O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) voltou a negar qualquer irregularidade no contrato de consultoria firmado entre sua empresa, a A&M Consultoria Ltda., e o Banco Master, no valor de R$ 3,6 milhões. Durante entrevista à TV Aratu, ele afirmou que o trabalho foi realizado com transparência e dentro da legalidade.
Segundo ACM Neto, os contratos foram celebrados após o fim de seu mandato como prefeito, quando passou a atuar na iniciativa privada. Ele destacou que a empresa presta consultoria em análise política para diferentes clientes e que o Banco Master não foi o único contratante.
Contrato após a prefeitura e foco na iniciativa privada
ACM Neto relata que o acordo entre o Banco Master e a A&M Consultoria Ltda., da qual é sócio, nasce quando ele já está fora de qualquer função na administração. “O contrato foi celebrado em um período no qual eu já não exercia cargo público”, diz o ex-prefeito, ao detalhar a operação.
Ele lembra que deixa o comando da capital baiana no início de 2021 e, a partir daí, concentra a atuação na iniciativa privada. A A&M, segundo ele, se dedica à análise política para empresas interessadas em entender o ambiente institucional, o impacto de decisões em Brasília e nos estados e o risco regulatório em seus negócios.
O valor de R$ 3,6 milhões, distribuído ao longo da vigência do contrato, reforça o peso do Banco Master na carteira de clientes, mas ACM Neto insiste que não se trata de uma relação exclusiva. A consultoria, diz ele, atende “diversos clientes” e oferece diagnósticos de cenário, mapeamento de atores políticos e recomendações estratégicas.
Transparência, notas fiscais e linha tênue entre política e negócios
No centro das dúvidas que circulam nas redes e em bastidores políticos está o risco de conflito de interesses, comum quando ex-gestores migram para o mercado de consultoria. ACM Neto tenta afastar essa suspeita ao dizer que todo o contrato com o Banco Master segue as regras tributárias e de compliance.
“Todo o trabalho foi realizado com transparência e dentro da legalidade”, afirma. O ex-prefeito destaca que há contrato formal, emissão de notas fiscais e registro contábil dos serviços prestados, prática que, segundo ele, permite eventual auditoria por órgãos de controle ou por estruturas internas do banco.
Ele também busca traçar um limite nítido entre sua trajetória política e a atividade empresarial atual. “Nunca tratei de assuntos relacionados à administração de Salvador ou do Estado da Bahia no âmbito da consultoria”, afirma. A mensagem é que o conteúdo entregue ao Banco Master não envolve decisões de governo, obras, contratos públicos ou acesso privilegiado a informações da máquina estatal.
Impacto na imagem do Banco Master e pressão por explicações
O Banco Master acompanha o caso com atenção, ciente de que contratos dessa magnitude, associando serviços de consultoria política e figuras públicas, podem contaminar a imagem institucional. Termos como “Banco Master o que aconteceu” e “Banco Master caso” passam a aparecer em buscas na internet, ao lado de consultas mais rotineiras sobre “Banco Master app”, “Banco Master consignado” ou “Banco Master telefone”.
A instituição não se torna alvo direto de denúncias criminais, mas fica exposta à curiosidade de clientes e investidores, que querem saber “Banco Master onde fica”, como funciona o atendimento via “Banco Master WhatsApp” e que tipo de assessoramento político ela contrata para sustentar seus planos de expansão. A linha oficial, até aqui, é monitorar a repercussão e reforçar controles internos, sem alimentar a polêmica.
Em bastidores do mercado financeiro, executivos avaliam que bancos e grandes empresas continuarão contratando consultorias desse tipo, justamente para interpretar o jogo político que influencia juros, crédito consignado, desonerações e regulações setoriais. O ponto sensível permanece sendo a transparência: quem presta o serviço, com quais vínculos anteriores, e o que exatamente é entregue.
Quem ganha, quem perde e o que pode vir pela frente
O episódio joga luz sobre um movimento consolidado no Brasil: ex-prefeitos, ex-governadores e ex-ministros migram para o setor privado e monetizam o capital político acumulado. Eles se tornam conselheiros, palestrantes ou consultores, muitas vezes com contratos de milhões de reais.
Empresas como o Banco Master ganham acesso a leituras sofisticadas do cenário institucional, que podem influenciar decisões sobre crédito, risco e expansão geográfica. O setor de consultoria também se fortalece, ao incorporar nomes conhecidos e vender, junto com a análise, a sensação de proximidade com o poder.
Na outra ponta, a sociedade alimenta uma desconfiança antiga em relação à porta giratória entre poder público e mercado. Mesmo que o contrato de R$ 3,6 milhões seja formalmente regular, a percepção de que ex-agentes públicos atendem bancos e grandes grupos desperta questionamentos sobre influência indireta em políticas públicas e regulações sensíveis.
Órgãos de controle e entidades de transparência monitoram esse tipo de relação, atentos à eventual existência de informação privilegiada ou tráfico de influência. Não há, até aqui, investigação formal anunciada sobre o contrato entre a A&M Consultoria e o Banco Master, mas a própria fala de ACM Neto abre espaço para que auditores revisem documentos, notas fiscais e registros internos.
Se surgirem novas denúncias ou vazamentos que indiquem mistura entre interesses privados e decisões oficiais, o caso pode ganhar dimensão de escândalo político e respingar em futuras disputas eleitorais. Por ora, o ex-prefeito aposta na exposição pública e na ênfase em “transparência e legalidade” como antídoto para danos à imagem – sua e do banco.