Maldini revela conversa com Ancelotti e lamenta “quase” com Guardiola

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Redação NC News
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Paolo Maldini deixa a direção da Federação Italiana de Futebol após apenas 16 dias de trabalho e expõe uma crise aberta no comando da seleção. O ex-capitão do Milan acusa o presidente Giovanni Malagò de esvaziar seu poder de decisão, especialmente na escolha do novo treinador da equipe nacional.

Maldini rompe com Malagò e fala em ‘máquina parada’

Em entrevista nesta semana, Maldini afirma que ele e o consultor Leonardo entregam os cargos porque já não veem condições mínimas de confiança dentro da entidade. “Apresentamos nossas demissões porque as condições necessárias para a confiança deixaram de existir”, diz o ex-zagueiro.

Paolo Maldini rompe com Malagò, presidente da Federação Italiana.

O dirigente relata que a ruptura acontece de forma quase imediata, assim que percebe que a presidência ignora o acordo informal de lhe dar autonomia sobre o projeto da seleção. “Se eu tenho um emprego, se tenho uma responsabilidade e pretendo cumpri-la, isso é inaceitável”, afirma, ao descrever a frustração após pouco mais de duas semanas de gestão.

Maldini usa a imagem de um organismo travado para descrever a atual FIGC. “É uma máquina parada. Há tantas pessoas que querem fazer algo, mas não sabem o quê. Estão à espera de um objetivo, de orientações”, relata. Segundo ele, o encontro com funcionários e técnicos dá “muita energia”, mas esbarra em uma cúpula incapaz de apontar um rumo claro.

Caso Pirlo escancara disputa por poder interno

O primeiro choque público entre Maldini e Malagò gira em torno de Andrea Pirlo, ex-meia da seleção e candidato inicial ao cargo de treinador. A área técnica, liderada por Maldini, defende seu nome. A presidência barra a contratação, alegando conflito ético pelo fato de Pirlo atuar como embaixador de uma casa de apostas.

Maldini considera o episódio um pretexto. “Eu diria que sim (foi usado como pretexto). Certamente foi explorado de uma forma absolutamente exagerada”, afirma. Segundo ele, Pirlo se mostra disposto a encerrar o vínculo com a empresa russa para assumir a seleção, o que, na visão do ex-diretor, tornaria qualquer obstáculo jurídico administrável.

Andrea Pirlo foi centro de racha entre Maldini e Federação Italiana

O ex-zagueiro sustenta que o debate sobre código de ética e regras de dignidade serve mais para justificar uma decisão política já tomada do que para proteger a imagem da federação. “Se houvesse um desejo genuíno de tê-lo como técnico, não haveria obstáculos legais”, argumenta. Para Maldini, o caso mostra quem de fato manda na casa: o presidente, não a estrutura esportiva.

Ancelotti diz não, Guardiola quase aceita

Com Pirlo descartado, Maldini tenta atrair nomes de peso internacional. O primeiro telefonema vai para Carlo Ancelotti, hoje comandante da seleção brasileira e um de seus aliados mais próximos no futebol. “Ligamos para o melhor técnico italiano de todos os tempos, meu grande amigo Carlo Ancelotti”, conta.

Segundo Maldini, Ancelotti recusa de forma educada, mas firme, alegando compromisso com o projeto no Brasil. “Ele respondeu que o Brasil havia reafirmado sua total confiança nele e se despediu, desejando-nos boa sorte”, relata. O episódio expõe não só o prestígio do técnico de 61 anos, mas também os limites da influência da federação italiana diante de uma seleção em alta no cenário internacional.

Ancelotti, sob alta confiança da CBF, diz não à Maldini e Seleção Italiana

O segundo alvo é Josep Guardiola, recém-saído de uma década no Manchester City. Maldini viaja a Barcelona ao lado de Leonardo para um encontro presencial. “Fomos visitá-lo em Barcelona, almoçamos juntos e conversamos o dia todo. Ele ficou muito tentado. Chegou muito perto de aceitar. Ele até começou a anotar possíveis escalações”, diz.

O desfecho, porém, é negativo. De acordo com Maldini, o espanhol recua por razões físicas e pessoais, depois de 10 anos intensos na Premier League. “Guardiola vem de dez anos exaustivos na Premier League. Ele fez uma cirurgia nas costas e quer descansar”, afirma. A negativa deixa a FIGC sem seus alvos prioritários e reforça a imagem de que, hoje, a seleção italiana já não é o destino óbvio para os técnicos mais cobiçados do mercado.

Guardiola foi o “quase” de Paolo Maldini

Mancini retorna e crise ameaça projeto esportivo

Sem acordo com Pirlo, Ancelotti ou Guardiola, a federação confirma Roberto Mancini como treinador. Aos 61 anos, o técnico volta para uma segunda passagem à frente da seleção, em um movimento que privilegia a continuidade num momento em que Maldini defendia renovação profunda de ideias e métodos.

Mancini carrega o peso simbólico de ter conduzido a Itália a um grande título europeu, mas também a marca de uma eliminação em eliminatórias de Mundial recente. Sua volta é vista dentro da FIGC como solução segura, capaz de reduzir o ruído político imediato. Fora da entidade, a escolha recebe leitura oposta: sinal de um sistema que prefere repetir caminhos conhecidos a encarar uma reconstrução incômoda.

A saída de Maldini, após apenas 16 dias, torna pública a batalha por controle do futebol italiano de seleções. De um lado, dirigentes que centralizam decisões estratégicas e blindam o poder presidencial. Do outro, ex-jogadores e executivos que pedem autonomia técnica, planejamento de longo prazo e critérios claros para escolhas esportivas.

O impacto vai além do banco de reservas. Patrocinadores, torcedores e o próprio mercado de treinadores acompanham um cenário de incerteza. A federação corre o risco de se tornar menos atraente para profissionais de elite, tanto pela interferência política quanto pela dificuldade de sustentar projetos. Se a crise interna não for contida, o reflexo tende a aparecer em campo, nas próximas competições continentais e no próximo Mundial de Seleções.

Malagò ainda não apresenta uma resposta detalhada às críticas, limita-se a reafirmar confiança em Mancini e a minimizar o rompimento com Maldini. A federação, porém, terá de mostrar, em pouco tempo, se consegue transformar a turbulência em ponto de virada ou se caminha para mais um ciclo de improvisos, desconfiança e resultados aquém da tradição tetracampeã.

 

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