John Cusack filmes: por que o astro sumiu de Hollywood aos 60

John Cusack revela os motivos por trás de seu afastamento da indústria cinematográfica tradicional aos 60 anos.
Redação NC News
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Aos 60 anos, John Cusack explica por que se afasta do circuito principal de Hollywood e aposta em uma graphic novel própria para recuperar o controle de suas histórias.

Do galã excêntrico ao ator “sumido”

O rosto continua o mesmo de filmes como “Quero Ser John Malkovich”, “Alta Fidelidade” e “Con Air”, mas Cusack já não ocupa o centro do cinema comercial americano. Há pelo menos dez anos, sua carreira migra para um terreno paralelo: produções lançadas direto em vídeo, papéis pontuais e superproduções chinesas, longe do antigo tapete vermelho.

Neste período mais discreto, o ator aceita apenas cinco papéis em cinco anos, incluindo “A Névoa da Guerra” e “Detetive Chinatown: O Mistério de 1900”. O filme policial chinês vira um fenômeno e arrecada mais de 450 milhões de dólares no mundo, mas a bilheteria estrondosa vem sem o peso dos grandes estúdios de Hollywood sobre seus ombros.

Ao mesmo tempo, sua vida também muda de cenário. Cusack vende a casa em Malibu e volta para Illinois, seu estado natal, onde hoje leva uma rotina mais reclusa. Nas redes sociais, prefere pôr do sol em Chicago e árvores de parque a registros de bastidores de filmagens.

Rejeição à engrenagem dos super-heróis

O afastamento não é acidente de percurso nem falta de convite, mas escolha política e estética. Cusack vê na Hollywood atual um sistema sufocante, dominado por franquias de super-heróis e decisões tomadas por comitês e planilhas. Em entrevistas, ele resume: “A maioria dos filmes é um lixo”.

Ele lembra um período em que o jogo parecia mais equilibrado. “Antigamente, se você fizesse um filme muito, muito grande, podia aproveitar isso para fazer outros menores e incríveis, e eu me saí bem com isso por alguns anos”, diz. Essa troca tácita, segundo o ator, desaparece com a hegemonia das franquias de quadrinhos.

“Agora, eles só querem que você vista uma calça justa de super-herói; se você não vestir, simplesmente querem se livrar de você. E eu não vou vestir essa calça…”, dispara. A metáfora da “calça justa” concentra o incômodo com o tipo de papel oferecido a atores veteranos e com a uniformização das narrativas.

O atrito com os estúdios também é financeiro. Durante a onda de greves em Hollywood, Cusack acusa a Fox de usar truques contábeis para evitar o pagamento de royalties por “Digam o que Quiserem”, clássico romântico que ajudou a consolidar sua fama. “Pensei: uau, quase levei a Fox à falência! (só que não). O filme custou cerca de 13 milhões de dólares… Trinta anos depois, esse filme perde milhões a cada ano! Um truque contábil engenhoso, não acham?”, ironiza.

‘Momo’: cinema sem comitê em forma de quadrinhos

O desejo de escapar dessa engrenagem leva Cusack para outro tipo de tela. Durante a San Diego Comic-Con, ele conta que encontra nas graphic novels uma espécie de cinema em papel, só que sem executivos por perto. “Sempre achei que as graphic novels eram as coisas mais próximas do cinema. Você escolhe os enquadramentos, elas são muito cinematográficas”, afirma.

Desse raciocínio nasce “Momo”, graphic novel que ele escreve e que chega às livrarias em 26 de setembro. A obra, ilustrada pelo argentino Ignacio Noé, mistura ficção científica e road movie: dois criminosos atravessam estradas para recuperar um artefato antigo e devolvê-lo ao comediante Jackie Gleason, inspiração central do projeto.

