocardi”, explica.
Nos bastidores, a avaliação é que a mudança vai além de uma simples troca de rostos. A direção pretende aproximar o jornalismo da TV aberta do perfil do SBT News: mais hard news, informação em tempo real e maior conexão com o noticiário de cidades, segurança pública e prestação de serviço.
O plano também é comercial. A emissora trabalha com a perspectiva de manter índices de audiência semelhantes, mas elevar significativamente o faturamento publicitário. A lógica é oferecer um ambiente mais atraente a marcas interessadas em conteúdo de serviço, economia do dia a dia e informação local, considerado mais “vendável” que formatos generalistas.
Impacto para Gardinali e desafio para o SBT
Thiago Gardinali deixa o SBT depois de um período curto, mas de alta exposição. Ele assume o Se Liga Brasil no início da atual fase matinal e, em cinco meses, ajuda a consolidar o programa na vice-liderança do horário. Agora volta ao mercado com um currículo reforçado por mais uma passagem por TV aberta.
O jornalista soma mais de 30 anos de carreira em rádio e televisão, com passagens por RedeTV!, CNT, Rede Vida, Record e Jovem Pan, onde atua por 10 anos como âncora. Ao longo da trajetória, participa de coberturas internacionais de grande repercussão, como conflitos armados, Jogos Olímpicos e o Mundial de Seleções na África do Sul. Fora da TV, cultiva uma relação antiga com os quadrinhos, tendo traduzido edições da série Tex Willer e trabalhado pela difusão do personagem no Brasil.
Apesar de perder um espaço diário em TV aberta, Gardinali sai com portas abertas e capital simbólico em alta. Em nota, o SBT agradece a passagem do jornalista: “Ao Thiago Gardinali, que abrilhantou o time da emissora com energia e credibilidade, o nosso muito obrigado”. A combinação de experiência em jornalismo policial, cobertura internacional e rádio o coloca como nome disponível para outros canais ou projetos digitais próprios.
Para o SBT, o movimento é um teste de equilíbrio delicado. A emissora aposta em um jornalismo mais segmentado e com maior apelo comercial, mas mexe em um produto vice-líder e em um apresentador que constrói empatia rápida com parte da audiência. A substituição por Darlisson Dutra, apontado internamente como rosto mais afinado com o novo perfil, tenta minimizar o risco de desgaste com o público.
O sucesso da estratégia depende de uma transição suave. A emissora precisa provar que consegue elevar o faturamento sem perder relevância editorial nem espantar o telespectador acostumado ao estilo de Gardinali.
Reformulação pode servir de termômetro para o mercado
A reorganização do jornalismo matinal do SBT acontece em um momento em que a TV aberta inteira revisa seus formatos de informação. Concorrentes diretas sofrem com a fragmentação da audiência e a migração de parte do público para o streaming e para transmissões independentes nas redes sociais.
A aposta em um jornalismo mais duro nas manhãs, com foco em cidades, política local e economia doméstica, ecoa tendências já vistas em outras emissoras. A diferença, no caso do SBT, é a ênfase assumida no potencial comercial, com a meta explícita de aumentar o faturamento mesmo sem crescimento de audiência.
Se a nova grade liderada por Rodrigo Bocardi e Darlisson Dutra confirmar esse plano, o movimento tende a virar referência para outras redes, que observam com atenção qualquer fórmula capaz de combinar relevância jornalística com boa rentabilidade. Caso contrário, a emissora terá de recalibrar o desenho do seu departamento de jornalismo mais uma vez.
Para agora, o foco está na estreia de segunda-feira. O desempenho dos primeiros programas, as reações nas redes sociais e o apetite dos anunciantes vão indicar se a saída de Gardinali, apresentada como decisão consensual e estratégica, de fato inaugura uma fase mais sólida para o jornalismo matinal do SBT.