O Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia produtiva da soja e do biodiesel deverá crescer 6,9% em 2026, consolidando o setor como um dos principais motores da economia brasileira. A projeção é do mais recente levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
O estudo indica que a expansão será sustentada pela expectativa de uma safra recorde de soja, pelo aumento do processamento industrial e pela demanda consistente por derivados, como farelo, óleo de soja e biodiesel.
Processamento amplia geração de valor
Segundo o levantamento, o fortalecimento da indústria de processamento deverá ampliar a participação dos segmentos de maior valor agregado dentro da cadeia produtiva. Além de atender ao mercado interno, a produção de derivados continua desempenhando papel estratégico nas exportações brasileiras.
Os pesquisadores destacam que o processamento da soja gera impactos econômicos superiores aos da comercialização do grão in natura, movimentando atividades industriais, logísticas e de serviços, além de estimular investimentos em inovação e infraestrutura.
Emprego e renda seguem em expansão
Outro destaque do estudo é o avanço da geração de empregos. A cadeia da soja e do biodiesel reúne atualmente mais de 2,5 milhões de trabalhadores em atividades diretas e indiretas, abrangendo desde a produção nas propriedades rurais até os setores de transporte, armazenagem, comércio e indústria.
Para o Cepea e a Abiove, esse desempenho reforça a importância da cadeia para o desenvolvimento regional e para a distribuição de renda, especialmente nos estados que concentram a produção de grãos e o processamento industrial.
Brasil amplia competitividade internacional
A expectativa de crescimento também fortalece a posição do Brasil como líder mundial na produção e exportação de soja. Com uma oferta elevada de matéria-prima e investimentos contínuos na industrialização, o país amplia sua competitividade no mercado internacional, atendendo à demanda crescente por alimentos, proteínas animais, biocombustíveis e óleos vegetais.
Os pesquisadores ressaltam que o desempenho da cadeia dependerá do comportamento do mercado internacional, das condições climáticas durante a próxima safra e da evolução dos custos de produção, fatores que continuam influenciando a rentabilidade do setor.
Agregação de valor é um dos principais desafios
O estudo reforça que ampliar o processamento interno da soja representa uma oportunidade para agregar valor à produção brasileira, gerar empregos qualificados e fortalecer a indústria nacional.
Nesse cenário, a expansão da produção de farelo, óleo e biodiesel tende a ampliar a contribuição da cadeia para o crescimento econômico do país, consolidando o agronegócio como um dos pilares da economia brasileira.
Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).