Neymar provoca Remo e gera polêmica na Copa do Brasil 2026

Atitude de Neymar após vitória do Santos gera discussão sobre rivalidade e desigualdade financeira no futebol brasileiro.
Redação NC News
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Neymar deixa o gramado em Belém sob vaias e celulares apontados. Minutos antes, o camisa 10 do Santos grita “eliminado!” em direção a representantes do Remo, logo depois do gol que sela a classificação alvinegra às quartas de final da Copa do Brasil. A cena inflama o clube paraense, repercute nas redes e abre uma discussão que vai além do placar de 1 a 0.

O lance decisivo nasce dos pés de Neymar, que entra no segundo tempo, ganha a disputa pela esquerda e cruza rasteiro para Rony, o “R. Rústico”, finalizar de primeira. O gol confirma o favoritismo de um Santos recheado de investimento contra um Remo que ainda se acostuma à elite do Brasileiro. A provocação do camisa 10, porém, vira o principal assunto da noite.

Jogo tenso, expulsão e gol com roteiro irônico

O clima no estádio do Remo é de decisão desde o apito inicial. O time da casa assusta cedo, com duas chances seguidas desperdiçadas por Alef Manga e Jajá, obrigando o goleiro Gabriel Brazão a trabalhar. O Santos responde com boas jogadas de Caballero, explorando os espaços deixados pela defesa paraense.

A partida muda quando Anderson Daronco é chamado pelo árbitro de vídeo para rever um cartão em Marllon. O amarelo ao zagueiro do Remo se transforma em vermelho, e a equipe azulina passa a jogar com um a menos ainda no primeiro tempo. Com superioridade numérica, o time de Cuca assume o controle e empurra o adversário para o próprio campo, mas esbarra em Marcelo Rangel e na própria ansiedade.

Depois do intervalo, o técnico santista aciona Neymar, que entra no lugar de Gabriel Bontempo. A presença do astro arrasta a marcação e muda a dinâmica ofensiva. Rollheiser quase abre o placar em jogada individual, desviada no caminho e defendida por Rangel. Do outro lado, Marcelinho e Zé Welison respondem com chutes perigosos, um deles explodindo na trave de Brazão.

Neymar chega a preocupar ao cair no gramado sentindo dores no tórax após dividida. Yago Pikachu aponta para o banco e pede substituição, mas o camisa 10 recebe atendimento, volta e permanece até o fim. Quando a partida começa a caminhar para um 0 a 0 nervoso, ele aparece na jogada que decide a noite.

Provocação, xingamento e debate sobre desigualdade

Aos gritos vindos das arquibancadas, Neymar recupera a bola pela esquerda, ganha no corpo de Zé Welison e cruza rasteiro. Rony, que estampa “R. Rústico” na camisa em alusão ao apelido criado na época em que jogava no próprio Remo, aparece na área e manda para a rede. O gol vale vaga, prêmio e respiro esportivo ao Santos.

Logo depois, a provocação. Um vídeo que circula nas redes mostra Neymar caminhando e gritando “eliminado!” em direção à área destinada aos representantes do Remo. Uma pessoa com a camisa azulina não deixa barato e devolve: “Tu é um bosta”, apontando o dedo para o jogador. A troca de ofensas resume a tensão de um confronto marcado por abismo financeiro e pressão esportiva.

O Remo termina a noite eliminado da Copa do Brasil e com a sensação de ter resistido enquanto pôde, especialmente após a expulsão de Marllon. O clube paraense, recém-chegado à Série A, joga a competição como chance rara de visibilidade e receita extra. O Santos, ao contrário, encara a vaga como obrigação mínima para um elenco caro e estrelado.

Essa disparidade é o eixo da análise do comentarista Mauro Cezar, que critica o peso dado à atuação do camisa 10. “O Clube do Remo veio da Série C para a Série B, da Série B para a Série A. É um dos clubes de menor investimento do Campeonato Brasileiro, luta pela permanência na primeira divisão. E o Santos tem um investimento alto, não só o Neymar, que é o mais caro jogador do futebol brasileiro, não é isso? Como outros bons e caros jogadores, embora não formem uma boa equipe”, afirma, em programa ao vivo.

