Edson Cardoso, o Jacaré do É o Tchan, deixa de vez a carreira artística e assume a rotina de supervisor em uma empresa de restauração de casas em Vancouver, no Canadá. O ex-dançarino coordena equipes que esvaziam e reorganizam imóveis atingidos por alagamentos e incêndios, enquanto engata paralelamente trabalhos publicitários ligados à imigração de brasileiros.
Do pagode baiano aos sinistros de seguro em Vancouver
Nascido em Salvador e símbolo da fase mais popular do É o Tchan, Jacaré troca os palcos por um setor que a maioria dos fãs jamais imagina. Depois de se mudar para o Canadá com a esposa, Gabriela Mesquita, e os filhos, Rafael e Bia, ele tenta primeiro seguir nos holofotes. Faz figuração em séries de TV, mas a carreira internacional como artista não decola.
Diante da dificuldade de viver de arte em outro país, ele migra para um ramo em alta nas grandes cidades canadenses: a restauração de casas após sinistros. “Eu trabalho em uma empresa de restauração. O que acontece é que aqui tem muito alagamento nas casas, ou incêndios. E aí, quando acontecem essas coisas, o seguro contata a empresa que eu trabalho e a empresa vai lá e faz a reforma”, explica.
O trabalho nasce da geografia e do clima locais. Chuvas intensas, falhas em encanamentos e problemas elétricos provocam danos frequentes em residências. Companhias seguradoras acionam empresas especializadas para salvar o que for possível, reconstruir estruturas e devolver uma casa funcional às famílias atingidas.
Cargo de chefia e rotina longe dos holofotes
Dentro dessa cadeia de serviços, Jacaré já chega ao posto de liderança. “Hoje, sou supervisor do setor de ‘contents’, que é o que cuida das coisas dentro da casa: móveis, roupas, tudo. Eu deixo a casa vazia, e depois coloco tudo de volta no lugar. Quer dizer, minha equipe, meu setor”, detalha.
O ex-dançarino passa a comandar funcionários que embalam pertences, retiram móveis, catalogam objetos, acompanham a reforma e devolvem tudo, peça por peça, aos cômodos originais. É um trabalho meticuloso, que exige planejamento e organização, distante da espontaneidade que marcava os passos de “Ralando o Tchan” e “É o Tchan no Havai”.
Em vez de coreografias ensaiadas e shows lotados, a rotina inclui visitas técnicas, prazos definidos por seguradoras e metas de produtividade. A antiga figura do dançarino atlético hoje se traduz no gestor que responde por um setor inteiro, com responsabilidade direta sobre a experiência de famílias que acabam de atravessar um trauma doméstico.
Publicidade e apoio a brasileiros que querem emigrar
Longe da televisão, Jacaré também reencontra, de outro modo, o universo das câmeras. Ele passa a protagonizar campanhas publicitárias de uma empresa que auxilia brasileiros interessados em se mudar para o Canadá. O foco são relatos em primeira pessoa sobre adaptação, trabalho e qualidade de vida.
Nesse segundo front profissional, a família vira parceira de negócios. Gabriela Mesquita, sua esposa, atua como consultora de imigração e aparece ao lado do ex-dançarino para explicar caminhos legais, custos e desafios do processo. O casal transforma a própria história em vitrine para quem sonha repetir o mesmo movimento.
A residência permanente, concedida à família em 2023, consolida o plano de longo prazo. O documento encerra a fase de incerteza renovada a cada visto temporário e abre espaço para projetos mais ambiciosos, como a possibilidade de novos empreendimentos na área de apoio a imigrantes.
Recomeço, qualidade de vida e vínculos com o É o Tchan
Mesmo à distância, o passado com o É o Tchan segue vivo na memória do público. O grupo, que revelou nomes como Carla Perez, Scheila Carvalho e Sheila Mello e volta à cena em comemorações de 30 anos, mantém repertório forte nas buscas por “É o Tchan letra”, “É o Tchan original” e versões clássicas como “É o Tchan no Havai”.
A trajetória de Jacaré, porém, toma rumo próprio. Ele não acompanha o grupo em turnês regulares nem tenta reeditar a parceria de forma permanente. O reencontro fica restrito a participações pontuais, como aparições em trios elétricos na Bahia, que acionam o saudosismo dos fãs e alimentam o interesse por “É o Tchan show” e pela formação atual da banda.
