A influenciadora digital trans Nick Frazão, conhecida por ostentar viagens de luxo para mais de 100 mil seguidores, está presa e responde por suspeita de roubos qualificados e agressões na Zona Norte do Rio. A Polícia Civil investiga ao menos dois ataques contra vítimas atraídas para encontros marcados pela internet.
Como a influenciadora virou alvo da 17ª DP
O caso ganha corpo quando uma vítima procura a 17ª DP (São Cristóvão) para relatar um programa sexual combinado na região da Rua Ceará, área conhecida pela prostituição. O encontro, segundo o depoimento, termina em violência dentro de um Hyundai Creta azul.
De acordo com a investigação, o homem contrata uma garota de programa, entra no carro, mas desiste do programa ao perceber uma situação diferente da combinada e ao descobrir que se tratava de uma mulher trans. Ele afirma ter sido agredido, empurrado para fora do veículo e roubado.
No registro, o roubo atinge um cordão de ouro avaliado em cerca de R$ 14 mil. A vítima aponta Nick como autora do ataque. “A vítima reconheceu a influenciadora por fotografia e identificou o perfil dela nas redes sociais”, informa a Polícia Civil.
Prisão em casa de luxo e apreensão de armas improvisadas
Com o relato em mãos e cruzamento de dados internos, o setor de inteligência da 17ª DP identifica semelhanças com outro inquérito de roubos na região de São Cristóvão e da Quinta da Boa Vista. A suspeita passa a ser monitorada até ser localizada em uma casa de luxo em Paciência, na Zona Oeste.
Agentes da 17ª DP, com apoio das delegacias da Praça Seca (28ª DP) e de Inhaúma (44ª DP), cumprem mandado de prisão no imóvel. No local, encontram um Hyundai Creta azul modelo 2022, com as mesmas características descritas em pelo menos dois inquéritos da unidade.
Dentro do carro, os policiais apreendem objetos que, para a investigação, indicam preparo para violência: um bastão de beisebol com tema da Barbie, um bastão retrátil metálico, spray de pimenta e uma faca. Todo o material é periciado e anexado ao processo como possível instrumento de roubo e ameaça.
Suspeita de quadrilha, ameaças e histórico criminal
Nick Frazão, nome artístico de Nicolly Evangelista do Carmo, não é desconhecida da polícia. Investigadores apontam antecedentes criminais e um histórico de crimes semelhantes, sempre orbitando o universo de exploração sexual e encontros marcados pelas redes.
Ela agora é apurada não só como autora de roubos qualificados, mas como possível integrante de uma quadrilha que atuaria na Zona Norte. Segundo a investigação, o grupo miraria clientes de programas sexuais e usaria a surpresa, a intimidação e a violência para tomar bens de maior valor, como joias e celulares.
Os agentes apuram ainda relatos de ameaças contra outras garotas de programa, que teriam sido coagidas a pagar ou a se afastar de determinados pontos de prostituição. Há suspeita de que o prestígio digital da influenciadora ajudasse a consolidar poder e influência no meio.
Rede social, ostentação e crime fora da tela
O contraste entre o conteúdo publicado e a acusação reforça o impacto do caso. No Instagram, Nick exibe viagens, looks de grife e bastidores do podcast PodT+, focado em pautas trans. Na investigação, aparece como figura central de ataques violentos em ruas e estacionamentos da Zona Norte.
A prisão repercute nas redes e reacende o debate sobre o uso de perfis influentes para encobrir atividades criminosas. A Polícia Civil destaca que encontros marcados on-line, sobretudo em contextos de prostituição, expõem pessoas a alto risco quando não há ambiente controlado.
Segundo a corporação, o caso de Nick não é isolado. Delegacias especializadas em roubos e extorsões já mapeiam grupos que usam a internet como vitrine, atraindo vítimas para emboscadas. A diferença, agora, é a visibilidade de uma influenciadora que monetiza a própria imagem enquanto responde por crimes violentos.
Impacto na segurança e próximos passos da investigação
Para a segurança pública, a captura de uma figura de destaque em redes sociais representa um freio pontual em uma modalidade de roubo que mistura exposição digital, vulnerabilidade e violência. A apreensão do Hyundai Creta e das armas improvisadas dificulta a continuidade do mesmo modus operandi por parte do grupo investigado.
Investigadores da 17ª DP rastreiam boletins de ocorrência com dinâmica parecida: encontros arranjados em São Cristóvão, Quinta da Boa Vista e arredores, uso de veículo semelhante e vítimas expulsas do carro sob agressões. O objetivo é entender a real extensão da atuação de Nick e de eventuais comparsas.
Em nota, a Polícia Civil afirma que “as investigações continuam para apurar se a influenciadora participou de outros casos com características semelhantes”. A defesa de Nick ainda não se manifesta publicamente.
O caso agora segue para a Justiça, que decide sobre manutenção da prisão e possíveis medidas cautelares. No curto prazo, a prisão serve de recado a redes que lucram com exploração sexual e violência, e de alerta a quem marca encontros pela internet sem avaliar riscos mínimos de segurança.
Quem é Nick Frazão e por quais crimes ela foi presa?
Nick Frazão é o nome artístico de Nicolly Evangelista do Carmo, influenciadora digital trans com mais de 100 mil seguidores no Instagram e apresentadora do podcast PodT+, presa por suspeita de pelo menos dois roubos qualificados com agressão na Zona Norte do Rio e investigação por atuação em quadrilha.
Onde Nick Frazão foi presa por roubo e agressão?
Nick Frazão foi presa por policiais civis em uma casa de luxo no bairro de Paciência, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, após ser localizada pelo setor de inteligência da 17ª DP, que apura roubos qualificados e agressões cometidos na região de São Cristóvão e da Quinta da Boa Vista, na Zona Norte.