Yeferson Soteldo deixa o gramado do Maracanã com discurso dividido: elogia a nova cara defensiva do Fluminense, mas não esconde a frustração por ver o empate sem gols com o Bahia escapar como dois pontos perdidos.
O atacante venezuelano, um dos destaques da equipe, assume a voz do vestiário tricolor na semana em que o Brasileiro sai por um momento de cena e o foco se volta para o clássico contra o Vasco, hoje, pela Copa do Brasil.
Defesa amadurece, ataque falha
O 0 a 0 com o Bahia, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, interrompe a sequência de jogos em que o Fluminense sofre gols quase sempre. Para Soteldo, esse é o primeiro ponto positivo a ser destacado. Ele enxerga um time mais compacto, atento aos espaços e menos vulnerável nas transições.
“Fizemos um jogo muito bom coletivamente. A gente vinha tomando gol quase todo jogo, que era algo que a gente queria melhorar, e, graças a Deus, hoje a gente não tomou. Mas deixamos escapar esses três pontos porque tentamos, tentamos, e a bola não entrou”, afirma o camisa 10, ainda à beira do campo.
A análise encontra eco nos números da campanha. O Fluminense chega aos 34 pontos, mantém-se na quarta posição do Brasileiro e segue dois pontos atrás do Athletico-PR. O placar em branco, porém, escancara o outro lado do problema: a produção ofensiva até existe, mas não se transforma em gol na mesma medida.
Soteldo volta ao tema ao comentar as oportunidades desperdiçadas no Maracanã, inclusive uma chance clara que ele próprio perde frente a frente com o goleiro Ronaldo.
“A gente tentou até o último minuto. Criamos, chegamos bastante, mas infelizmente a bola não entrou. Agora é levantar a cabeça porque temos um jogo muito importante pela frente”, diz.
Clássico muda o eixo do vestiário
Com a tabela do Brasileiro em leve pausa emocional, a bússola tricolor aponta para a Copa do Brasil. O time entra em campo hoje, novamente no Maracanã, para enfrentar o Vasco no jogo de ida das oitavas de final. O duelo ganha peso imediato: é mata-mata, com duas partidas e vaga que vale dinheiro, visibilidade e moral.
Soteldo não tenta amenizar a pressão. Ao contrário, assume que o elenco precisa se adaptar rapidamente ao clima de decisão e à rivalidade histórica com o adversário. “Todo jogo a gente procura vencer. Sabemos que é um clássico, a gente vai dar tudo para ficar com esse resultado e com a vaga também”, projeta.
O atacante reforça que a chave do confronto está menos no discurso inflamado e mais na forma como o grupo vai lidar com os 180 minutos da eliminatória. Planejamento, rodagem do elenco e controle emocional entram no centro da conversa com a comissão técnica.
“Agora a gente muda a cabeça, amanhã a gente pensa o que vai fazer com o treinador. A gente tem que ir com tudo para ganhar, sabendo que são dois jogos, né? Temos que manejar isso da melhor maneira”, explica.
Em outra fala, ele insiste no tom pragmático: “Nós, em todos os jogos, procuramos vencer. Sabemos que é uma eliminatória e vamos fazer de tudo para passar. Vamos ver o que o treinador vai querer, e sabendo que são dois jogos. Vamos encarar da melhor maneira”.
Pressão da arquibancada e disputa interna
A noite contra o Bahia expõe mais do que um problema de pontaria. A arquibancada não poupa vaias para Hulk, em atuação abaixo do esperado, enquanto Soteldo recebe elogios pelas arrancadas e participação intensa na criação. A diferença de ambiente em torno dos dois ajuda a explicar a temperatura interna do elenco.
O venezuelano vive boa fase técnica e parece consolidado na estrutura ofensiva do time, mas não fala em zona de conforto. O grupo ainda busca um encaixe ideal na frente, com vários nomes importantes disputando espaço e minutos em meio a uma maratona de jogos decisivos.
Entre os dirigentes, o desempenho de Soteldo reforça a aposta feita em sua contratação. Entre os torcedores, ele se torna rapidamente um dos rostos mais reconhecíveis do elenco: o jogador da seleção venezuelana, meia-atacante de baixa estatura e drible curto, que assume responsabilidade e se oferece para decidir.
A reação pública do camisa 10 também funciona como espécie de escudo para os companheiros. Ao dividir a frustração pelas chances perdidas e valorizar o esforço coletivo, ele tenta preservar o ambiente às vésperas de um clássico em que a paciência da torcida promete ser curta.
O que está em jogo contra o Vasco
O Fluminense entra na Copa do Brasil em condição delicada e promissora ao mesmo tempo. Tem uma base consolidada, ocupa o topo da tabela nacional, mas convive com a sensação de que poderia estar mais à frente se aproveitasse melhor as chances criadas. A eliminatória com o Vasco pode confirmar a curva de crescimento defensivo ou expor fissuras sob pressão.
A comissão técnica trabalha para repetir a solidez vista contra o Bahia e, ao mesmo tempo, destravar o setor ofensivo. Manter o zero atrás, em clássicos equilibrados, costuma valer tanto quanto marcar fora de casa no jogo da volta. O risco é transformar esse cuidado em bloqueio, empilhando atuações dominantes que não viram vitória.
Para Soteldo, o recado está dado: o time não pode desperdiçar o que cria em um confronto que pode redesenhar a temporada. Uma classificação embala o grupo, reforça a confiança no Brasileiro e acalma a arquibancada. Uma eliminação precoce, por outro lado, tende a acentuar o debate sobre a eficiência do ataque e a real consistência dessa nova defesa.
O Maracanã, mais uma vez, vira palco e termômetro. O clássico desta noite não responde só quem avança na Copa do Brasil. Também indica se o discurso de evolução que sai da boca de Soteldo resiste ao tipo de jogo em que um detalhe decide tudo.
Qual foi a reação de Soteldo após o empate do Fluminense com o Bahia?
Yeferson Soteldo reage ao 0 a 0 com o Bahia misturando frustração e otimismo, elogia a atuação coletiva e a evolução defensiva do Fluminense, mas lamenta as muitas chances desperdiçadas e trata o empate no Maracanã como dois pontos perdidos em casa na luta pelo topo do Campeonato Brasileiro.
Qual alerta Soteldo fez para o Fluminense antes do clássico contra o Vasco?
Yeferson Soteldo alerta que o duelo com o Vasco pelas oitavas da Copa do Brasil é uma eliminatória em dois jogos, exige planejamento com o treinador, manejo físico e emocional do elenco e foco absoluto nos 180 minutos, reforçando que o Fluminense precisa “ir com tudo para ganhar” sem descuidar da estratégia.
Como Soteldo avaliou o desempenho do Fluminense no empate com o Bahia?
Yeferson Soteldo avalia que o Fluminense faz “um jogo muito bom coletivamente”, principalmente na defesa, quebra a rotina de sofrer gols, cria bastante no ataque, tenta marcar até o último minuto, mas esbarra na falta de eficiência e vê a bola insistir em não entrar no Maracanã lotado.
Qual é a situação atual de Soteldo no Fluminense?
Yeferson Soteldo vive hoje uma fase de protagonismo no Fluminense, é titular, um dos melhores em campo no empate com o Bahia, peça-chave na criação ofensiva, voz ativa nas entrevistas e nome central no planejamento para o clássico contra o Vasco e para a sequência do Brasileiro na briga pela parte de cima.