O que deveria ser um ambiente de aprendizado e segurança tornou-se o centro de uma grave investigação criminal em Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Duas alunas, de 14 anos, do 9º ano de uma escola municipal procuraram as autoridades para denunciar terem sido vítimas de estupro coletivo. Os apontados como autores do crime são cinco colegas de classe das adolescentes.
A Dinâmica da Violência e o Silêncio Forçado
Os abusos não consistiram em um evento isolado. De acordo com a advogada Luanny Porto, que atua na defesa das adolescentes, as violações ocorreram em momentos distintos, sendo o caso mais recente registrado na última segunda-feira (5).
A abordagem do grupo de cinco alunos seguia um padrão: o crime acontecia durante o horário do intervalo, aproveitando o momento em que as vítimas permaneciam dentro da sala de aula para lanchar. Para garantir que nada fosse revelado, os agressores impuseram um cenário de terror. As estudantes relataram que foram coagidas a manter o silêncio sob a ameaça direta de que seus familiares seriam assassinados caso denunciassem os fatos.
Crise de Ansiedade e o Rompimento do Silêncio
O ciclo de violência só foi interrompido dias depois, quando o trauma se manifestou fisicamente. Uma das adolescentes sofreu uma severa crise de ansiedade nas dependências da escola. A mãe foi chamada ao local e, ao chegar, tomou conhecimento da agressão sofrida pela filha.
A partir desse episódio, a mãe acionou imediatamente a Polícia Civil. A atitude encorajou a segunda estudante a quebrar o silêncio, revelando que havia sido submetida ao mesmo crime cometido pelo grupo semanas antes.
Possível Omissão da Gestão Escolar
Um dos pontos mais críticos que será investigado pela polícia é a suspeita de negligência por parte da direção da escola. Segundo a defesa, uma das vítimas chegou a pedir socorro à diretora da instituição logo após o crime.
Embora tenha prometido auxílio imediato à aluna, a gestora não comunicou o fato à família da vítima, deixando os responsáveis no escuro até o episódio da crise de ansiedade. “Isso causa muita revolta em nós”, destacou a advogada Luanny Porto, enfatizando que a polícia deve apurar formalmente a omissão escolar.
O Futuro das Vítimas e o Posicionamento Oficial
Ainda sob o impacto das ameaças de morte, as duas adolescentes encontram-se afastadas do convívio escolar. As famílias já formalizaram o pedido de transferência para outras unidades de ensino. Enquanto aguardam a realocação, as jovens recebem suporte direto do Conselho Tutelar.
Em resposta aos acontecimentos, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação, manifestou-se por meio de nota oficial. O órgão garantiu a abertura de um procedimento administrativo para apurar a conduta no âmbito escolar e ressaltou a colaboração com os órgãos competentes:
“O caso está sendo acompanhado em articulação com o Ministério Público, o Conselho Tutelar e as demais autoridades responsáveis pela investigação” — Secretaria Municipal de Educação.