“Além do Tempo”: Vitória atira no próprio filho após confusão e muda rumo da trama

Cena dramática marca um dos momentos mais impactantes da novela. Ao acreditar que está diante de um inimigo, Vitória dispara uma arma e descobre, em seguida, que acertou o próprio filho.
Redação NC News
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Vitória, vivida por Irene Ravache em Além do Tempo, atira no próprio filho, Bernardo (Felipe Camargo), em um dos momentos mais dramáticos da reprise da novela na Globo. O disparo, provocado por medo e paranóia, não mata o rapaz, mas destrói a relação entre mãe e filho e prepara o salto de 100 anos da trama.

Disparo por medo transforma proteção em tragédia

A condessa vive sob ameaça de Bento (Luiz Carlos Vasconcelos) e passa a dormir com um revólver debaixo do travesseiro. A sensação de perigo constante domina a personagem, que vê inimigos em cada ruído do casarão em que vive com Bernardo.

Durante a madrugada, assustada com a sombra de um homem na porta do quarto, Vitória reage antes de pensar. Aponta a arma e atira, convicta de que está se defendendo. Quando o corpo cai, o grito de Zilda (Nívea Maria) rasga o silêncio do cômodo: “Senhora! Meu Deus, Condessa, o que a senhora fez?!”. A governanta se dá conta de que a vítima é Bernardo, filho da patroa.

O choque paralisa Vitória. Ao perceber que atirou no próprio filho, a condessa se volta contra si mesma. Em desespero, leva a arma ao peito, decidida a morrer. “Me deixa morrer! Meu filho! Meu Bernardo! O que eu fiz, meu Deus?!”, berra, tomada pela culpa. Zilda se agarra a ela e impede o suicídio, tornando-se o último freio de humanidade naquele quarto.

Bernardo sobrevive, mas rompe com a mãe

Ferido e desorientado, Bernardo recebe atendimento do Doutor Botelho (Marcelo Torreão). O médico consegue estabilizar o rapaz, que sobrevive, mas fica desmemoriado. A recuperação física contrasta com o estrago emocional que se forma ao redor da família.

Ao saber do tiro, Emília (Ana Beatriz Nogueira) volta ao casarão e enfrenta a antiga rival. A visita escancara rancores antigos e revela que a maior inimiga de Vitória está viva e mais forte. A cena marca um embate direto entre as duas mulheres, agora ligadas por Bernardo e separadas por anos de ódio.

Mesmo debilitado, o personagem de Felipe Camargo não perdoa a mãe. Ao encarar Vitória, ele despeja a dor em uma frase curta e devastadora: “A senhora acabou com minha vida!”. Em seguida, decide ir embora ao lado de Emília, rompendo com a mãe e deixando a condessa sozinha no casarão que antes representava poder e segurança.

Ponto de virada abre caminho para salto de 100 anos

O disparo acidental funciona como divisor de águas na primeira fase de Além do Tempo. A partir dele, a novela leva ao limite o conflito familiar, o peso da culpa e o ressentimento acumulado por décadas entre Vitória e Emília. A protagonista, que sempre tentou controlar tudo, perde o que mais diz amar justamente pela mão que apertou o gatilho.

Essa ruptura prepara o terreno para a grande ousadia da trama: um salto de 100 anos no tempo, com a reencarnação dos principais personagens. A história, inicialmente situada em um ambiente de época, se transforma e ganha uma segunda temporada narrativa em outro contexto, mantendo os mesmos laços de amor, culpa e reparação, agora em novas vidas.

Na prática, a produção da Globo se beneficia da reviravolta. A cena do tiro, o rompimento de Bernardo e o salto temporal funcionam como motor de audiência para a reprise. O público acompanha o drama do erro irreparável, se envolve emocionalmente com a culpa de Vitória e é convidado a continuar assistindo para ver como esses personagens vão se reencontrar cem anos depois.

Reprise renova fôlego da novela e amplia alcance

Além do Tempo, criada e escrita por Elizabeth Jhin com direção de núcleo de Rogério Gomes, volta ao ar em edição especial e recupera um dos enredos mais ambiciosos da teledramaturgia recente. A novela mistura melodrama clássico, trama de época e elementos espirituais, apostando na ideia de que amores, ódios e dívidas morais atravessam gerações.

O salto de 100 anos, que encerra a primeira etapa e inaugura uma nova fase, oferece à Globo uma forma de apresentar, na mesma reprise, duas “temporadas” distintas: a história inicial e a reencarnação dos personagens em outro tempo. A estratégia dialoga com diferentes perfis de espectadores, dos que preferem o folhetim de época aos que se interessam por tramas contemporâneas e pelo tema da vida após a morte.

Enquanto isso, sites especializados em TV abastecem diariamente os fãs com resumos, bastidores e spoilers. A pergunta que move a segunda fase nasce justamente da tragédia desta semana: depois de um tiro que rompe uma família e de um século inteiro passado na ficção, será possível corrigir um erro tão profundo em outra vida?

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