O aumento de casos de hepatite A em São Paulo voltou a chamar a atenção de especialistas para um problema antigo, mas que ainda afeta milhões de brasileiros: a falta de saneamento básico. A doença, causada por um vírus que atinge o fígado, é transmitida principalmente pela chamada via fecal-oral, quando há contato com água ou alimentos contaminados por fezes.
Embora a infecção possa ocorrer em diferentes situações, profissionais da área da saúde alertam que a ausência de coleta e tratamento de esgoto continua sendo um dos principais fatores que favorecem a circulação do vírus em comunidades mais vulneráveis.
Por que a falta de saneamento aumenta o risco?
Quando o esgoto não recebe tratamento adequado, ele pode contaminar rios, córregos, reservatórios e até alimentos irrigados com água imprópria para consumo.
Nessas condições, o vírus da hepatite A consegue se espalhar com mais facilidade, especialmente em locais onde também há dificuldade de acesso à água potável e à higiene adequada.
Além do saneamento, o risco de transmissão também aumenta quando não há lavagem correta das mãos ou quando alimentos são preparados em condições inadequadas de higiene.
Como ocorre a transmissão?
A hepatite A é transmitida principalmente por:
consumo de água contaminada;
alimentos preparados com higiene inadequada;
contato com pessoas infectadas;
ambientes com deficiência de saneamento básico.
Em alguns casos, surtos também podem estar relacionados ao consumo de alimentos contaminados ou a situações de transmissão em ambientes coletivos.
Quais são os sintomas?
Muitas pessoas, especialmente crianças, podem não apresentar sintomas. Quando eles aparecem, os mais comuns incluem:
febre;
mal-estar;
cansaço intenso;
náuseas;
vômitos;
dor abdominal;
perda de apetite;
urina escura;
pele e olhos amarelados (icterícia).
Na maioria dos casos, a doença evolui para a cura espontânea, mas alguns pacientes podem desenvolver complicações, principalmente adultos e idosos.
Como prevenir a hepatite A?
Especialistas reforçam que a prevenção depende de um conjunto de medidas.
Entre as principais estão:
vacinação nos grupos indicados;
consumo de água tratada;
higiene frequente das mãos;
preparo adequado dos alimentos;
ampliação da coleta e do tratamento de esgoto.
O investimento em saneamento básico é considerado uma das estratégias mais eficazes para reduzir a circulação de doenças transmitidas por água e alimentos contaminados.
O que pode acontecer agora?
O aumento de casos reforça a necessidade de vigilância epidemiológica e de investimentos em infraestrutura urbana. Especialistas também destacam a importância de campanhas de conscientização para orientar a população sobre formas de prevenção e incentivar a busca por atendimento médico diante dos primeiros sintomas.
ENTENDA O CONTEXTO
A hepatite A é uma infecção viral que provoca inflamação no fígado e tem como principal forma de transmissão o contato com água ou alimentos contaminados por fezes. Por isso, a doença está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e higiene.
Nas últimas décadas, a ampliação do acesso à água tratada, à vacinação e ao tratamento de esgoto ajudou a reduzir a incidência da doença em diversas regiões. Mesmo assim, áreas com infraestrutura precária continuam mais vulneráveis ao surgimento de novos casos, tornando o saneamento uma das principais ferramentas para a prevenção da hepatite A.