A saída de Mohamed Salah ainda deixa uma pergunta sem resposta no Liverpool: quem será o jogador capaz de ocupar o espaço deixado pelo astro egípcio no lado direito do ataque? Para Jamie Carragher, essa deve ser a prioridade do clube antes de qualquer grande investimento no mercado.
O ex-zagueiro e ídolo dos Reds afirma que a diretoria precisa resolver primeiro a lacuna aberta por Salah antes de avançar pela contratação de Bradley Barcola, atacante do Paris Saint-Germain avaliado em cerca de 150 milhões de euros.
Carragher reconhece o talento do francês e admite que gostaria de vê-lo vestindo a camisa do Liverpool, mas faz uma ressalva: Barcola não resolve o principal problema atual do elenco.
“Ele é um jogador incrível, não há dúvida quanto a isso, e eu gostaria de ver Barcola no Liverpool. Mas, para mim, ele é um ponta esquerda”, afirmou o ex-jogador em análise na Sky Sports.
Saída de Salah abre buraco no ataque do Liverpool
Durante nove temporadas em Anfield, Mohamed Salah se tornou uma das maiores referências do Liverpool atuando pela ponta direita. Além dos gols, o egípcio entregava velocidade, criação de jogadas e presença constante na área adversária.
Com sua saída, o clube perde não apenas um artilheiro, mas também uma peça que definia o funcionamento ofensivo da equipe. Para Carragher, o problema está justamente na falta de um substituto natural para essa função.
“A principal questão que se destaca como uma necessidade urgente para o Liverpool agora é substituir Salah, que jogava como ponta direita. E eu não acho que o Liverpool tenha algum jogador no elenco que se sinta totalmente à vontade jogando na posição”, avaliou.
O alerta acontece enquanto o Liverpool monitora Barcola, que virou um dos nomes mais valorizados do futebol europeu. O PSG, porém, não pretende facilitar a saída do atacante e coloca um preço elevado para negociar o jogador.
Barcola agrada, mas disputa espaço com jovens do elenco
Apesar da preocupação, Carragher deixa claro que a contratação de Barcola seria um movimento de peso. O francês é visto como um atacante rápido, habilidoso e com grande potencial de evolução.
O problema, segundo o ex-zagueiro, está no setor onde ele atua. A ponta esquerda já conta com jogadores como Cody Gakpo, Victor Muñoz e a promessa Rio Ngumoha, de apenas 17 anos.
Para Carragher, contratar um jogador caro para uma posição já preenchida poderia limitar o crescimento de uma das maiores apostas da base do clube.
“Rio é um jovem, é realmente excelente, e acredito que ele vai continuar evoluindo a partir do que apresentou na temporada passada”, afirmou.
O comentarista reconhece que Barcola está em um estágio mais avançado da carreira, mas lembra que o Liverpool também precisa pensar no futuro.
“Você está comprando um jogador muito jovem por uma quantia grande de dinheiro, que é o Barcola, e ele é atualmente melhor do que Rio Ngumoha. Mas você espera que, no fim das contas, ao longo do próximo ano ou dos próximos dois anos, Rio queira jogar semana após semana pelo Liverpool”, disse.
Carragher sugere reformulação nas pontas
Na visão do ex-capitão do Liverpool, a solução ideal envolveria três movimentos: contratar um novo titular para a direita, buscar Barcola e reorganizar o elenco com possíveis saídas.
“Se eles saírem no mercado e trouxerem um jogador para a posição de ponta direita, contratarem Barcola e, então, venderem dois dos jogadores de lado que estão atualmente no time, eu acho que isso seria algo excelente”, projetou.
A ideia passa por evitar que a chegada de uma estrela bloqueie o desenvolvimento de jovens talentos e, ao mesmo tempo, garantir que o time não fique dependente de improvisações.
Carragher também cita a possibilidade de Rio Ngumoha atuar pelos dois lados do campo, mas reforça que a posição natural do garoto é a esquerda.
Liverpool enfrenta dilema entre estrela e renovação
A possível negociação por Barcola representa um dilema comum entre grandes clubes europeus: investir pesado em um jogador pronto ou preservar espaço para talentos que podem se tornar futuras estrelas.
No caso do Liverpool, a decisão envolve não apenas o valor da transferência, mas também o equilíbrio do elenco. Uma contratação de 150 milhões de euros pode alterar a hierarquia ofensiva e mudar o caminho de jogadores que buscam espaço no time principal.
A diretoria dos Reds precisa avaliar se o momento exige uma resposta imediata para substituir Salah ou se vale apostar em um reforço de impacto mesmo que ele atue em uma área já ocupada.
A torcida acompanha os movimentos do mercado com atenção, enquanto a próxima grande escolha da direção pode definir o perfil do Liverpool dos próximos anos: um time baseado em grandes contratações ou uma equipe que mistura estrelas internacionais com jovens formados dentro do clube.
Para Carragher, a mensagem é clara: antes de pensar em luxo, o Liverpool precisa resolver a urgência. E essa urgência tem nome, posição e um legado difícil de substituir: o lado direito que durante anos pertenceu a Mohamed Salah.