Laudo do IML aponta agressões e violência sexual contra criança de 3 anos encontrada morta

Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto na casa do pai, em Palmas, no Tocantins. Documento descartou sinais de afogamento e apontou múltiplas lesões no corpo da criança. O caso é investigado pela Polícia Civil
Redação NC News
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A morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, passou a ser investigada como um caso de violência após o laudo do Instituto Médico Legal (IML) concluir que a criança morreu em decorrência de múltiplas agressões e violência sexual. O menino foi encontrado morto na casa do pai, em Palmas, no Tocantins, na última segunda-feira (3).

O pai, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, de 33 anos, e a madrasta, Kathellen Moreira, de 23, foram presos preventivamente sob suspeita de envolvimento na morte. Os dois negam as acusações.

A investigação ganhou novo rumo depois que o exame descartou a hipótese de afogamento apresentada inicialmente pelo pai. Além das agressões, o laudo identificou sinais de violência sexual. O caso é investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer quando e como os crimes aconteceram e qual teria sido a participação de cada suspeito.

Laudo do IML

O laudo do IML apontou que Gustavo morreu em decorrência de lesões provocadas por agressões. O diretor do instituto, Eduardo Godinho, afirmou que o corpo apresentava sinais de violência no rosto, em estruturas internas e na região intestinal.

Segundo as informações divulgadas sobre o exame, também foram identificadas lesões graves nas regiões anal e intestinal. A Polícia Civil investiga essas lesões dentro de um contexto de violência extrema.

O exame não encontrou sinais compatíveis com afogamento, contrariando a primeira versão apresentada pelo pai às autoridades. Exames complementares ainda podem acrescentar informações à investigação.

A polícia também apura a possibilidade de violência sexual. Essa frente da investigação ainda depende de exames complementares e da conclusão das perícias, portanto não deve ser tratada como fato definitivamente comprovado neste momento.

Gustavo Veloso Feitosa de 3 anos – Foto: Reprodução

Como o menino foi encontrado?

Gustavo passou o fim de semana na casa do pai. Segundo a versão apresentada inicialmente por Igor, a criança teria se afogado na piscina da residência.

O pai afirmou que retirou o menino da água, prestou primeiros socorros e o colocou para descansar. No dia seguinte, teria percebido que a criança não apresentava sinais vitais e procurado a polícia.

A Polícia Civil, porém, passou a questionar essa versão depois dos primeiros resultados da perícia. O laudo do IML não encontrou sinais de afogamento e apontou lesões incompatíveis com essa hipótese.

Polícia investiga

A perícia realizada no imóvel também encontrou elementos que passaram a ser analisados pelos investigadores.

Segundo o delegado Eduardo Menezes, havia garrafas de bebidas alcoólicas espalhadas pela residência e indícios de que o ambiente teria passado por uma higienização antes da chegada das autoridades. A polícia investiga se houve uma tentativa de alterar ou limpar o local após a morte da criança.

O delegado afirmou ainda que o pai teria permanecido na residência com o corpo do menino antes de procurar a polícia. A investigação busca reconstruir o período entre a morte e o momento em que a ocorrência foi comunicada.

Pai e madrasta foram presos

Igor Gustavo Veloso de Sousa e Kathellen Moreira foram presos preventivamente na madrugada de quinta-feira (6), sob suspeita de envolvimento na morte de Gustavo.

Segundo a investigação, o pai é suspeito de participação direta nas agressões. Em relação à madrasta, a polícia trabalha com a possibilidade de omissão diante da violência sofrida pela criança.

O delegado Eduardo Menezes afirmou que, até o momento, não havia elementos que apontassem participação direta de Kathellen nas agressões, mas a investigação considera a possibilidade de que ela tenha deixado de agir para impedir o resultado.

A defesa dos dois contesta as acusações.

O que dizem as defesas?

A defesa de Igor afirmou que ele colaborou com as autoridades desde o início e se apresentou voluntariamente para o cumprimento da prisão preventiva. Os advogados também disseram que, neste momento, não comentariam detalhes específicos da investigação em respeito ao sigilo do caso.

A defesa de Kathellen, por sua vez, recebeu a prisão preventiva com surpresa e argumentou que ela é mãe de uma bebê de 5 meses, ainda em fase de amamentação. Os advogados pretendem pedir a substituição da prisão por medidas cautelares ou prisão domiciliar.

As acusações ainda estão sob investigação e não houve condenação dos dois.

Mãe já havia relatado problemas na convivência com o pai

O caso também passou a ser analisado dentro do histórico da relação entre os pais de Gustavo.

Segundo informações divulgadas durante a investigação, a mãe, Sabrina da Silva Feitosa, já havia relatado episódios de violência e afirmou que o menino voltava machucado após períodos na casa do pai. A defesa dela também disse que havia temor em relação ao ex-companheiro.

Os pais não moravam juntos e mantinham uma disputa judicial relacionada à convivência com o filho e à pensão alimentícia.

Um vídeo divulgado durante a apuração mostra Gustavo dizendo que não queria ir para a casa do pai porque “ele me bate”. A informação passou a ser considerada no contexto da investigação, mas a existência do vídeo, isoladamente, não determina a responsabilidade criminal pelos fatos investigados.

Laudo do IML apontou que Gustavo morreu em decorrência de lesões provocadas por agressões – Foto: Reprodução

O que ainda falta esclarecer?

A Polícia Civil ainda precisa esclarecer exatamente quando e como Gustavo foi agredido, quem teria participado das agressões e o que aconteceu dentro da residência antes e depois da morte.

Novos exames e perícias poderão ajudar a esclarecer pontos ainda não respondidos, inclusive as circunstâncias das lesões encontradas no corpo da criança.

Os investigadores também devem confrontar as versões apresentadas pelos suspeitos com os resultados das perícias, depoimentos e demais elementos reunidos durante o inquérito.

A tipificação dos crimes também pode mudar conforme a investigação avance.

OAB suspende pai de Gustavo

Igor Gustavo Veloso de Sousa é advogado e teve a inscrição profissional suspensa cautelarmente pela Ordem dos Advogados do Brasil em Tocantins.

Segundo a OAB-TO, a medida tem caráter cautelar e permanecerá em vigor até a instauração e análise do procedimento disciplinar. A entidade informou que serão assegurados o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.

Entenda o contexto

Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto na casa do pai, em Palmas, no Tocantins, após passar o fim de semana com ele.

Inicialmente, o pai afirmou que o menino havia se afogado na piscina. O laudo do IML, porém, não encontrou sinais compatíveis com afogamento e identificou múltiplas lesões provocadas por agressões.

A partir dos resultados da perícia, a Polícia Civil passou a investigar o caso como uma morte violenta. O pai e a madrasta foram presos preventivamente e são suspeitos de envolvimento no crime.

Os dois negam as acusações, e a investigação ainda está em andamento. Novas perícias e depoimentos deverão ajudar a esclarecer a dinâmica da morte e eventual responsabilidade de cada investigado.

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