Em Vancouver, o discurso é de pertencimento. “Amo o Brasil, amo o meu Salvador. Mas minha vida está aqui. Eu já construí tudo aqui. Meus filhos são cariocas, nasceram no Rio, mas se dizem canadenses. Aqui foi o meu recomeço”, afirma. A palavra recomeço resume a opção tomada ainda quando o contrato com a TV aberta termina e a dança deixa de garantir estabilidade.
Hoje, qualidade de vida pesa mais que nostalgia. “Qualidade de vida. Você trabalha e consegue viver. O poder de compra daqui, e a segurança, que vem em primeiro lugar”, diz, ao explicar por que permanece em Vancouver mesmo com convite frequente para voltar a dançar no Brasil.
Fenômeno de migração e reinvenção de carreira
A guinada de Jacaré espelha um movimento mais amplo de brasileiros que deixam profissões consolidadas no país para tentar estabilidade em outra economia. No caso dele, a troca da dança por um cargo de chefia em serviços técnicos e gerenciais sintetiza uma reinvenção radical, que mistura necessidade financeira, preocupação com a família e a leitura de que o auge artístico ficou no passado.
O setor de restauração residencial, impulsionado por sinistros cobertos por seguro, oferece demanda constante em cidades como Vancouver. Permite planejamento, salário previsível e perspectiva de ascensão, algo raro na carreira de artista, dependente da popularidade e de contratos renovados ano a ano.
Para o entretenimento brasileiro, a perda é simbólica. O É o Tchan segue em atividade, atualiza formações e volta a ser pauta ao completar 30 anos, mas um de seus rostos mais conhecidos prefere a discrição de um uniforme de trabalho canadense. O contraste alimenta debates sobre como o sucesso em programas de TV e hits de rádio nem sempre se converte em segurança futura.
Os próximos capítulos da história de Jacaré tendem a reforçar essa mudança de eixo. Com residência permanente garantida e um posto consolidado de supervisão, ele tem espaço para crescer ainda mais na empresa de restauração ou expandir a atuação ligada à imigração. A imagem do dançarino de axé, embora eterna para parte do público, já não define sozinho quem ele é no presente.
Que fim deu o Jacaré do É o Tchan?
Edson Cardoso, o Jacaré, ex-dançarino do É o Tchan, mora hoje em Vancouver, no Canadá, onde trabalha como supervisor do setor de “contents” em uma empresa de restauração de casas atingidas por alagamentos ou incêndios, e ainda faz campanhas publicitárias ligadas à imigração de brasileiros.
Qual é a nova carreira do Jacaré, ex-É o Tchan, no Canadá?
Edson Cardoso assume atualmente a função de supervisor do setor de “contents” em uma empresa canadense especializada em restaurar casas danificadas por sinistros, coordenando equipes que esvaziam, catalogam e recolocam móveis e pertences após reformas, além de atuar em publicidade para uma empresa que auxilia brasileiros interessados em emigrar para o Canadá.
Jacaré do É o Tchan tem cargo de chefia no Canadá?
Jacaré ocupa hoje um cargo de chefia no Canadá: ele é supervisor do setor de “contents” em uma empresa de restauração residencial em Vancouver, liderando uma equipe responsável por retirar móveis e objetos de casas afetadas por alagamentos e incêndios e depois devolvê-los, organizados, aos mesmos ambientes após as reformas.
O que aconteceu com o grupo É o Tchan após os anos 90?
O grupo É o Tchan segue em atividade após os anos 90, mantém shows, atualiza formações e recentemente celebra 30 anos de história, mantendo vivo o repertório de sucessos como “É o Tchan no Havai” e “Ralando o Tchan”, embora ex-integrantes como Jacaré tenham seguido caminhos profissionais distintos, inclusive fora do Brasil.
Quem são os membros atuais do É o Tchan?
O grupo É o Tchan mantém hoje uma formação ativa, mas, nas informações disponíveis, não há uma lista detalhada dos membros atuais; o destaque permanece para nomes marcantes do passado, como Carla Perez, Scheila Carvalho, Sheila Mello e Jacaré, que ajudaram a consolidar o sucesso da banda nos palcos brasileiros.
Como é a formação atual do É o Tchan?
A formação atual do É o Tchan segue em atividade, realizando shows e comemorando três décadas de carreira, porém as fontes citadas não detalham a composição exata do elenco atual, limitando-se a relembrar integrantes históricos como Carla Perez, Scheila Carvalho, Sheila Mello e o próprio Jacaré, hoje em carreira fora da música.