A disputa pelo governo de Minas Gerais provocou um novo racha dentro da esquerda. A Federação PSOL-Rede está dividida sobre qual candidato apoiar nas eleições de 2026. Enquanto a Rede defende a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o PSOL mantém o apoio ao deputado federal Patrus Ananias (PT).
A decisão da Rede foi tomada após uma votação interna da federação. Como possui a maioria dos integrantes do grupo em Minas Gerais, a legenda entende que o resultado determina o apoio a Kalil.
O PSOL, no entanto, discorda da decisão e pretende recorrer à direção nacional da federação. Entre os argumentos apresentados está a aproximação de Kalil com o PSDB, partido do ex-governador Aécio Neves. Para o PSOL, estar no mesmo campo político que os tucanos contraria o que a legenda construiu em Minas Gerais.
Áurea Carolina pode ser afetada
A disputa interna também ameaça a composição da chapa de Patrus Ananias.
A ex-deputada federal Áurea Carolina (PSOL) havia sido anunciada como candidata ao Senado na chapa de Patrus, ao lado da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT).
Caso a federação mantenha o apoio a Kalil, Áurea poderá ter que disputar o Senado de forma independente, fora da composição inicialmente anunciada pelo PT.
Apesar da disputa estadual, tanto PSOL-Rede quanto PDT defendem o voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República.
Kalil, entretanto, não pretende oferecer a Lula seu palanque na disputa pelo governo de Minas.
PSB também enfrenta divergências
A candidatura de Patrus também enfrenta resistência dentro do PSB.
O partido decidiu apoiar o petista após uma articulação da direção nacional da legenda e do senador Rodrigo Pacheco. O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior foi indicado para ocupar a vaga de vice na chapa.
A decisão, porém, não foi consenso entre os integrantes do partido.
Parte dos chamados “candidatos municipalistas”, grupo formado por prefeitos e ex-prefeitos do PSB, defendia outras possibilidades para a eleição.
Entre as alternativas estavam o apoio a Alexandre Kalil, uma candidatura própria do PSB ou até uma aliança com o governador de Minas, Mateus Simões (PSD).
Pacheco desistiu de disputar
Antes da definição de Patrus como candidato do PT, o senador Rodrigo Pacheco era considerado uma das principais opções para liderar uma frente ampla em Minas Gerais.
A intenção era reunir partidos de esquerda e de centro em torno de uma candidatura ao governo estadual.
Pacheco, porém, desistiu da disputa. Com a saída do senador, o PT lançou Patrus Ananias como candidato, mas continua enfrentando dificuldades para ampliar a aliança.
Kalil aparece à frente de Patrus
As pesquisas eleitorais divulgadas até agora mostram Alexandre Kalil à frente de Patrus Ananias na disputa pelo governo de Minas. O ex-prefeito de Belo Horizonte costuma aparecer na segunda colocação, atrás do senador Cleitinho Azevedo.
Patrus, por outro lado, aparece mais distante do líder nas pesquisas. O cenário aumenta a disputa dentro do campo de esquerda e ajuda a explicar a divergência entre os partidos sobre qual candidatura deve receber o apoio da Federação PSOL-Rede.
Por enquanto, a decisão da Rede pelo apoio a Kalil é contestada pelo PSOL, que pretende levar a discussão à direção nacional da federação.