PL mantém vice de Flávio Bolsonaro apesar de acusações e pressão interna

Cúpula do partido descarta trocar Alfredo Gaspar e prepara estratégia para blindar chapa antes do início da campanha eleitoral
Redação NC News
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A direção do PL decidiu manter Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Apesar das críticas dentro do próprio partido e de questionamentos envolvendo o deputado alagoano, a cúpula da legenda não trabalha, neste momento, com a possibilidade de substituir o nome.

A escolha de Gaspar provocou reação entre aliados que defendiam uma mulher para ocupar a vaga. A estratégia era ampliar o alcance da candidatura e tentar conquistar eleitores que ainda resistem ao bolsonarismo.

Agora, a campanha concentra esforços para reduzir o desgaste provocado pela escolha e evitar que as controvérsias envolvendo o deputado dominem a corrida presidencial.

PL não prevê troca de Alfredo Gaspar

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho, mantêm a decisão pela permanência de Gaspar.

A sinalização dada pela cúpula é de que uma mudança só aconteceria caso o próprio deputado desistisse da candidatura.

A pressão aumentou após a divulgação de informações sobre uma acusação de estupro de vulnerável, que Gaspar nega, e sobre questionamentos relacionados a uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 6,2 milhões destinada a São José da Laje, em Alagoas.

Acusação de estupro é principal preocupação da campanha

O caso envolvendo a acusação é considerado um dos pontos mais delicados para a campanha de Flávio Bolsonaro.

A denúncia foi levada à Polícia Federal pelo deputado Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke durante a fase final da CPMI do INSS, da qual Gaspar era relator.

Os parlamentares pediram investigação sobre uma suspeita envolvendo uma adolescente de 13 anos. A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para abrir um inquérito. O procedimento está sob sigilo e é relatado pelo ministro Gilmar Mendes.

Até o momento, o STF não autorizou a abertura da investigação.

Gaspar nega as acusações e afirma que o caso citado pelos parlamentares envolve um primo, e não ele. O deputado também recorreu ao Supremo para tentar acelerar a realização de um exame genético.

A defesa quer que seja feito um teste de DNA para esclarecer a relação de Gaspar com a criança mencionada na denúncia.

Deputado também é questionado por emenda de R$ 6,2 milhões

Outro episódio que entrou no radar da campanha envolve uma chamada “emenda Pix” indicada por Gaspar para o município de São José da Laje.

O Tribunal de Contas da União apontou problemas relacionados ao acompanhamento da execução dos recursos. Diante das suspeitas, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal analise possíveis irregularidades.

Gaspar nega ter cometido qualquer ilícito. O deputado afirma que o assunto voltou a ser explorado em meio ao acirramento político provocado pelo anúncio de sua candidatura.

Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República analisou o caso e arquivou o procedimento por não identificar elementos que justificassem a continuidade da apuração.

Por que Flávio Bolsonaro escolheu Alfredo Gaspar?

A escolha aconteceu depois de a campanha não conseguir fechar uma aliança com partidos do Centrão que poderiam indicar uma mulher para a vice.

Entre os nomes avaliados estavam Tereza Cristina, Daniella Marques e Renata Abreu. As negociações, porém, esbarraram na decisão de partidos dessas políticas de não apoiar oficialmente nenhuma candidatura presidencial.

Com as opções externas praticamente descartadas, a articulação se voltou para nomes do próprio PL.

Gaspar acabou escolhido em uma negociação envolvendo Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho.

Vice alagoano é aposta para conquistar votos no Nordeste

Além da experiência política, a origem de Alfredo Gaspar pesou na escolha. Alagoano, o deputado é visto pela campanha como uma forma de ampliar a presença de Flávio Bolsonaro no Nordeste, região historicamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Gaspar foi promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas.

Na CPMI do INSS, ganhou projeção como relator e pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Flávio tenta compensar ausência de mulher na chapa

Apesar de ter desistido de colocar uma mulher como vice, Flávio Bolsonaro pretende manter ações voltadas ao eleitorado feminino.

O senador participa neste sábado (8), em Itapetininga, no interior de São Paulo, do evento “Café Entre Elas”, organizado pela deputada federal Simone Marquetto.

A parlamentar chegou a ser considerada para a vice e foi citada por Flávio antes do anúncio de Gaspar.

A campanha também prepara propostas específicas para mulheres. Segundo Simone Marquetto, o encontro deste sábado já estava marcado antes da definição do candidato a vice e não foi organizado em reação às críticas provocadas pela escolha.

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