Lula sela trégua com Alcolumbre para destravar fim da escala 6×1 e dinheiro das ‘bets’ no Senado

Após meses de "guerra fria" e um jantar secreto mediado pelo STF, presidente corre contra o tempo para aprovar pautas cruciais na véspera das eleições.
Redação NC News
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A temperatura mudou nos corredores de Brasília. Após meses de rompimento aberto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), finalmente voltaram a sentar à mesma mesa na última terça-feira (4). O jantar de reconciliação, mediado diretamente pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, marca o início da operação “Salva Pauta” do governo.

A relação entre os dois caciques havia azedado em abril, quando o plenário do Senado aplicou uma derrota histórica a Lula ao rejeitar a indicação de seu candidato, o advogado-geral Jorge Messias, para uma vaga no STF — uma articulação que teve forte participação de Alcolumbre.

Com o humor restaurado após o encontro na casa de Moraes, a meta urgente do Palácio do Planalto é limpar a gaveta de projetos travados na Casa antes do início oficial da campanha eleitoral, que costuma esvaziar os trabalhos do Congresso.

O futuro da escala 6×1

A joia da coroa da pauta governista é a polêmica Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da desgastante escala 6×1. O projeto altera a Constituição para reduzir a jornada atual de 44 horas semanais para 42 horas iniciais, com a meta de atingir o limite de 40 horas semanais em um prazo de 14 meses (estabelecendo uma rotina preferencial de 5 dias de trabalho por 2 de descanso).

Apesar da alta popularidade entre os trabalhadores e da aprovação na Câmara dos Deputados em maio, o texto está completamente parado no Senado desde então, aguardando que Alcolumbre o libere para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Diante do risco de a votação ser adiada e o tema perder força para depois das eleições, o governo mobilizou sua base. Na próxima segunda-feira (10), movimentos sociais e centrais sindicais que se reuniram com o ministro Guilherme Boulos (PSol) planejam uma onda de manifestações em diversos estados para pressionar os senadores.

Dinheiro das apostas na Segurança

Outra batalha decisiva do governo envolve a PEC da Segurança Pública, que cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Aprovada na Câmara, a medida carrega um artigo explosivo e bilionário em seu interior.

Se avançar no Senado, a nova regra prevê a destinação de 30% de toda a arrecadação em impostos sobre as casas de apostas esportivas (as famosas ‘bets’) diretamente para o Fundo Nacional de Segurança Pública, reforçando o caixa das corporações, conforme registros do portal da Câmara dos Deputados.

A pauta surpresa: Guerra dos minérios

Além das pautas populares, um terceiro item não listado nas prioridades originais ganhou força de urgência nos corredores devido ao clima de tensão geopolítica. Veja do que se trata:

O PL das Terras Raras: Aprovado em maio, o projeto cria um marco regulatório pesado para a exploração de minerais críticos no Brasil (como lítio, nióbio e outras terras raras).

Soberania Nacional: A aprovação corre em meio a uma crise diplomática com os Estados Unidos. Enquanto Washington tenta reduzir sua dependência da China, o governo brasileiro quer frear a simples exportação de matéria-prima e priorizar o beneficiamento e a industrialização dos minérios dentro do território nacional. O objetivo é ampliar o poder do Estado sobre ativos estratégicos vitais para tecnologias do futuro.

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