Cusack insiste que o ponto decisivo não é o gênero da história, mas o grau de liberdade envolvido. “Quando você pede para alguém investir US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões em um filme, essa pessoa quer dar opinião, fica com medo e tudo mais”, explica. Em “Momo”, ele faz o caminho inverso.

“Foi simplesmente assim: eu escrevi a história e pensei: ‘Gosto dessa história’. Depois encontrei esse artista lindo e maravilhoso, Ignacio Noé, para fazer as ilustrações. Então ninguém editou nada do que eu escrevi nem do que ele desenhou”, relata. Para ele, essa ausência de filtros é um privilégio raro na cultura pop atual.

“É realmente uma obra feita por apenas duas pessoas. Foi apenas a minha história e a do Ignacio, e isso não acontece hoje em dia. Não tem enrolação, não tem comitê”, reforça. A crítica aos “computadores em Seattle” que testam finais em grupos de audiência serve de contraponto ao processo artesanal da dupla.

Impacto na indústria e próximos passos

O gesto de se afastar do mainstream tem efeito simbólico maior que a própria filmografia recente. Quando um ator com o histórico de Cusack abandona as grandes produções, expõe uma fissura na relação entre criadores e estúdios num momento em que o cinema americano se ancora em universos compartilhados e fórmulas repetidas.

Os grandes estúdios perdem um rosto associado a um tipo de personagem romântico e neurótico que marcou os anos 1990 e 2000. Perdem também, em alguma medida, diversidade de tom. O mercado independente, o circuito de quadrinhos adultos e o cinema internacional ganham um aliado disposto a emprestar nome e experiência em troca de autonomia.

A crítica aberta às práticas contábeis e ao controle criativo ainda alimenta debates sobre transparência e direitos autorais. Ao falar em “truque contábil engenhoso”, Cusack toca em um ponto sensível para atores e roteiristas que dependem de royalties para sobreviver fora da elite de cachês milionários.

Ele não fecha, porém, a porta do cinema para sempre. Ao comentar a saturação de franquias, admite curiosidade por revisitar “1408”, terror psicológico baseado em conto de Stephen King no qual interpreta um investigador cético cercado por fantasmas em um quarto de hotel. A ideia, sugere, só faria sentido dentro de um modelo que respeite risco artístico, fora da lógica das continuações automáticas.

Enquanto esse possível retorno não se concretiza, “Momo” marca um novo capítulo para um ator que prefere perder espaço em Hollywood a abrir mão da própria voz. O teste, agora, é descobrir se o público que cresceu com seus personagens desajustados está disposto a segui-lo das salas de cinema para as páginas de uma graphic novel assinada quase em segredo.

O que aconteceu com John Cusack e por que ele está sumido?

Ele se afasta do circuito mainstream de Hollywood por escolha. Nos últimos dez anos, prioriza filmes menores, produções chinesas e agora a graphic novel “Momo”.

Por que John Cusack se afastou de Hollywood?

Cusack rejeita o controle dos estúdios, critica a hegemonia dos filmes de super-heróis e busca liberdade criativa sem comitês, o que encontra em projetos independentes.

Quais são os últimos filmes de John Cusack?

Nos últimos cinco anos, ele faz cinco trabalhos de menor repercussão, entre eles “A Névoa da Guerra”, “Detetive Chinatown: O Mistério de 1900”, “Jie Mi”, “Perseguição” e a série “Utopia”.

John Cusack é casado ou tem filhos?

Ele mantém a vida pessoal em sigilo. Não há confirmação pública recente de casamento ou filhos, e o ator evita expor esse lado nas entrevistas.

John Cusack já participou de superproduções chinesas?

Sim. Ele atua em títulos como “Detetive Chinatown: O Mistério de 1900”, sucesso que soma mais de 450 milhões de dólares em bilheteria mundial.

John Cusack toparia fazer uma continuação de algum filme famoso?

Ele diz não ter interesse em sequências em geral, mas admite que considera interessante revisitar o universo de “1408”, desde que com liberdade criativa.


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