O Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, deve ganhar uma nova capacidade operacional com a implantação do sistema IFR, tecnologia que permite pousos e operações por instrumentos. A notícia foi compartilhada pelo Diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Chagas, que falou com exclusividade ao NC News durante o LABACE 2026.
O executivo explicou que a implantação do IFR representa um avanço importante para o aeroporto, que atualmente depende principalmente de condições visuais para realizar suas operações.
Segundo ele, em períodos de mau tempo, a falta do sistema pode limitar pousos e decolagens. Com o novo recurso, aeronaves poderão operar em condições de visibilidade mais restritas e o aeroporto poderá estudar uma ampliação dos horários de funcionamento.
“O IFR é um equipamento que ajuda nos pousos de precisão. É o pouso por instrumentos. Hoje aqui no aeroporto, quando tem um mau tempo ele fecha, à noite a operação é restrita, então o IFR vai aumentar a capacidade aqui do Campo de Marte”, afirmou Tiago Chagas.
A feira de aviação executiva começou nesta terça-feira (4) reunindo 55 aeronaves, grandes fabricantes internacionais e empresas que movimentam um setor em expansão no Brasil. O repórter Bruno Silva acompanha a cobertura do evento e ouviu autoridades e executivos sobre os investimentos e os novos caminhos da aviação de negócios.
Nova operação será implantada de forma gradual
Apesar da expectativa do setor, o funcionamento do IFR no Campo de Marte será realizado em etapas. O presidente da Anac explicou que, inicialmente, o sistema deverá operar em horários específicos até que os órgãos responsáveis avaliem a evolução da operação e possíveis ajustes nas rotas de aproximação.
“Num primeiro momento também, em horários específicos, não vai ser todos os horários do dia, até que se estude, até que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DCEA) entenda o quão maduro isso está, ou redesenhe, reestude as aproximações”, explicou.
A implantação também precisa considerar a integração entre os principais aeroportos da Grande São Paulo.
Ainda de acordo com Diretor-presidente da Anac, o objetivo é garantir que Campo de Marte, Congonhas e Guarulhos possam funcionar de maneira coordenada. “A ideia realmente é termos três aeroportos aqui funcionando harmoniosamente e sem um impactar no outro”, completou.
PAX Aeroportos projeta expansão de hangares
Além das melhorias operacionais, a infraestrutura do aeroporto também está entre os principais temas da LABACE 2026.
O repórter Bruno Silva conversou com exclusividade com o CEO da PAX Aeroportos, Rogerio Prado, que revelou os planos de expansão da empresa para ampliar a estrutura destinada à aviação executiva.
Segundo ele, a companhia trabalha com projetos de curto, médio e longo prazo.
“A gente tem um planejamento já de curto prazo que envolve a construção de lotes, de hangares, e temos também um planejamento de médio e longo prazo para uma nova área de hangares, mais próxima à pista”, afirmou Rogerio Prado.
O executivo explicou que uma nova etapa depende de projetos, licenciamento e aprovações, com expectativa de desenvolvimento em um prazo de dois a três anos.

CEO da PAX Aeroportos, Rogerio Prado. Foto: NC NEWS
LABACE 2026 mostra crescimento da aviação executiva brasileira
A declaração do presidente da Anac acontece em um momento de forte expansão do setor. O Brasil possui atualmente a segunda maior frota de aviação de negócios do mundo, com 11.375 aeronaves, atrás apenas dos Estados Unidos.
Segundo dados da Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), organizadora da LABACE, o número de pousos e decolagens da aviação geral cresceu 12,18% nos últimos 12 meses.
A expectativa da organização é superar US$ 150 milhões em negócios durante os três dias da feira.
Feira reúne 55 aeronaves e grandes novidades do setor
A LABACE 2026 reúne fabricantes, operadores, empresas de manutenção e representantes da indústria mundial de aviação.
Entre os destaques estão o Pilatus PC-12 PRO, apresentado pela Synerjet; o HondaJet Elite II, levado pela Líder Aviação; o Vision Jet G3, da Cirrus Aircraft; o helicóptero ACH145, da Helibras; além de aeronaves da TAM Aviação Executiva, Solojet, Daher Aircraft e Amaro Aviation.
Entenda o contexto
O Aeroporto Campo de Marte passa por um momento estratégico para a aviação executiva brasileira.
Com o crescimento da frota, aumento das operações e investimentos em infraestrutura, o setor busca ampliar a capacidade dos aeroportos e oferecer mais eficiência aos usuários.
A implantação do IFR é considerada uma das mudanças mais importantes para o futuro do aeroporto, já que pode permitir maior regularidade operacional e ampliar as possibilidades de atendimento à aviação geral. A LABACE 2026 acontece até quinta-feira (6), no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.