O senador Flávio Bolsonaro (PL) segue na busca de um vice após o Partido Progressistas (PP) barrar oficialmente a indicação da senadora Tereza Cristina para a sua vaga de vice-presidente. Em uma manobra rápida para conter o estrago na campanha, o candidato quebrou o silêncio nesta sexta-feira (31) para agradecer a ex-ministra e avisar que a busca por um parceiro de chapa virou uma missão de urgência até o limite do calendário eleitoral.
A reação e o “fico” de Tereza Cristina
Durante uma agenda em São Paulo, onde posou ao lado de aliados de peso como o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, Flávio buscou transparecer absoluto controle da situação. Ele elogiou a disposição inicial de Tereza Cristina e declarou respeitar a nota da Executiva Nacional do PP, que ordenou a neutralidade na eleição presidencial.
Apesar do recuo forçado pela legenda, o senador garantiu que a parceria pessoal não foi desfeita e que a senadora continuará atuando como uma cabo eleitoral de luxo em sua campanha.
“Fiquei muito honrado quando ela aceitou o convite para caminhar conosco na qualidade de candidata a vice-presidente. Falei com ela agora há pouco. Ela vai estar com a gente em Brasília e se engajando ainda mais na nossa campanha”, revelou Flávio.
O Plano B e o medo da chapa pura
A declaração do candidato deixa claro que o núcleo duro do partido entrou em contagem regressiva. O prazo final imposto pela Justiça Eleitoral para o registro de coligações e anúncio definitivo das chapas se encerra já na próxima quarta-feira, 5 de agosto.
Questionado se ainda tentaria reverter a decisão do PP, o candidato deixou a porta entreaberta, mas confirmou que outras frentes de negociação já estão abertas.
“Essa nota deixou bem claro que o partido tinha decidido, por maioria, pela neutralidade. Óbvio que eu respeito, mas eu sou brasileiro, não desisto nunca. Vamos continuar nas conversas. Até o dia 5 tudo pode acontecer”, disparou.
Para evitar o isolamento político de uma “chapa pura”, a cúpula do PL agora corre contra o relógio e mapeia o mercado em busca de um Plano B capaz de atrair tempo de TV e verba. Segundo o senador, há alvos definidos em quatro frentes de negociação:
- Republicanos: O partido de Tarcísio de Freitas é o alvo número um, mas também ameaça declarar neutralidade para proteger candidatos estaduais.
- União Brasil: A sigla que forma a federação com o próprio PP e carrega um peso financeiro gigantesco.
- Podemos: Opção estratégica para tentar atrair os eleitores órfãos do centro.
O próprio PL: Caso nenhuma aliança externa vingue a tempo, o partido será forçado a recorrer a uma solução caseira de última hora.
A pressão atingiu o nível máximo. O relógio está correndo, e os próximos cinco dias definirão se Flávio Bolsonaro chegará à disputa pelo Palácio do Planalto liderando uma frente de centro-direita ou se caminhará isolado para as urnas.