‘Obrigação’ do Santos e o papel dos ídolos

Na mesma análise, Mauro Cezar vai além e diz que a classificação santista não deveria ser tratada como façanha. “Obrigação! Dois jogos, tem obrigação de classificar. Se o Remo se classifica, é um grande feito do Remo. Se o Santos é desclassificado, é normal, dois jogos. É demais! Ah, deu um passe para gol, nossa. Por que é que não deu um passe para gol lá contra a Noruega? Não deu passe para gol, né? Ali importava”, dispara.

A crítica mira não só Neymar, mas a forma como parte da mídia amplifica qualquer gesto do craque. A assistência para Rony, tecnicamente correta mas longe de ser uma jogada antológica, ganha espaço que, na visão do comentarista, ignora o contexto: um gigante nacional enfrentando um dos menores orçamentos da Série A em mata-mata de dois jogos.

No gramado, jogadores do Remo sentem a eliminação e já voltam o foco para a luta pela permanência no Brasileiro. O clube recebe o Atlético-MG em Belém, no sábado, às 18h30, pressionado por resultado depois de ver escapar uma rara oportunidade de avançar contra um rival de camisa pesada.

O Santos segue caminho oposto. A vaga nas quartas significa alívio financeiro imediato, com nova fatia de premiação da Copa do Brasil, e algum fôlego num ano irregular. A equipe volta a campo no domingo, às 18h30, em Salvador, contra o Athletico-PR, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, enquanto aguarda o sorteio da CBF que definirá o adversário na próxima fase.

Desigualdade em campo e no caixa

O episódio em Belém recoloca no centro do debate a distância entre os clubes no futebol brasileiro. O Remo vem de uma escalada recente, saindo da Série C até chegar à elite, mas ainda opera com um dos menores orçamentos da divisão. O Santos, mesmo em crise esportiva e administrativa, investe pesado em nomes como Neymar e outros jogadores caros, tentando reconstruir protagonismo.

No campo esportivo, isso se traduz em elenco mais profundo, capacidade de reposição e margem maior para lidar com expulsões, viagens e calendário apertado. No Remo, cada cartão vermelho pesa mais, cada lesão é um problema estrutural. A expulsão de Marllon, confirmada por Daronco após revisão do vídeo, força o time paraense a correr atrás do prejuízo com um jogador a menos por mais de uma hora.

A forma como ídolos se comportam diante dessa assimetria também entra na conta. A provocação de Neymar pode reforçar a imagem de competitividade e sangue quente que agrada parte da torcida santista, mas alimenta a percepção de desrespeito entre torcedores rivais e dirigentes de clubes menores. Em um cenário em que patrocinadores e marcas cobram responsabilidade de suas estrelas, gestos como o grito de “eliminado!” não são neutros.

O apito final em Belém encerra o confronto, mas não a conversa. O Santos sai com a vaga, o prêmio e a narrativa de um craque decisivo. O Remo, com a eliminação, a bronca pela arbitragem e a missão de digerir uma provocação que ecoa além do estádio. O próximo sorteio da Copa do Brasil e a sequência do Brasileiro dirão se o impacto desse jogo fica restrito às quatro linhas ou se alimenta, de fato, uma discussão mais ampla sobre ética, rivalidade e equilíbrio financeiro no futebol nacional.

Neymar pode ser punido por gritar “eliminado!” ao Remo?

Neymar pode ser punido se a súmula da partida ou relatórios da arbitragem apontarem que o grito de “eliminado!” configurou provocação ofensiva ou conduta antidesportiva, o que abriria caminho para denúncia em tribunal esportivo; sem registro oficial, o episódio tende a ficar apenas na esfera moral e midiática.

Por que a classificação do Santos é tratada como obrigação?

A classificação do Santos é tratada como obrigação porque o clube tem investimento alto, elenco caro liderado por Neymar e orçamento bem superior ao do Remo, que acabou de chegar à Série A e luta apenas para se manter; nesse contexto, cair em dois jogos para um time de menor investimento seria visto como fracasso.


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