Pesquisas apontam Lula à frente e acirram disputa com Flávio

Levantamentos nacionais indicam liderança de Lula, mas com vantagem reduzida e alta rejeição entre os principais candidatos.
Redação NC News
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As pesquisas eleitorais mais recentes para a Presidência em 2026 mantêm Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança, mas mostram Flávio Bolsonaro (PL) cada vez mais próximo, sobretudo nas simulações de segundo turno.

Lula lidera, mas diferença encolhe no primeiro turno

Três institutos nacionais — Nexus/BTG Pactual, Meio/Ideia e Genial/Quaest — divulgam nesta semana novos números para a sucessão presidencial. Os cenários convergem em um ponto central: Lula segue à frente, porém com vantagem menor e sob pressão do crescimento de Flávio.

Na Nexus/BTG Pactual, o quadro é o mais apertado. “A disputa entre Lula e Flávio aparece mais equilibrada. No primeiro turno, o presidente registra 41%, contra 37% do senador”, informa o relatório do instituto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, o que coloca os dois em empate técnico.

O levantamento Meio/Ideia indica uma folga um pouco maior para o petista: 43% das intenções de voto contra 35% de Flávio Bolsonaro, diferença de 8 pontos, dentro de uma margem de erro de 2,5 pontos. Já a Genial/Quaest mostra o maior distanciamento numérico, com Lula em 39% e o senador em 30%, nove pontos de vantagem.

Os três estudos são realizados praticamente no mesmo período, ouvindo entre 1.500 e 2.004 eleitores em diferentes regiões do país. A Nexus/BTG Pactual consulta 2.002 pessoas por telefone; a Genial/Quaest, 2.004 em 120 municípios; a Meio/Ideia, 1.500 entrevistados em todo o país. Todos registram nível de confiança de 95% e margens de erro entre 2 e 2,5 pontos.

Segundo turno encosta e acende alerta nas campanhas

As simulações de segundo turno reduzem ainda mais a distância entre governo e oposição. Na Nexus/BTG Pactual, “no segundo turno, a distância entre Lula e Flávio diminui ainda mais. O presidente tem 46%, contra 45% do senador”, afirma o instituto, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro.

Na Meio/Ideia, Lula marca 48,5% contra 43% de Flávio Bolsonaro, vantagem de 5,5 pontos. A Genial/Quaest aponta quadro semelhante: “No segundo turno, Lula mantém a liderança em todos os cenários testados. Contra Flávio, marca 44%, ante 39% do senador”, diferença de 5 pontos.

Pesquisa presencial encomendada pela UOL, realizada em meados de julho, reforça o desenho de disputa apertada. No primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio com 32%, em cenário estável. No confronto direto, o petista sobe para 48% contra 43% do senador, com 9% de brancos e nulos e 1% de indecisos, segundo o levantamento.

Os dados indicam um movimento claro: Lula mantém a dianteira, mas perde fôlego quando o eleitorado é forçado a escolher apenas entre os dois polos. A tendência favorece o senador do PL, que herda parte significativa dos votos hoje destinados a nomes da direita e do centro-direita.

Candidatos menores avançam pouco, mas rejeição é alta

Outros presidenciáveis seguem em patamares modestos. Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) oscilam entre 2% e 5% nas diferentes pesquisas, tecnicamente empatados na terceira posição. Nomes como Leonardo Avalanche (PRTB), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) aparecem com 1% ou menos.

Esse bloco de candidaturas alternativas enfrenta um teto estreito, apesar da alta insatisfação com os dois líderes. A pesquisa presencial divulgada pela UOL mostra que “Flávio Bolsonaro e Lula (PT) são os mais rejeitados pelos eleitores brasileiros: 48% dizem que não votariam de jeito nenhum no senador fluminense, e 46% rejeitam votar no atual presidente”.

O contraste chama atenção: enquanto a soma de apoios firmes ainda garante a Lula a liderança, o índice de rejeição dos dois principais nomes cria um contingente volumoso de eleitores em busca de alternativas viáveis. Até agora, porém, nenhum dos demais postulantes consegue converter esse mal-estar em salto consistente nas intenções de voto.

Mapa do voto mostra país fraturado em blocos

Os levantamentos também revelam um país segmentado por região, renda, escolaridade e religião. Lula se sai melhor entre mulheres, idosos, eleitores com ensino fundamental e moradores do Nordeste. Flávio Bolsonaro lidera entre eleitores evangélicos, pessoas com ensino superior e residentes no Sul do país.

Na prática, isso orienta as estratégias de campanha. O PT tende a reforçar sua presença em redutos tradicionais, como o Nordeste e periferias urbanas, mirando eleitores de menor renda e baixa escolaridade. O PL trabalha para consolidar a vantagem no Sul e ampliar o espaço entre evangélicos e classe média com ensino superior nas regiões Sul e Sudeste.

Essa divisão aprofunda a polarização, mas também abre flancos. Em estados mais equilibrados, candidatos médios como Caiado e Zema podem se apresentar como opções menos rejeitadas, capazes de dialogar com eleitores cansados da disputa binária. Nenhum deles, contudo, rompe por ora a barreira de um dígito.

Mercado, política e a corrida até outubro

A incerteza captada pelas pesquisas já se reflete no ambiente político e econômico. O risco de um segundo turno muito apertado preocupa setores que dependem de estabilidade, como o mercado financeiro e investidores estrangeiros, atentos a mudanças abruptas de humor na reta final.

Dentro dos comitês de campanha, o clima é de ajuste permanente. No entorno do presidente, a liderança numérica não basta. O desafio é ampliar a margem e reduzir a rejeição antes que o favoritismo se converta em desgaste. Os estrategistas de Lula discutem ações para consolidar apoios em segmentos ainda indecisos, com foco em classe média urbana e jovens.

Flávio Bolsonaro e o PL, por sua vez, ganham fôlego com a aproximação registrada nas últimas semanas. A avaliação é de que a narrativa de virada — de franco-atirador que encosta no presidente — pode mobilizar a base bolsonarista e atrair indecisos de direita. O desenho favorece uma campanha mais agressiva, mirando sobretudo temas morais, segurança pública e críticas à economia.

Os institutos de pesquisa já intensificam o calendário. A Nexus/BTG Pactual passa a divulgar levantamentos semanais, tendência que deve ser seguida por concorrentes até a votação de outubro. Cada nova rodada vira insumo imediato para recalibrar discursos, alianças e prioridades regionais.

O quadro que se desenha é de uma eleição aberta, mas fortemente polarizada. As próximas semanas dirão se a rejeição recorde a Lula e Flávio abre espaço real para um terceiro nome competitivo ou se, mais uma vez, o eleitorado caminhará para decidir o futuro do país entre dois projetos antagônicos e conhecidos.

Quais são os números das últimas pesquisas para presidente?

As quatro pesquisas nacionais mais recentes para presidente em 2026 mostram Lula entre 39% e 43% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro entre 30% e 37%, com margens de erro de 2 a 2,5 pontos e amostras de 1.500 a pouco mais de 2.000 eleitores.

Por que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro é considerada apertada?

A disputa é considerada apertada porque, nas simulações de segundo turno divulgadas por Nexus/BTG Pactual, Meio/Ideia, Genial/Quaest e UOL, Lula aparece com vantagens que vão de apenas 1 ponto percentual a cerca de 5,5 pontos, todas dentro ou muito próximas das margens de erro declaradas pelos institutos.


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